22/2/2013 às 21h0 - Atualizado em 26/2/2013 às 12h45

Hospital de Guarapari é interditado após morte de bebês

TV Vitória
Redação Folha Vitória

Reprodução TV VitóriaA morte de nove bebês em pouco mais de 40 dias no Hospital São Judas Tadeu, em Guarapari, assustou a população que depende da saúde pública na cidade. O caso já está sendo investigado pelo Ministério Público e pelo CRM. Nesta sexta-feira (22), o Governo do Estado resolveu interditar o hospital.

Segundo a secretaria, o Ministério da Saúde fez uma auditoria na unidade entre os dias 05 e 15 de fevereiro e apontou uma série de irregularidades, que vão desde cobranças indevidas até partos feitos por profissionais não capacitados. "Alguns partos foram realizados provavelmente por auxiliares de enfermagem. São pessoas absolutamente sem habilitação para esse tipo de procedimento. Isso pode ter contribuído para os óbitos. Além disso, há várias outras irregularidades. Para proteger a sociedade, entendemos que era necessário interditar. As gestantes de Guarapari devem procurar a UPA, que fará os encaminhamentos", explicou o subsecretário Estadual de Saúde, Geraldo Queiroz.

O promotor Otávio Rodrigues não acredita que a responsabilidade seja somente do hospital. Para ele, tragédias como essa são o resultado do descaso com a saúde pública do município. "O paciente não sabe a quem recorrer. A saúde preventiva, que é do PSF, funciona mal no município. Essas pessoas passam a frequentar as unidades de pronto-atendimento, que vivem superlotadas e prestam serviço muito ruim. Guarapari construiu dois PAs e sempre temos reclamações sobre a falta de atendimento adequado", afirmou.

O filho do pedreiro Wallas Nascimento Borges está entre as nove crianças que morreram no hospital. "Quando vemos as coisas dele, já ficamos com muita tristeza. A mãe nem chegou a vê-lo vivo", lamentou. "A única coisa que eu queria era ter o meu filho ao meu lado. É muito triste. Fizemos planos", completou a dona de casa Jedizlaine Nascimento da Silva.

O hospital se defende, alegando que seis desses bebês já chegaram à unidade mortos e que os outros foram resultado de fatalidades. "Sempre morrem crianças, apesar de todos os nossos esforços. Se não fosse assim, os bebês não precisariam nem nascer em hospitais, eles poderiam estar em casa", comentou o diretor do hospital, Carlos Frederico Machado.

A secretária municipal de Saúde interina, Rosana Simões, disse que já conhece o problema e que não há descaso. "Não nego que o atendimento básico mereça uma atenção especial, que não está sendo suficiente. Ainda faltam muitas equipes de PSF e não temos uma cobertura total. Não conseguimos ter médicos em tempo integral em todas unidades. Esse é um momento difícil para todo o Estado, e não só para Guarapari".

  

  

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