3/5/2010 às 7h13 - Atualizado em 3/5/2010 às 10h10

Jairo Maia agora na Rádio Vitória: "Eu não me aposentei. Da comunicação eu só saio depois de morto"

Redação Folha Vitória
Redação Folha Vitória

Foto: Bruno Coelho
Depois de poucas semanas afastado das ondas do rádio, o veterano Jairo Maria está de volta nesta segunda-feira (3) na frequência da Rádio Vitória. E o retorno acontece no melhor do antigo e consagrado estilo que ele mesmo criou. O Programa Jairo Maia volta a invadir as residências das donas de casa às 9 horas, como manda a tradição, e sai do ar ao meio-dia, deixando um gostinho de quero mais, sanado somente no dia seguinte. Os quadros de maior sucesso, como a "Simpatia do Dia", o "Show do Quebra-Cuca" e a "Corrente de Oração pela Família", continuam. E o programa vem com uma novidade: a "Carta que Não Mandei e Gostaria de Mandar".

Confira a entrevista na íntegra:

Folha Vitória - No próximo mês o senhor completa meio século de radialismo. Tudo deu certo para Jairo Maia desde o início? Como foi começar no rádio?
Jairo Maia - Eu comecei em Cachoeiro de Itapemirim, em 1957, mas naquela época eu era um locutor comum. Chegava, falava e saia de cena. Não tinha programa, mas a sociedade achou por bem me nomear locutor do Espírito Santo. Trabalhava com direitos autorais na Ordem dos Músicos do Brasil. Foi quando eu vim para Vitória. Estava na Rádio Espírito Santo quando o Duarte Júnior me convidou para fazer um programa. Ele queria me dar um espaço no ar às 15 horas. Seria um programa de música. É claro que eu aceitei, mas nós não sabíamos qual seria o nome. Pensamos em "Melhores da Tarde", "Campeãs da Tarde"... Até que um colega falou: "coloca 'Programa Jairo Maia' mesmo. Se colar, ótimo, senão tira". Então, não houve vaidade da minha parte. Assim começou o "Programa Jairo Maia", em 1961. Em seguida eu fui para a Rádio Vitória, em seguida para a Capixaba, que comprei e onde fiquei por quatro anos. Não seu certo. Voltei para a Rádio Espírito Santo. Fiquei lá até que o Plínio Marquine me convidou para ir para a Rádio Gazeta. No próximo dia 8 de maio eu completaria 20 anos de casa.

Folha Vitória - O "Programa Jairo Maia" sempre teve o mesmo formato ou foi sendo adaptado com o passar do tempo?
Jairo Maia - O "Programa Jairo Maia" é uma colcha de retalhos. São 13 sessões. Procuramos pessoas desaparecidas, conseguimos doações, damos notas de falecimento, temos a simpatia do dia, o show do quebra-cuca, a corrente de oração pela família... A música acabou ficando em última instância porque eu fui adaptando esse formado ao que o público queria. No "Programa Jairo Maia" eu não faço nada, quem faz é o ouvinte. Eu só vou fazendo uma seleção do que acredito que vai dar mais certo. Eu já criei, inclusive, vários chavões para deixar isso claro: "Programa Jairo Maia, do jeito que o povo gosta"; "49 anos no ar: deve ter razão para existência tão grande"; e outros.

Folha Vitória - Houve alguma situação que mais lhe marcou em todos esses anos de radialismo?
Jairo Maia - Várias. Uma, em especial, foi quando eu fiz uma campanha. Eu daria um televisor 21 polegadas para a mãe mais idosa e com maior numero de filhos. A vencedora da mais idosa era de Resistência, Vitória. Quando chegamos lá, era uma casa de madeira e nós começamos a subir as escadas, elas começaram a ceder. Eu perguntei onde nós iríamos colocar a televisão e ela disse que não tinha mesa. O que eu fiz? Voltei com a televisão e mandei construir uma casa de alvenaria para ela. Fiz uma permuta com uma firma de material de construção e resolvemos o problema. Eu nunca fui lá, mas fiquei muito satisfeito.

Folha Vitória - Qual é o segredo da longevidade no rádio?
Jairo Maia - Para ficar esse tempo todo no rádio tem que, em primeiro lugar, gostar do que faz. E eu sempre gostei. Quando morava com meus pais em São Jesus, pegava cabo de vassoura, colocava uma lata de sardinha na ponta e ficava brincando como se fosse um microfone. Eu sempre gostei de música, de cantar inclusive. E tem que ter um pouco de carisma e usar o linguajar do povo. Se preocupar com os problemas do povo.

Folha Vitória - O senhor acha que o rádio perdeu espaço após a televisão e a internet?
Jairo Maia - Ninguém vive sem rádio. O rádio é muito imediatista. Eu anuncio um produto, a pessoa vai à farmácia e pede. Às vezes não sabe nem o nome do produto, diz: aquele que foi anunciado no Programa Jairo Maia. Mesmo porque, no rádio a gente usa um palavreado bem próximo ao povão. Por isso o rádio continua firme. Ninguém tira a força do rádio. Ela é muito grande. O ouvinte é muito fiel. Tenho ouvintes de 20, 30, 40, 60 anos. Vai passando de geração em geração.

Folha Vitória - Essa proximidade com o público, então, é um dos segredos do sucesso?
Jairo Maia - Eu não tenho dúvida. Eu tenho colaboradores de mais de 30 anos. O Eriwelton Soares, de cidade Continental, manda recortes de revistas de jornais com notícias curiosas há mais de três décadas. Tenho ainda a Maria Salomão, de Ataíde, que é paraplégica, e me manda colaborações para o quebra-cuca e fala da Bíblia. Tenho o Marcos Valério, que não conheço até hoje. Eu leio cartas de solidariedade e nem sei quem é que escreveu. Então, é como eu disse, eu não faço nada: quem faz é o ouvinte. Eu tenho esse elo muito forte com eles. Isso tudo é muito gratificante.

