Maternidade Circense

Por Priscila Moura

Respeitável público!
Ser mãe é como o circo, com todas as atrações e revezando entre elas.
Ao descobrir a gravidez, alternamos em ser engolidoras de espadas (ou sapos) e atiradoras de facas, diante dos palpites e cobranças.
A barriga cresce, passamos a equilibristas. Volta e meia, nos sentimos na corda bamba ao subir um degrau ou levantar.
No parto, somos acrobatas! Momento de concentração que envolve uma preparação, especial, segurança e, sim, força.
Nasce o bebê: bolas ao ar! De agora pra frente somos eternas malabaristas. Agilidade e destreza para manter harmônicas, as bolas da família, carreira, vida social, saúde, vaidade, lazer e outras tantas. Um desafio constante, onde é preciso jogar uma bola mais ao alto para que outra não caia. Se cair, sorrir e voltar para o número.
O espetáculo não pode parar!
Amamentando ou fazendo o bebê dormir, nos tornamos mímicas! Sem emitir sons, conseguimos pedir água, fralda, mantinhas e o que mais precisar. E se dormem no nosso colo é a vez da contorcionista aparecer. Com o cotovelo mexemos na TV, o queixo coça o ombro que segura o telefone e os dedos do pé…Ah, eles pegam paninhos no chão, controle remoto, celular, chupeta…
Volta ao trabalho. Nasce a trapezista! Essa é uma atração muito esperada! Balançando entre a carreira e a maternidade, será preciso segurança e movimentos planejados. Na maioria das vezes, o show do trapézio é múltiplo e a confiança é fundamental. Não importa se no balancinho de lá está a babá, a creche ou um familiar. É preparar, combinar as piruetas, respirar fundo e… saltar! No começo, podemos falhar. Novas tentativas e a gente se acostuma. O coração sempre dispara ao largar nossas barras mais preciosas, os filhos.
No circo materno há imprevistos como acidentes, atrasos para chegar ao colégio, buscar em uma festa ou pegar um voo. Quem surge? A mulher-bala! Veloz e determinada, a mãe se joga do canhão para não perder a apresentação escolar, o avião ou o almoço.
E assim segue o espetáculo da maternidade. Diante de vaias ou palmas, não deixamos o brilho do picadeiro nos ofuscar.
Somos palhaças e bailarinas.
Quando as luzes se apagam, nos basta o olhar do filho, o sorriso ou um sono velado. Nesses momentos, vimos o que realmente somos: mágicas.

Aplausos!

 

 

Priscila Moura

(319Publicações)

Priscila Moura é mãe de um casal e tenta equilibrar as aventuras da maternidade, vida pessoal e carreira. Atualmente, é sócia em uma empresa focada no público mãe e coordena a FanPage Francisquice.

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