| 21/5/2012 às 18h10 - Atualizado em 22/5/2012 às 18h6

Operários da Construção Civil continuam greve no ES após audiência sem acordo

Victor Melo
Redação Folha Vitória

ReproduçãoAinda não foi desta vez que empresas e trabalhadores da construção civil chegaram a um acordo para o fim da greve da categoria. A segunda audiência de conciliação entre as partes foi realizada na tarde desta segunda-feira (21/5) no Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES). Um novo encontro foi marcado para a próxima quarta-feira, dia 23. Até lá, o setor continua de braços cruzados.

A proposta apresentada na ocasião foi um reajuste salarial de 10% a partir do mês de maio e o aumento do auxílio alimentação para R$ 200, independentemente da refeição in natura por acaso fornecida pela empresa. Além disso, foi sugerida a elevação de R$ 30 para R$ 60 na participação do empregador no plano de saúde dos funcionários da construção civil.

Os trabalhadores sugeriram então uma contraproposta: 12% de reajuste para aqueles que ganham o piso mais baixo da categoria (fixado em R$ 605) e 10% para quem ganha uma faixa acima. Em relação ao tíquete alimentação, eles reivindicam R$ 170 de auxílio, mais R$ 80 de acordo com a assiduidade do funcionário. A proposta do plano de saúde foi aceita, mas em relação aos dias parados, eles pedem o abono de 50% do período e a compensação do restante.

O sindicato patronal aceitou apenas a proposta do plano de saúde. A sugestão foi um aumento de 10% para os trabalhadores que recebem o piso mais baixo (com mais 2% em novembro) e de 7,5% para os outros operários.

Em relação aos dias parados, eles concordam em abonar as faltas da metade do período, mas que a outra parte será descontada dos trabalhadores (nas férias, na participação dos resultados ou numa eventual rescisão do contrato). O valor do auxílio alimentação foi mantido em R$ 170, mas a gratificação de assiduidade seria de R$ 30 (ou de R$ 15, caso o trabalhador apresentasse de uma a duas faltas não justificadas).

O Sintraconst vai levar a proposta patronal para os trabalhadores em uma nova audiência a ser realizada na quarta-feira, às 10 horas, na Praça dos Namorados. As empresas da área industrial também serão chamadas para este novo encontro para tentar um acordo no que diz respeito aos trabalhadores deste setor.

A greve iniciou por conta de uma insatisfação dos trabalhadores da construção civil, que reivindicavam um reajuste de 14% no salário-base, valor que foi concedido para aqueles dos canteiros de obras industriais, além de benefícios relacionados a plano de saúde e vale alimentação. Já o sindicato patronal defendeu que já foi dado um aumento de 6% no início do mês de maio - valor superior a inflação do período, estimada em 4,97% - e o reajuste do tíquete alimentação de R$ 150 para R$ 170.

Protesto

Um grupo de cerca de 150 trabalhadores da construção civil realizou uma manifestação e tumultuou o trânsito em algumas vias da capital na manhã desta segunda-feira (21). Eles reivindicam reajuste salarial de 14% e vale alimentação de R$ 400.

A movimentação começou por volta das 7 horas na Rodovia Norte Sul, na altura do bairro Jardim Camburi. Os trabalhadores fecharam totalmente a pista no sentido Serra-Vitória e o trânsito ficou bastante complicado no local em pleno horário de pico.

Cerca de 70 mil trabalhadores estão em greve desde o último dia 7 por causa da divergência para fechar um acordo salarial, já que os empresários ofereceram reajuste de 7%. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintraconst), cerca de 90% dos canteiros de obras do Espírito Santo foram paralisados.

Prejuízo de R$ 25 milhões por dia

A greve dos operários da construção civil já chegou ao 10º dia no Espírito Santo e os empresários do setor já calcularam os prejuízos causados pela paralisação. Segundo informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), R$ 25 milhões por dia são perdidos por causa do movimento dos trabalhadores, ou seja, R$ 250 milhões até agora.

O presidente do Sinduscon, Constantitno Dadalto, afirma que o prejuízo não é só para os empresários da construção civil. "De acordo com as contas que nossa área de economia fez, cada dia de greve corresponde a um prejuízo total ao Espírito Santo, não somente à industria, mas a toda cadeia produtiva, de cerca de 25 milhões por dia. Estamos hoje com dez dias parados", disse.

Segundo Dadalto, a proposta apresentada pelos trabalhadores está fora da realidade. "A negociação não está convergente. A última proposta que o sindicato dos trabalhadores apresentou não atende a um bom censo e os empresários entendem que devem lutar por um Brasil mais consciente. A cadeia da construção civil pode inflacionar diversas áreas", afirmou.

       

       

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