Produção científica e tecnologia em universidades e faculdades do Espírito Santo

O desenvolvimento tecnológico é um processo dinâmico. A todo momento nos deparamos com novos produtos e serviços surgindo no mercado, trazendo inovações importantes para facilitar o nosso dia-a-dia e atender a nossas necessidades. E um dos fatores determinantes para essa constante inovação é a pesquisa acadêmica, desenvolvida no ambiente de universidades e faculdades.

No Espírito Santo, instituições de ensino superior como a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Vila Velha (UVV) e Faculdade do Centro Leste (UCL), entre outras, promovem diversas pesquisas científicas na área do desenvolvimento tecnológico, que resultam na melhoria da qualidade de vida de muitas pessoas, em soluções sustentáveis para problemas ambientais, na criação de novas tecnologias, entre muitos outros benefícios.

Por trás desse trabalho estão professores com alto nível de especialização, com trabalhos reconhecidos nacional e até internacionalmente, orientando estudantes ávidos para colocarem em prática os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. Muitas vezes essas equipes de pesquisadores esbarram em dificuldades, como a falta de recursos para financiamento das pesquisas, entre outras. Porém o retorno obtido com o resultado desses projetos acabam por recompensar todo o esforço despendido.

O professor do Departamento de Informática e coordenador do Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) da Ufes, Alberto Ferreira de Souza, considera que a maior dificuldade enfrentada por seu departamento para o desenvolvimento de pesquisas é a escassez de recursos financeiros. “Às vezes falta dinheiro para comprar equipamentos ou para realizar o pagamento de bolsas”, lamenta.

A queixa sobre a falta de recursos financeiros é a mesma do Coordenador Geral de Pesquisa e Laboratórios da UCL, professor Fransergio Leite da Cunha, que acrescenta ainda a questão do tempo disponível de grande parte dos alunos participantes do projeto como outro fator dificultador.

“Apesar de termos a Fundação de Amparo a Pesquisa (Fapes), temos muitas dificuldades para conseguir recursos. Muitas vezes dependemos de edital da Fapes, mas o repasse de verba é restrito, portanto é preciso ter uma fundação para angariar esses fundos. Outro desafio que enfrentamos é a falta de tempo de muitos alunos. O perfil deles é diferente dos alunos das federais e a maioria precisa conciliar trabalho e estudo. Com isso, é difícil que eles consigam ser atuantes nos projetos. No entanto, temos uma porcentagem de estudantes que não trabalham e que têm condições de dedicar mais tempo aos projetos”, frisou.

Já a coordenadora dos cursos de Engenharia Metalúrgica e Engenharia Química da UVV, professora Kirlene Salgado Fernandes Penna, cita a desconfiança que algumas empresas ainda têm de contratar instituições privadas para desenvolver pesquisas. “Nosso desafio inicial foi provar que tínhamos capacidade para realizar as pesquisas, já que muitas empresas ainda dão mais atenção à instituição pública do que a privada. E conseguimos mostrar nosso potencial”, comemora.

Mesmo em meio a dificuldades, muitas pesquisas superam as expectativas e obtêm sucesso e reconhecimento fora do Estado e até mesmo em outros países. Um dos projetos desenvolvidos em instituição de ensino superior do Espírito Santo que recentemente alcançou destaque nacional foi o do carro autônomo, do LCAD  da Ufes.

“Superamos as dificuldades e alcançamos todos os nossos objetivos. Recentemente fiz uma palestra na Embraer, onde apresentei o projeto e ele foi muito elogiado pelos presentes. Em breve estarei na Suécia, também para falar do projeto. Além disso, recebemos convites para participar de bancas, alunos conseguem bolsas no exterior. Conseguimos atingir nesse projeto um padrão mundial de desempenho. O que é feito aqui está no nível dos melhores projetos desenvolvidos no mundo”, destacou Alberto Ferreira.

Com o êxito obtido nos resultados das pesquisas, as instituições particulares têm sido frequentemente solicitadas por empresas. “Se as empresas estão precisando de algo, elas nos procuram e firmamos parceria. Somos constantemente solicitados por grandes companhias, como a Vale e a ArcelorMittal, e também por empresas locais”, disse Fransergio Leite.

