O filme “Sully – o herói do Rio Hudson” e os julgamentos sobre a educação das crianças

Olá!

Estava aqui relembrando o filme “Sully – o herói do Rio Hudson”, aquele caso real em que o avião, pouco depois da decolagem, tem as turbinas comprometidas por colidir com um bando de gansos. Para salvar a própria vida e a de todas as pessoas a bordo, o piloto decide fazer um pouso de emergência no Rio Hudson.
 
Mesmo tendo feito o que era o melhor para todos, foi julgado (e quase condenado) por sua decisão. Os simuladores de voo mostravam que ele teria como pousar em um aeroporto e que ao decidir pousar no Rio Hudson ele colocou as pessoas em risco ao invés de salvá-las da morte.

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Ao final do julgamento, Sully, o piloto, pondera que, ao decolar no simulador, já se sabe que deverão fazer o pouso pouco tempo depois mas que, na vida real, ele não planejava isso. Explica que teve que tomar uma decisão completamente inesperada. Solicita, então, que sejam acrescidos 15 segundos de reflexão, alegando ser isso a componente HUMANA da situação que, nos computadores, eram considerados só cálculos e números.
 
Com os 15 segundos a mais, nenhuma simulação conseguia pousar em segurança no aeroporto mais próximo e Sully foi considerado um herói. Até chegar a esse desfecho ele ficou impedido de trabalhar, passou por problemas financeiros, de relacionamentos e psicológicos devido ao julgamento das outras pessoas sobre a sua decisão. Quem eram as pessoas que julgavam? Entendidos de aviação, estudiosos, a mídia, as pessoas comuns influenciadas pela mídia e ele mesmo – massacrado por tanta pressão.
 
O que isso tem a ver com a educação de crianças?
 
Quando estamos no comando da decolagem de uma nova vida, inúmeros fatores nos fazem ter de tomar decisões. Cheios de boas intenções, buscamos sempre fazer aquilo que achamos ser o melhor. Nos simuladores, as coisas poderiam ser diferentes. Nas casa dos outros também! O meu filho, por exemplo, ficou curado de todos os problemas respiratórios quando deixou de tomar qualquer tipo de leite por completo aos 3 anos. Não significa que isso seja o melhor para todas as crianças. Aquilo que funciona aqui nem sempre resolve aí… e vice versa… O meu filho é diferente do seu… que é diferente do dela… assim como nós somos completamente diferentes… ou nem tanto assim…
 
Eu era aquela que dizia que o meu filho seria sem frescura. Depois de entrar incontáveis vezes no antibiótico, eu era a primeira a correr e cobrir a cabeça quando tinha um ventinho ou uma garoazinha de nada… É fácil condenar o treinamento para dormir da Encantadora de Bebês quando seu filho dorme em algum momento do dia. O meu só dormiu após o PU/PD (do livro) aos 8 meses e, mesmo assim, até os 2 anos a vida foi MUITO difícil prá nós.
 
E ainda vale dizer que pilotos de avião são obrigados a fazer mais de uma centena de horas de estudos… mas para a decolagem de novas vidas, ainda não temos a cultura de estudar…
 
O que quero dizer com tudo isso é que a gente NÃO SABE os gansos que estão encontrando as turbinas dos outros. A gente pode até achar que eram iguais aos nossos… mas raramente são… e quando a gente julga, o herói fica sem trabalho, sem dinheiro, sem moral, sem credibilidade, sem apoio… ainda que esteja fazendo as melhores escolhas que consegue. Quando a gente julga, a gente torna pior a situação que já é, por si só, suficientemente desgastante. Quando a gente julga a gente acha que é melhor… e faz o outro se sentir pior… A gente foi ensinado a olhar e julgar… Mas a gente SEMPRE pode desaprender! Aliás… DESAPRENDER é um grande recurso de aprendizagem!
 
Vamos olhar com mais amor, com mais empatia…
 
Vamos considerar a componente HUMANA da situação…
 
Vamos oferecer amor, amizade, alguma indicação cuidadosa de informação, colo, ombro e silêncio (em alguns casos)…
 
Que 2018 seja um voo suave e feliz para você e todos os passageiros que voam contigo!
 
E se quiser investir em estudo sobre as decolagens das novas vidas, sugiro que voe comigo no MundoemCores.com
 
@IsaMinatel

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