Sob aplausos e homenagens, corredor morto após ser atingido por coqueiro é enterrado no Rio

Familiares e amigos do músico Wagner Carneiro Leão, que morreu após um acidente ocorrido durante uma corrida de obstáculos no Espírito Santo, prestaram suas últimas homenagens ao corredor na manhã desta segunda-feira (20) durante o enterro ocorrido na cidade de São João de Meriti, no Rio de Janeiro.  

O Coral Amantes da Música cantou a música “Monte Castelo”, de Renato Russo, e em seguida o atleta foi homenageado com 1 minuto de aplausos. Um grande número de alunos de música e de corredores – dos grupos Apaixonados por Endorfina, Acorda pra Correr, Renegados Run e 100 mimimi, Arroz de Festa Run – esteve presente na despedida a Wagner no Cemitério do Éden. Muito abalados, entre os familiares estavam a mãe, a ex-esposa, o irmão e primos.

Wagner morreu após ser atingido por um coqueiro que caiu durante a prova King’s Race, realizada no Rancho Forte, em Morada da Barra, Vila Velha. Cerca de 300 pessoas, de acordo com a organização, participaram do evento, cujo percurso possuía 15 obstáculos. O corredor do Rio de Janeiro se acidentou ao passar pelo quinto obstáculo, que consistia em uma rede afixada entre dois coqueiros, aparentemente íntegros, sobre a qual os corredores tinham que passar.

Mais de 50 pessoas já haviam ultrapassado o obstáculo, quando Wagner se aproximou e foi atingido pelo coqueiro em queda. Após o acidente e a prestação de socorro ao corredor, o obstáculo foi interditado, e a corrida continuou, sem registro de outras ocorrências.

Wagner foi imediatamente socorrido pela ambulância que estava no local à disposição dos corredores e levado com vida para o Hospital São Lucas, em Vitória, mas faleceu antes mesmo de receber atendimento médico.

Comoção nas redes sociais: “Morreu fazendo o que mais gostava”
Na página de Wagner no Facebook
 é grande a manifestação de corredores, amigos e familiares. Mensagens que ressaltam a alegria do atleta que descobriu na corrida um prazer. “Morreu fazendo o que mais gostava” está na maioria das homenagens.

Embora já tinha participado de muitas corridas, essa foi a primeira vez que Wagner se inscreveu no formato de prova com obstáculos. Veio ao Espírito Santo para participar exclusivamente do evento.  O atleta tinha 39 anos, era músico e não deixa filhos.

Organização lamenta a morte
A empresa King’s Race, organizadora da corrida com obstáculos, divulgou nota lamentando a fatalidade
. “A morte do participante abalou profundamente a equipe organizadora do evento. A empresa informa que está prestando toda a assistência necessária à família de Wagner”, diz a nota.

Segundo a empresa, todos os obstáculos foram testados nos dias anteriores ao evento por organizadores e por atletas. “Os últimos testes foram realizados na sexta-feira, 17. A King’s Race entrou em contato com o Corpo de Bombeiros sobre a necessidade de liberação dos obstáculos, mas foi informada de que somente obstáculos superiores a cinco metros de altura necessitavam de testes, o que não era o caso”, esclarece a nota.

A organização da King’s Race comunicou a família sobre o acidente e prestou toda a assistência necessária, custeando a vinda de familiares ao Estado para os procedimentos de liberação e transporte do corpo para o Rio de Janeiro.

A King’s Race destacou ainda que promoveu, no ano passado, corridas de obstáculos em Pedra Azul e em Matilde e nunca havia registrado nenhum acidente. A empresa reafirma que lamenta profundamente o ocorrido e reforça o compromisso com a família do corredor.

Daniela Künsch

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Daniela Künsch é jornalista desde 2002, editora chefe do jornal Folha Vitória e corredora amadora. Depois de chegar aos 133 quilos, perdeu 65, e encontrou na corrida força e inspiração para não voltar à obesidade. Sonha em se tornar maratonista.