Artista Bruno Zorzal aposta nos contrastes em Exposição 20/20

Apostando no poder dos contrastes e na possibilidade de comunicação entre eles, o artista Bruno Zorzal traz para a Exposição 20/20, que marca os 20 anos do Museu Vale, uma obra composta por quatro fotografias de duas séries diferentes, feitas em tamanhos, materiais, anos, países, técnicas e até mesmo momentos de vida distintos, mas que, na visão do seu idealizador, têm pontos importantes de contato.

A fotografia maior, com quase quatro metros de altura, consiste na captação da imagem da nuca de uma estátua e foi impressa em papel sulfite com a mesma técnica de outdoor, considerada ordinária, e colada diretamente com cola grude na parede rústica do Museu, entrando na pedra e pegando seu relevo propositalmente, parecendo até mesmo uma pintura, que pode ser tocada. Já as três fotografias menores, de 70 x 60 centímetros, foram impressas em fine art sobre papel de fibra de algodão, com qualidade técnica extrema e papel nobre, que nem deve ser tocado.

A imagem da nuca, feita em milésimos de segundo, reflete a vivência de Bruno em um espaço que não era o dele, onde não via pessoas que reconhecia como iguais. Fora do seu país, o artista capixaba retratou com a imagem o contraste de uma parte considerada íntima do corpo, mas que lhe é oferecida por quem lhe dá as costas, refletindo uma falsa intimidade. Já os retratos menores, feitos por longa exposição do obturador de 40 segundos a um minuto, e por isso borrados, mostram rostos humanos de frente, porém não identificáveis. Todas as fotos apresentam muitos tons de cinza e trabalham infinitos contrastes que se conversam.

Com método de trabalho que define como “ir fazendo, montando séries e voltando nelas com formatos, apresentações e combinações diferentes”, Bruno conta como foi montar o resultado da exposição que se confere agora no Museu Vale. “Tive quatro conversas muito ricas com os curadores. Foi excitante ver a parede gigantesca do Museu e pensar como seria incluída no trabalho. Não sabia como ia ficar. No dia da montagem, foram 5 horas só para a colagem da foto grande. Mudamos o papel, a cola, a impressão. Mas foi incrível terminar e ver o sorriso no rosto de cada um”, relata Bruno.

Para quem conferiu com emoção a exposição de abertura do Museu com 18 anos, na ocasião tendo apenas acabado de entrar na universidade, estar presente como expositor no Museu que permitiu à sua geração ter contato com a arte contemporânea é um desafio interessante de estabelecer o diálogo com outros artistas. “Da abertura até 2006 vi tudo que o Museu expôs. Depois passei dez anos fora do Brasil e acompanhei à distância”, conta o artista.

Autodescrito como “meio diagonal” em termos de formação, o artista é doutor em Estética, Ciências e Tecnologia das Artes Plásticas e Fotografia, mestre em Estética e história das Artes Plásticas e Fotografia, ambos pela Universidade Paris 8, e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Já atuou como fotojornalista, segundo ele, para financiar suas viagens e formações pelo mundo. Já recebeu quatro prêmios nacionais e internacionais, participou de mais de 20 exposições no Brasil e exterior, e tem cerca de 20 artigos ou livros publicados. Atualmente, trabalha em Vitória e em Paris.

Serviço
Exposição 20/20 té 25/02/2019
Terças a sextas, das 8h às 17h, sábados e domingos, das 10h às 18h
Em janeiro, terças a domingos, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Museu Vale – Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n, Argolas – Vila Velha/ES
Informações: (27) 3333-2484

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