“Conseguimos superar a desconfiança inicial e agora é continuar nosso trabalho e pegar desafios ainda maiores. Nossos alunos têm mostrado muito interesse em participar dos projetos, vão até as empresas, fazem contatos com engenheiros, e os professores também têm o maior prazer de estarem juntos nesses trabalhos”, afirmou Kirlene Salgado.

Produção científica na Ufes

Um dos projetos científicos desenvolvidos na Ufes, na área da tecnologia, e que ganhou destaque na mídia recentemente é o carro autônomo, que se locomove sem a necessidade de ter um motorista. Em maio deste ano o veículo, que recebeu o nome de Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile), percorreu 74 quilômetros, de Vitória até a praia de Meaípe, em Guarapari, praticamente sem precisar da intervenção humana. Foi a primeira vez que um automóvel trafegou em vias urbanas e em rodovia dessa maneira no Brasil.

O coordenador do LCAD e um dos desenvolvedores do projeto explica que, para que tal feito pudesse ser concretizado, foram necessários anos de pesquisa. “O projeto teve início em 2009 e um dos seus principais objetivos, a longo prazo, é entender o funcionamento do cérebro humano. A gente tenta fazer cada parte dele como o cérebro humano faria. Começamos estudando como o cérebro reage a imagens estáticas e, em 2008, desenvolvemos um dos melhores sistemas de reconhecimento de face do mundo. Agora buscamos entender como ele entende imagens dinâmicas, ou seja, percebe os movimentos”, explicou Alberto Ferreira.

Atualmente cerca de 15 pessoas fazem parte do projeto, mas, segundo o coordenador, mais de 40 pesquisadores participaram dos estudos. Além de Ferreira, o projeto conta com dois professores do Departamento de Informática da Ufes e estudantes dos cursos de graduação em Ciências da Computação, Engenharia da Computação e Engenharia Elétrica, do mestrado em Informática, e do doutorado em Ciências da Computação.

Já o Núcleo de Tecnologia Assistiva (NTA) e o Laboratório de Robótica e Tecnologia Assistiva (LRTA) da universidade desenvolvem projetos de robótica voltados para reabilitação de pacientes, auxílio ao diagnóstico, interação entre robô e crianças com autismo, entre outras áreas. Entre as pesquisa vigentes, estão o desenvolvimento de um exoesqueleto robótico para reabilitação; reabilitação utilizando ambientes virtuais; interfaces cérebro computador; robótica e reconhecimento de emoções aplicados a crianças com autismo; ambientes inteligentes e terapia ocupacional; e dispositivos de telemedicina.

Pesquisas em instituições particulares

O trabalho científico na área tecnológica também está presente no ambiente acadêmico das instituições particulares. A UVV, por exemplo, desenvolve pesquisas científicas na área tecnológica, em parcerias com indústrias, desde 2014. Segundo a professora Kirlene Salgado, um dos objetivos dos projetos é buscar soluções ambientais, dando uma adequada destinação a resíduos do processo de fabricação – que se tornam matéria-primas para outros produtos, tornando-os mais baratos.

“Um dos projetos que desenvolvemos atualmente é uma parceria com a ArcelorMittal Tubarão, que consiste em estudar a utilização da escoria, que é um resíduo da fabricação do aço, na fabricação de blocos de concreto. Nesse caso, a escoria deixa de ser um resíduo e se torna um coproduto, que permite diminuir a quantidade de cimento utilizado na fabricação e torna o produto final mais barato. Por meio de outro projeto, descobrimos que a escoria também pode ser utilizada na fabricação da argamassa, substituindo a areia. E agora estamos iniciando outra pesquisa para utilizar a escoria e pneus velhos na construção de asfalto. Isso diminuiria a quantidade de pixe utilizada na fabricação, que é um processo muito poluente. Dessa forma, além de reduzir a poluição, estaríamos dando uma destinação adequada à escoria e aos pneus velhos”, destacou.

Já a UCL desenvolve pesquisas utilizando a ciência aplicada, ou seja, voltada para a aplicação de determinado conhecimento, para a solução de um problema específico. Os estudos são custeados com recursos próprios, financiados por órgãos de fomento federais e estaduais ou provenientes da iniciativa privada.

Dentre os projetos de destaque da instituição estão o de robótica educacional aplicada à aprendizagem de ciências exatas e da terra, secagem homogênea de café em leito fluidizado, uso de biopolímeros para tratamento de efluentes, produção de carvão, entre outros.

(15Publicações)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será divulgado. Campos obrigatórios estão marcados com *