Folha Vitória - Tem algum quadro no programa criado por sugestão da mãe do senhor?
Jairo Maia - Não é um quadro. Eu tenho uma prece, uma mensagem para quem quer ser feliz. Fez tanto sucesso, foi tão bem aceita, que eu fui obrigado a mandar imprimir e deixar na portaria da rádio. Essa mensagem minha mãe me deu de presente. [com voz embargada] Aquela prece está na minha carteira. Eu fiquei emocionado.

Folha Vitória - O senhor também tem uma ligação muito forte com o rei Roberto Carlos...
Jairo Maia - Eu sou muito ligado ao Roberto. Ele já ficou até com o meu carro aqui. Eu era muito próximo ao irmão dele. Começou pelo irmão dele e foi uma amizade que ficou. Quando eu cheguei em Cachoeiro, ele já tinha saído. Mas não a família dele. Depois, o irmão dele se mudou para o Rio e eu sempre ia lá vê-lo. O Roberto já me entregou um disco de ouro dele nos 30 anos do programa. A história do Programa Jairo Maia está ligada ao Roberto. Agora, ele é muito reservado. Então, temos tido pouco contato. O aparado dele é muito grande. Agora, quando a gente se encontra, é uma festa.

Folha Vitória - A gente sabe que o senhor tem aversão à política partidária. Como o senhor pretende se comportar nesse ano eleitoral? Vai abrir espaço no programa?
Jairo Maia - Eu tenho alergia a político e a política. Eu sou avesso. Eu não me envolvo nisso. Não gosto disso. Hoje o descrédito é muito grande. A política virou profissão. É como no futebol: ser jogador deixou de ser amor à camisa e ao povo. Ninguém entra na política para ajudar o povo. Como ninguém faz futebol por amor à camisa.

Folha Vitória - O senhor é líder de audiência, tem ouvintes fiéis, uma carreira estável. O que motivou o senhor a se aventurar aceitando o convite de deixar a Rádio Gazeta e voltar à Rádio Vitória?
Jairo Maia - O que me deixou insatisfeito na Gazeta é que com a entrada do programa do Padre Marcelo Rossi eu perdi uma hora de programa. Desde o início o Programa Jairo Maria sempre foi ao mesmo horário: de 9 h ao meio-dia. Eu tenho ouvinte que dizia: eu já acordo ouvindo o seu programa. E não era mais assim. São detalhes que descaracterizam o programa.  Deixou de ter sua autenticidade. E não havia solução porque era em cadeia nacional: são 200 rádios. Então a Gazeta preferiu ficar com o Padre Marcelo ao Programa Jairo Maia. Eu não tenho nada contra. Eu não sou funcionário, sou autônomo. Tenho uma agência. Muita gente acha que eu me aposentei. Eu não me aposentei. Da comunicação eu só saio depois de morto.

Folha Vitória - O que mais lhe chamou a atenção na nova casa, a Rádio Vitória?
Jairo Maia - O apoio que eu tenho tido. Tudo o que se pede é na hora. A rádio ficou com uma estrutura muito bonita. As instalações são amplas e o espaço físico é importante. Eu já tenho meu armário, para colocar meu fone. Agora estou levando minha secretária, meu operador de som... O programa parece que sou eu quem faz, mas tem muita gente. Está tudo sendo feito com muito cuidado. Mandaram gravar as vinhetas todas em São Paulo. O telefone vai ser musicado, como eu sugeri. Eles até conseguiram um número de telefone cujo final coincide com a com freqüência. Na Rede Vitória as coisas, quando não são resolvidas hoje, são resolvidas no máximo amanhã. Isso é muito bom.

Folha Vitória - Como foi feito o convite?
Jairo Maia - O Fernando Machado foi até a minha casa. Foi um reconhecimento. Eu sou muito detalhista, me preocupo com as mínimas coisas. A única coisa que pedi foram condições de trabalho. Hoje, o Programa Jairo Maia usa seis telefones. Eu preciso dessa estrutura e eles estão me dando todo o apoio. Eu sou... Não diria exigente, mas muito profissional. Eu quero o melhor e o melhor custa um pouco mais. Foi assim que eu valorizei o meu trabalho. Então, eu fiquei muito feliz dele ter me convidado. Foi muito bom. Quando você oferece uma mercadoria, parece um pouco podre. Agora, quando você é convidado, você se valoriza. E estou recebendo todo o apoio.

Folha Vitória - E o senhor tem anunciantes que estão apoiando o senhor a muitos anos. A que se deve isso?
Jairo Maia - Eu tenho anunciantes que ficaram comigo por mais de 15 anos. A Unimed, por exemplo, anunciou no Programa Jairo Maia por 10 anos. Esse é o resultado desse trabalho de credibilidade que eu tenho com o povo. E das coisas que eu crio que pegam. Essa corrente de oração todo mundo quer participar. As simpatias, as pessoas pedem na portaria da rádio. O troca-troca também faz muito sucesso. As mensagens eu tenho que mandar imprimir porque são muito procuradas. Agora vamos ter uma novidade, uma nova sessão: a carta que não mandei e gostaria de mandar. Pessoas que gostariam de mandar uma carta e tem medo. É mais uma criação. Uma novidade.

A Rede Vitória faz parte do
4Ps Todos os direitos reservados © 2007-2014