15/3/2012 às 17h38 - Atualizado em 15/3/2012 às 17h38

Menor espécie de sapo do Brasil é encontrada no Espírito Santo

Folha Vitória
Redação Folha Vitória

Divulgação/ Governo do EstadoUma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que a menor espécie de sapo do Brasil é identificada no território do Monumento Natural (Mona) Serra das Torres, no Espírito Santo, Unidade de Conservação gerenciada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). O animal pode ser encontrado nos municípios de Atílio Vivacqua, Mimoso do Sul e Muqui.

O anfíbio de nome científico Brachycephalus didactylus, também conhecido como sapo pulga, mede entre 7 e 10 milímetros de comprimento. A pesquisa foi desenvolvida por alunos do programa de doutorado em Ecologia e Evolução da UFRJ e será publicada em uma revista científica em abril.

Foram mais de 200 registros da presença do animal na região. Esta talvez seja a menor espécie de sapo do mundo, porém, há estudos em andamento na África, onde outra espécie minúscula está sendo analisada.

É a primeira vez que o sapo pulga é identificado fora do Rio de Janeiro, o que eleva a importância da proteção ambiental do Mona Serra das Torres, segundo a pesquisadora Jane de Oliveira, uma das responsáveis pelo estudo.

“Esta espécie é um indicador de qualidade do local, pois não precisa de água, mas de lugares úmidos, ou seja, mata fechada com muita sombra. Lá em Serra das Torres, com certeza ela está protegida”, comentou.

A descoberta foi realizada no município de Atílio Vivacqua, mas segundo Jane, o sapinho também pode ser encontrado nos municípios de Muqui e Mimoso do Sul, que possuem áreas no território da unidade gerenciada pelo Iema.

“Estes bichinhos não se locomovem por longas distâncias, são avistados como se fossem ‘manchas’. Onde há um deles, vários estão por perto. A reprodução é fácil e o aspecto camuflado ajuda a escondê-lo. Acredito que possam ser encontrados até o Norte do Espírito Santo”, explicou.

Jane conheceu a região após participar da elaboração de estudos para criação da Unidade de Conservação de Serra das Torres. Em 2009 e 2010, ela passou a desenvolver pesquisas no local. “Tivemos apoio de três proprietários rurais quanto à logística. Não conseguiríamos nada se não fosse pelos moradores”, disse.

Além do sapo pulga, os estudos na região revelaram novas espécies. Entre elas, a Euparkerella robusta, que é endêmica da Mata Atlântica, foi descoberta pela primeira vez em Mimoso do Sul por meio do estudo na Mona Serra das Torres. Ela também foi encontrada em Atílio Vivacqua, dentro dos limites da unidade. Esta espécie vive no chão da floresta e depende diretamente da qualidade do ambiente para se reproduzir e sobreviver.

Já uma perereca chama atenção por suas cores exuberantes. A Phasmylla guttata vive próximo a riachos no interior das florestas. “Para sobreviver precisa de água extremamente limpa e sem contaminação por poluentes. Esta espécie foi umas das primeiras a ser encontrada neste trabalho, a publicação sobre ela saiu revista Herpetolocal Review, em 2009”, afirmou Jane.  

Mona Serra das Torres

O Monumento Natural de Serra das Torres é o segundo Mona Estadual do Espírito Santo (o primeiro é ‘O Frade e a Freira’), ou seja, uma área de proteção integral, em que não são permitidas a exploração ou ocupação desordenada do solo. Seus 10.458 hectares de área estão sob a responsabilidade do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

A Serra das Torres é considerada como um dos últimos e mais bem conservados remanescentes de Mata Atlântica do Sul do Estado.  Além da beleza cênica dos afloramentos rochosos, seu território abriga espécies raras da fauna e da flora como: Sabiá da Mata Virgem (Lipaugus lanoides); papagaio Chauá (Amazona rhodocorytha); Sauá (Callicebus personatus); Bugio (Alouatta fusca); Jaguatirica (Leopardus pardalis); Gato-maracajá (Leopardus wiedii); e Lontra (Lontra longicaudis). Todos ameaçados de extinção.

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