6/1/2012 às 20h30 - Atualizado em 6/1/2012 às 20h38

Chuva dá trégua, mas alagamentos ainda são vistos em Viana e Cariacica

TV Vitória
Redação Folha Vitória

Reprodução TV VitóriaA chuva deu uma trégua e os moradores de áreas atingidas aproveitaram esta sexta-feira (06) para calcular as perdas e limpar o que deu para salvar. Porém, alagamentos ainda podem ser vistos em Viana e Cariacica.

A dona de casa Margarete Viana conta que construiu uma casa em Cariacica há um ano e que já perdeu os móveis várias vezes. Há dois meses, ela fez a cama de cimento para a água não danificar, mas não conseguiu salvar o colchão.

A inundação no bairro Flor de Piranema acontece quando o rio Formate transborda nas chuvas fortes. Parte da ponte improvisada fica embaixo d’água e é preciso molhar as pernas. Do outro lado fica o bairro Marcílio de Noronha, em Viana, onde uma casa desabou nesta quinta-feira (05).

“Estávamos assistindo televisão e de repente vimos o cano da vizinha ali, a água já estava levando. Achamos até que a casa dela ia cair.. Do nada, ouvimos um barulhão e a parede quebrou. O muro caiu, nós saímos correndo e eu pulei pela janela. Perdi praticamente tudo, sobrou só a televisão”, lamentou o ajudante de pedreiro Fabiano dos Santos.

Parte de outra casa também desabou no bairro. Atrás dela havia uma barreira de pneus que não foi suficiente para evitar o deslizamento de terra. A aposentada Laureci Rosário havia juntado dinheiro por mais de dois anos para começar a ampliar a casa. Foram R$ 8 mil jogados fora. Ela está morando de aluguel, o proprietário pediu a casa e ela não tem para onde ir.

O último relatório divulgado pela Defesa Civil Estadual revela que 24 municípios estão entre os mais castigados pela chuva no Espírito Santo. Pelo menos sete cidades já decretaram situação de emergência: Vila Velha, Cariacica, Itarana, Governador Lindemberg, Laranja da Terra, Ibatiba e Domingos Martins.

Desabrigados

A remoção de algumas famílias que moravam em uma área de risco no bairro Alecrim, em Vila Velha, foi marcada por bate-boca na tarde desta sexta-feira (06). Segundo a Defesa Civil, uma pedra ameaça rolar no local e encostas deslizam um pouco a cada chuva.

Os deslizamentos de terra colocaram em risco 25 casas. Por isso, as famílias foram removidas do local e levadas para um conjunto de casas populares recém-construído em Jabaeté, na região de Terra Vermelha. Segundo a Defesa Civil, algumas pessoas poderão ser contempladas com o aluguel social em outros bairros.

"Continua o risco e temos previsão de ainda mais chuva. É um risco muito grande", explicou o secretário de Defesa Social de Vila Velha, Ledir Porto. 

As casas interditadas foram identificadas e os moradores alertados para a necessidade de saírem imediatamente. Homens da Defesa Civil do município, com apoio do Exército, levaram caminhões para retirar os móveis, mas a remoção não foi nada pacífica. Houve bate-boca porque boa parte dos moradores não queria sair.

Os moradores não poderão retornar até que sejam feitas obras de contenção de encostas que eliminem o risco. Isso não tem previsão de acontecer, segundo a prefeitura de Vila Velha. Por isso os moradores ficaram revoltados.

"É uma injustiça nos tirar daqui para levar para Jabaeté, onde nem sabemos onde fica", comentou o porteiro Paulino Caetano. "Quando é para pedir voto eles vêm, mas quando é para resolver o problema ninguém aparece", acrescentou a auxiliar de serviços gerais Rosemara Alvarenga.
 
Escadaria desaba

Parte de uma escadaria se transformou em um amontoado de concreto no bairro Nova Carapina II, na Serra. Pelo menos 30 metros foram destruídos. Por sorte ninguém passava pelo local no momento do incidente. De acordo com moradores, a forte chuva que caiu nos últimos dias acabou causando o desabamento. Eles acreditam que a abertura feita na parte inferior da escadaria, que dá vazão a água, provocou erosão e a escada acabou não suportando.

Seis casas que ficam às margens da escadaria foram notificadas pela Defesa Civil por que correm o risco de desabar. O problema, segundo os moradores, é que a prefeitura não deu nenhuma alternativa de abrigo e eles não têm para onde ir.

A prefeitura de Viana informou que a equipe de Defesa Civil e as secretarias de Ação Social e de Serviços Urbanos estão percorrendo todos os bairros para fazer um levantamento real e providenciar o que for necessário para resolver a situação.

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