"Não adianta pedir aumento se a crise continuar", diz novo secretário estadual da Fazenda, Bruno Funchal

Entrevista com "Bruno Funchal"

Com Doutorado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Pós-Doutorado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e professor titular da Fucape, Bruno Funchal assumiu há 20 dias seu primeiro cargo público na carreira.

Novo secretário da Fazenda do Espírito Santo, foi escolhido pelo governador Paulo Hartung para dar continuidade a política de austeridade fiscal já implantada pelo atual governo.

Em entrevista ao Folha Vitória, Funchal detalha um pouco mais dos seus primeiros dias na nova função, do cenário econômico capixaba atual e já adianta: Estado não dará aumento para servidores se a situação não melhorar.

Folha Vitória: Secretário, apesar de tomar posse só nesta quinta-feira (9), o senhor já está a frente da pasta desde o fim de fevereiro. Como foram esses primeiros dias de trabalho na nova função?

Bruno Funchal: Antes de aceitar o convite do governador Paulo Hartung, eu conversei com algumas pessoas para saber onde eu estava entrando e saber um pouco mais da equipe que iria trabalhar comigo e fiquei bastante satisfeito. O grupo de pessoas é muito bom, o quadro técnico é competente e a secretaria conta, inclusive, com alguns alunos meus. Enfim, foram 20 dias tão intensos que parece que eu já estou a frente da Sefaz há três meses.

FV: Este é o primeiro cargo que o senhor assume no setor público. Qual a maior diferença entre os dois setores e seu maior desafio nessa nova empreitada?

BF: Se você me perguntasse há duas semanas, eu ia responder que era o processo de entrar no setor público. Agora, já conhecendo um pouco mais do funcionamento da Secretaria, posso dizer que nosso maior desafio é entender como essas agendas de reformas do Governo Federal, como a Reforma Tributária e Reforma da Previdência, vai refletir no Governo Estadual. São reformas estruturais, muito importantes, que precisam ser discutidas e analisadas com a importância devida. Além disso, temos que tocar alguns projetos relevantes para o Estado, discutir logísticas ...

FV: O senhor acredita que a sua aproximação e coerência com a linha de pensamento da ex-secretária Ana Paula Vescovi e do próprio Paulo Hartung foram determinantes para que o governador lhe fizesse esse convite?

BF: Essa nossa linha de pensamento coerente foi determinante para que o convite acontecesse e também para que eu aceitasse o convite. Todo mundo sabe que eu não tenho perfil político, então eu não ia entrar em alguma coisa que eu não acreditasse. Já estudei bastante o que acontece no Brasil e no mundo e acho que essa linha de pensamento deve ser mantida.

FV: Desde o início do governo Hartung, a austeridade econômica foi colocada em primeiro plano. Como fazer o Estado crescer/se desenvolver e, ao mesmo tempo, manter as contas em dia?

BF: A gente tem que parar de pensar que o Estado tem que colocar dinheiro para gerar desenvolvimento. As pessoas que vem da academia, vêm com muito rigor. Precisamos entender bem as necessidades e em que momento elas estão inseridas. Uma situação importante, por exemplo, é a eficiência de gastos: saber como gastar bem o dinheiro público. O que podemos fazer com o dinheiro público para gastá-lo da melhor forma possível? Precisamos investir em locais que gerem mais e para mais pessoas.

FV: Com relação a essa crise recente na segurança pública, o senhor teme manifestações de outras classes e segmentos como a que aconteceu recentemente com a Polícia Militar?

BF: Olha, todo mundo tem que se conscientizar e esse é um papel não só meu, mas de todos. O governador vem falando disso recentemente: estamos em momento de crise, não tem recurso, e não é só o setor público que não tem recursos. O setor privado também está com dificuldades. Não tem como ficar discutindo aumento de salário numa situação dessa, de crise aguda. O Espírito Santo teve uma queda recente de 14% do PIB (Produto Interno Bruto). Todo mundo tem que ter a consciência que todos estão perdendo.

FV: Quer dizer que a prática que vem sendo adotada nos últimos anos vai se manter? Nos últimos anos, a maioria dos servidores estaduais não recebeu aumento, essa prática vai se manter nesses dois últimos anos de mandato?

BF: Vou te dar o seguinte exemplo: olha para o Rio de Janeiro. Eles deram aumento, mas as pessoas não recebem, o governo não consegue pagar. Então, não adianta ficar reclamando, pedindo aumento porque, se a crise continuar, não vai ter aumento.

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