Instalação estimula sentidos do espectador em Exposição 20/20

Com a intenção de aguçar a atenção do espectador para ver, ler e escutar a sua obra, o artista capixaba Elton Pinheiro traz para a Exposição 20/20, que marca os 20 anos do Museu Vale, uma instalação feita a partir da escrita literária desenvolvida em diferentes suportes, como papel, cerâmica e som. Chamada de Diárido, a obra é composta de materiais que agem numa espécie de assemblage ou composição, refletindo a própria divergência.

 O conjunto é composto por duas mesas com tampo de acrílico e, dentro delas, uma disposição de cadernos, papéis e discos de cerâmica com textos que se transformam de uma língua para outra, assim como transmutam de uma literatura técnica e matemática, com fórmulas e equações, para outra literária e poética. Acima das mesas, duas caixas de som emitem em loop audiopoemas em cinco faixas produzidas com leituras de poemas inéditos, além de textos e ensaios contidos nos cadernos e uma orquestração musical.

De acordo com o artista, que é mestre em Artes Visuais, os cadernos são de uma coleção pessoal, alguns recebidos em seminários do Museu Vale, e servem para mostrar uma escrita cuja leitura os atravessa no todo do trabalho, e literalmente vaza de um para o outro, inclusive para outros suportes para a palavra. “Para isso, a artista Cida Ramaldes me deu orientação sobre cerâmica e produzi alguns discos que fazem referência aos de vinil e são grafados com meus textos. À medida que a escritura ia se desenvolvendo, eu compus em meu estúdio faixas com o que chamei de audiopoemas, lidos em polifonia, sobrepostos e atravessados por um arranjo musical contemporâneo, com piano elétrico, voz e orquestração”, explica Elton.

A produção de Diárido levou cerca de cinco meses e representa para seu autor a realização de um desejo antigo de quem frequenta o Museu Vale há muitos anos. “Nas vezes que entrava no galpão, eu pensava em um dia instalar um trabalho meu. Foi ali que vi, pela primeira vez, uma obra do Cildo Meireles que mudou a direção da arte em minha vida. Esses dias cheguei e lá estava o meu trabalho rodeado por uma família. Um pai mostrava ao filho e apontava para as caixas de som e as mesas. Como quem sonha, hoje essa realização está em meu coração. Ela será uma marca frutificada pelo meu trabalho e é essa felicidade que eu espero dividir com o mundo. Essa exposição hoje nos apresenta como parte de um percurso trilhado e por trilhar. A curadoria de Neuza Mendes e Ronaldo Barbosa realizou uma alquimia bela e densa de 20 artistas que agora acenam para o país com a produção de uma arte contemporânea elaborada no Espírito Santo”, conta Elton.

O artista enfatiza que o Museu Vale se tornou parte da arte no Estado. “Ele nos mostrou artistas, trouxe palestras, promoveu seminários, permitiu residências e estabeleceu contato eficaz com o calendário nacional da arte, além de propiciar a educação por meio de visitas escolares, uma formação cultural da maior importância”, opina.

Serviço

Exposição 20/20

Até 25/02/2019

Terças a sextas, das 8h às 17h, sábados e domingos, das 10h às 18h

Em janeiro, terças a domingos, das 10h às 18h

Entrada gratuita

Museu Vale – Antiga Estação Pedro Nolasco, s/n, Argolas – Vila Velha/ES

Informações: (27) 3333-2484.

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