Relato da Dani: Meia Maratona do Verde e das Águas, muito mais do que conexão com a natureza!

Correr distâncias longas, para mim, sempre foi um desafio. Ansiedade, sensação de incapacidade e apreensão eram sentimentos que me afligiam antes de qualquer prova de 16km e 21km. Por isso, eu sempre busquei escolher provas que trariam a segurança necessária para vencer os medos e cruzar a linha de chegada mais forte e confiante.

E hoje, horas depois de concluir os 21km da Meia Maratona do Verde e das Águas, na Reserva Natural Vale, em Linhares, neste domingo (08), posso afirmar com segurança que não tenho mais receio de encarar novos desafios e novas distâncias.

Optei por correr os 21km ouvindo apenas o som da minha respiração, das passadas e das aves e animais. A Floresta do Tabuleiro, no meio da Mata Atlântica, foi o cenário perfeito para refletir sobre meus medos e ao mesmo tempo atingir a marca de cinco meias-maratonas concluídas em seis anos de corrida.

Na véspera, hospedagem e jantar de massas. Um dos diferenciais da Meia Maratona do Verde e das Águas é o carinho com que a organização trata todos os inscritos, fazendo com que você se sinta parte do evento antes mesmo dele ser realizado. A começar pelo processo de inscrição, quando você tem o pagamento confirmado via WhatsApp e recebe uma arte com sua foto recebendo as boas-vindas da prova.

Na véspera da prova, me hospedei no Hotel da Reserva Natural Vale. O serviço de hospedagem é uma opção para os inscritos que querem relaxar e aproveitar as opções de lazer que a estrutura da reserva oferece além da corrida, claro. Sem contar que pude retirar o meu kit e participar do Jantar de Massas, realizado depois do congresso técnico quando a organização explica o percurso e repassa orientações sobre a corrida aos inscritos. Essa confraternização com outros corredores sem dúvida dá uma energia extra para a largada.

Super indico a hospedagem! Além de ter uma ótima noite de sono, acordei no dia da largada, tomei um super café da manhã no restaurante da reserva e fui para a prova com a energia renovada.

Já na largada, ao lado dos mais de 1 mil corredores, eu já tinha consciência que o percurso – com trechos de terra, areia, e tobogãs com subidas e descidas – exigiria bastante força. A disputa da Meia Maratona do Verde e das Águas foi iniciada às 8h15 no corredor verde da entrada principal da Reserva Natural Vale. Após percorrer os primeiros metros do percurso, contornamos uma grande e linda lagoa no coração da reserva.

Depois adentramos por um trecho de estradão antes de acessar as trilhas no meio da mata. Árvores raras e enormes e uma diversidade de plantas frutíferas faziam parte do percurso e o canto de diferentes espécies de aves se misturava ao barulho da passagem dos atletas.

Ali, no início da prova, decidi dividir mentalmente o percurso em três partes. Na primeira parte, eu iria organizar a minha respiração, que estava um pouco ofegante por conta de uma crise de rinite.

A marcação e sinalização com placas indicativas e a presença de staffs em pontos estratégicos deixaram o percurso ainda mais seguro evitando erros de trajeto por parte dos corredores.

O clima quente e úmido da floresta, aliado ao nível do percurso, mais uma vez acrescentou grau de dificuldade à prova. E como já é tradição, há quatro anos, a organização do evento se preocupou em dar o máximo de conforto aos participantes. A cada 2.5km de percurso aproximadamente estava um posto de hidratação.

Com 2/3 de prova, ou seja, 14km, eu estava curtindo ainda mais o percurso, apesar de estar fazendo mais força, por conta dos tobogãs com subidas e descidas concentrados em maior número nesse trecho.

Já nos últimos 7km de prova, decidi apenas me concentrar para chegar logo e concluir o desafio. Na altura do km 16k, estava um ponto de hidratação com água de côco, refrigerante cola, paçoca e mariola. Energia extra em abundância para que todos pudessem concluir os últimos 5 quilômetros finais.

Parte dos quilômetros finais da Meia Maratona do Verde e das Águas tem como cenário uma grande área de pasto que parece interminável. Precisei controlar a ansiedade nesse trecho. Ao mesmo tempo que queria acelerar para chegar logo, sentia algumas dores no joelho direito. Pra não sofrer nenhuma lesão e ter que terminar a corrida caminhando, segurei a onda!

Nos metros finais do percurso de 21km, a emoção veio à tona. Começou quando vi a placa faixa com os dizeres: “Força, só restam 650 metros”. Mais à frente, corredores e fotógrafos gritavam palavras de incentivo enquanto minhas lágrimas caíam. Não tem jeito, estar na reta final de uma prova sempre provoca em mim um misto de sentimento e emoções.

E, ao cruzar a linha de chegada da Meia Maratona do Verde e das Águas, se havia ainda algum resquício de medo ou insegurança em longas distâncias, foi eliminado. Que venham outras meias! Estou pronta! Gratidão por isso, Meia Maratona do Verde e das Águas!

Os vencedores!

A Meia Maratona do Verde e das Águas distribuiu troféus para os cinco primeiros colocados nas categorias Geral Masculino e Feminino, nas distâncias de 21km, 10km e 5km.

Na categoria Geral Masculino, 21km, o vencedor foi Leonardo Alves dos Santos, com o tempo de 1h12min32seg. Em segundo lugar, Benedito Barreto, com 1h16min45seg, seguido por Vanderley da Conceição Gomes, 1h17min05seg, Diego Santos Barbosa, com 1h17min27seg e Marcos dos Santos Paranhos, com 1h17min33seg.

Já no Geral Feminino, 21km, o pódio ficou com Tiane Marcarini Pinto, com o tempo de 1h33min33seg, seguida por Odileia Aparecida Souza, com 1h38min14seg, Gabrieli Machado Batista com 1h44min22seg, Lyssa Risperi Giuberti, com 1h46min30seg e Teuma Moreira, com 1h48min50seg.

Confira o tempo oficial de todas as distâncias:

10 KM FEMININO
10 KM MASCULINO
21 KM FEMININO
21 KM MASCULINO
5 KM FEMININO
5 KM MASCULINO 

Quer correr nesse cenário?

Em outubro, a Reserva Natural volta a sediar mais uma prova de longa distância: a 2ª Maratona do Verde e das Águas. A prova com percursos de 42km e 7km será no dia 21 de outubro. As inscrições já estão abertas no site.

Daniela Künsch

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Daniela Künsch é jornalista desde 2002, editora chefe do jornal Folha Vitória e corredora amadora. Depois de chegar aos 133 quilos, perdeu 65, e encontrou na corrida força e inspiração para não voltar à obesidade.