Reportagem: Verônica Aguiar
Mulheres. Elas sempre querem renovar o visual, seja com um vestido, um assessório, um sapato novo. Novo? Não necessariamente, mas diferente daqueles que já habitam o seu guarda-roupas e que já foi utilizado em uma festa ou um encontro. Mas estar sempre com um look diferente sai caro, e foi pensando nisso que a estudante Sabrina Kucht, de Vitória, conseguiu reunir quase 15 mil mulheres no facebook.
Ela criou um grupo de troca e venda de produtos, tais como roupas e acessórios usados e em bom estado.O grupo se chama “Se tu não quer tem quem queira”. Ela explica que ele tem regras e nele as mulheres podem negociar qualquer coisa quando tiverem um interesse compatível, que é uma vitrine online, um espaço de divulgação.
A estudante teve a ideia de vender produtos usados quando começou a trabalhar. “Meu pai me transferiu responsabilidades financeiras como pagar minha conta de celular, gasolina e cartão de crédito. Desde então, passei a ver o valor do que estava a mais em casa, por exemplo: duas calças equivalem a meio tanque de gasolina”, diz..
Mas não é só com itens que fazem parte do guarda-roupas que a permuta tem seu espaço. A gestora ambiental Fátima Bezerra Bastos, que mora em São Paulo, participa de feiras de trocas. “Nestas feiras troca-se de tudo: já troquei uma rapadura por uma canga”, exemplifica.
Foi em uma dessas feiras que Fátima conheceu Renata Thomé, que de certa maneira busca sobreviver de trocas, pois no decorrer do ano evita o consumo e aguarda as permutas. Fátima lembra também, que já realizou troca de serviços. “Já dei aulas de inglês em troca de aulas de francês, percussão, de cursos de yôga, culinária, monitoria ambiental de turismo e até em troca da suspensão do meu carro. Ah, já troquei um depilador por uma tradução”, diz.
Ela também já participou de um programa chamado WWOOF http://www.wwoof.org/ na França e Bélgica. “Neste programa de intercâmbio trocam-se hospedagem e alimentação por algumas horas de trabalho em algo sustentável, geralmente agricultura, bioconstrução, ou algo nesta linha. Logo mais farei um estágio em um hotel sustentável na Costa Rica, por um mês, onde trabalharei seis horas por dia em troca de hospedagem, alimentação e alguns passeios”, conta.
De acordo com a gestora ambiental Polyanna Florindo, quando uma pessoa promove a troca ela reutiliza um produto que já está pronto. Assim, evita que seja extraída a matéria prima da natureza para a produção daquele objeto. A troca é, portanto, uma alternativa para não extrair recursos da natureza e as feiras e redes com essa finalidade proporcionam isso. Lembrando que é possível favorecer o meio ambiente também por meio da troca de serviços, por exemplo trabalhando em algo sustentável.
Para Fatima as trocas a permitem ter e fazer coisas que ela não teria ou faria somente com o seu salário, além das observações de Polyanna, ela destaca ainda que atitudes neste sentido são importantes porque você valoriza o seu tempo e dinheiro de uma outra maneira, mais conscientemente e porque é divertido também.
Funcionamento
Rede
O funcionamento das redes de trocas é bem simples. No caso do grupo “Se tu não quer tem quem queira”, Sabrina criou álbuns de fotos separados por categorias. As mulheres colocam fotos da peça que querem vender ou trocar no respectivo álbum e as interessadas comentam em baixo da foto. Toda negociação é feita entre elas.
Para realizar as trocas, as mulheres não dispõe de uma loja ou de um ponto físico. Elas combinam um local para fazer isso. Dessa forma esse tipo de negócio é muito vantajoso para o consumidor final, pois ninguém está tendo despesas com aluguel, água, luz, telefone e fornecedores, e portanto não há esses gastos a serem repassados ao consumidor, o que faz o produto sair mais em conta.
Feira
Renata Thomé explica como funcionam as feiras. Segundo ela, as pessoas se reúnem em um espaço físico e cada uma leva aquilo que já não lhe serve mais, que está em bom estado, e troca por algo que julgue útil, sejam roupas, acessórios, objetos, utensílios, livros, cds, etc. Uma dessas iniciativas é realizada pelo Cineclube Socioambental: http://www.cineclubesocioambiental.org.br .