Foto: Divulgação
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O assassinato de um travesti no último sábado chamou a atenção para um problema social grave no Estado. De setembro de 2006 a setembro de 2007 foram 18 mortes de homossexuais. Discriminados e agredidos buscam dignidade, mas encontram a intolerância da sociedade. Para a assistente social Márcia Saldanha Moreira, do Programa Vitória sem Homofobia, é preciso ações, como o manifesto que será realizado na próxima semana para chamar a atenção da sociedade para o problema dessas pessoas.
Folha Vitória - Qual o objetivo do manifesto do público GLBT no Estado, na próxima semana?
Márcia Saldanha Moreira - É importante que a sociedade saiba que não foi apenas a morte da Evelyn, que motivou essa manifestação. Sabemos que há muito sofrimento neste caso, e não queremos de jeito nenhum que pareça uma manifestação contra o PM envolvido ou contra a Polícia Militar, que vem sendo nossa parceira no combate à homofobia. Desde a morte de outra travesti em agosto, já planejávamos a manifestação e chegamos a pensar em fazê-la durante a Parada Gay. Mas chegamos à conclusão que não teria clima para isso, já que a Parada é um momento de alegria e o manifesto não tem esse objetivo de festa, é uma coisa muito séria. São 18 assassinatos em um ano de setembro de 2006 a setembro de 2007. Em menos de um mês foram quatro assassinatos, dois em Viana e dois em Vitória. Não vamos esperar mais alguém morrer.
Folha Vitória - E por que tantas mortes de homossexuais no Estado?
Márcia Saldanha Moreira - Essa é a pergunta que nos fazemos todos os dias. Infelizmente a sociedade não aceita a opção sexual dessas pessoas. Há muita intolerância, sobretudo com os homossexuais pobres.
Folha Vitória - Qual a situação deles no Estado. De onde parte essa discriminação?
Márcia Saldanha Moreira - Muitas vezes da própria família. A Evelyn contava com o apoio de seus familiares, mas isso não é comum. Já tivemos caso de um travesti que foi morto e o corpo ficou quase 45 dias no DML, porque a família não o reclamou. Nós da Secretaria de Direitos Humanos e da Associação fomos até o DML para tentar fazer com que o corpo não fosse enterrado como indigente, quando a família finalmente foi localizada. Essa é a nossa preocupação, porque essas pessoas morrem e é como se isso não fosse nada. São seres humanos e devem ser respeitados como qualquer outro. O que se vê é que hoje essas pessoas são excluídas, isto é, se você é pobre mata-se e não acontece nada. Por isso queremos o Ministério Púbico acompanhando as apurações desses casos.
Folha Vitória - E sobre a versão apresentada de que a Evelyn teria assaltado o policial. É mais fácil criminalizar os homossexuais?
Márcia Saldanha Moreira - Sim. Infelizmente a travesti morreu primeiro e ficaríamos com a versão dele. Como acabou acontecendo o suicído, jamais saberemos o que aconteceu.
Folha Vitória - Os homossexuais que trabalham na noite estão mais expostos à violência e discriminação. Como lidar com isso?
Márcia Saldanha Moreira - Como eu disse, muitas pessoas sofrem a primeira rejeição em casa, são postas na rua pelos próprios familiares. Isso acaba acontecendo também na escola e no mercado de trabalho. Sem qualificação e sem um apoio familiar acabam sendo jogados no mundo da prostituição, que por si só já é uma atividade perigosa. A Secretaria tenta ajudar essas pessoas, estamos estruturando uma forma de quantificar e qualificar essas pessoas para tentar amenizar a situação. Aqui na prefeitura trabalhamos com palestras sobre diversidade sexual para humanizar o atendimento a essas pessoas, dar a elas um atendimento digno na prefeitura, na Guarda Municipal para tentar levar um pouco de esperança a essas pessoas.
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