A paralisação geral dos caminhoneiros já começa a afetar o abastecimento nos supermercados do Espírito Santo. Com o atraso nas entregas, ou a não realização, o estoque começa a ser afetado, principalmente no setor de hortifrutti. Nesta terça-feira (31), seis pontos foram interditados pelos manifestantes nas BRs do Estado.
Ao todo, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 270 caminhoneiros realizaram manifestações. Segundo o gerente do supermercado Perim da Mata da Praia, Geraldo josé Inocêncio, a situação ainda está sob controle, mas se continuar por muito tempo a greve os estoques serão prejudicados.
"Nós não temos muito o que fazer. Infelizmente é uma situação que está nos afetando um pouco. Mas se continuar vai afetar bastante. Como nossas lojas têm depositos grandes, fazemos transferências internas dentro das lojas. A parte de hortifrutti é o que mais sente. Hoje, por exemplo, um caminhão atrasou bastante porque quem estava trazendo teve que fazer uma grande volta. Mas ainda conseguimos receber pelo menos", afirmou.
De acordo com William Carone Júnior, do supermercado Carone, a situação também está complicada no estoque. "Alguma coisa sim. Principalmente na parte de hortifrutti granjeiro. O preço da batata já subiu bastante porque a gente não está conseguindo abastecer. Eu tenho atraso de várias mercadorias. Viagem que costuma durar três dias demorou uma semana", disse.
Carone ainda teme que a greve dure por muito tempo, devido ao período que se aproxima. "Meu medo é a partir dessa semana, porque vira o mês e a demanda aumenta muito. Como a gente trabalha com estoque na base de 15 dias demora um pouco para afetar, mas se continuar assim com certeza vão faltar produtos", falou.
Manifestações
O movimento nacional começou na última quarta-feira (18). Na quinta-feira (19), uma determinação judicial ordenou o fim da manifestação e obrigou que o sindicato da categoria pagasse uma multa de R$ 50 mil por dia se a determinação fosse desacatada. Mesmo assim, diversas paralisações continuam.
Um caminhoneiro garantiu que o sindicato não participou da manifestação de segunda-feira. “O chefe do sindicato está com medo. Era para ele estar aqui mesmo com a determinação da Justiça porque em outros estados também houve determinação e a greve continua. Ela não tem hora para acabar. O movimento hoje não tem líder, cada um responde por si”, afirmou Alonso Brás.