4/10/2013 às 10h45 - Atualizado em 4/10/2013 às 11h37

Dificuldade de engravidar? Pode ser endometriose

Fabrícia Kirmse
Redação Folha Vitória

DivulgaçãoA endometriose é um problema cada vez mais frequente, que atinge de 7 a 10 milhões das mulheres no Brasil (um número bastante expressivo). É, hoje, considerada uma das principais causas de infertilidade no sexo feminino.
 
O endométrio é a camada que reveste a parede interna do útero. Quando não há fecundação, boa parte dessa camada glandular é eliminada durante a menstruação. O que sobra da camada cresce novamente e o mesmo processo se repete em todos os ciclos menstruais em que não há gravidez.
 
O médico Carlyson Moschen, da clínica Unifert (centro avançado de reprodução humana, explica que a endometriose é caracterizada pela presença do endométrio fora do útero, ou seja, acontece quando as células do endométrio, ao invés de serem eliminadas na menstruação, vão para outros órgãos, como ovários, intestino, bexiga.

"Existem duas teorias mais aceitas: uma seria a menstruação retrógrada, na qual células do endométrio podem se implantar em outros órgãos do abdome, como intestino, ovários e bexiga. A outra é a da transformação celômica, que seria a transformação de um tipo de célula em outro, nessa caso, as células do endométrio", descreve o especialista.
 
Moschen diz que a mulher pode não ter sintomas, mas quando eles surgem, os mais comuns são cólicas menstruais que podem ir aumentando de intensidade progressivamente; dor no ato sexual; dor e sangramento intestinais e urinários na fase menstrual; e a temida infertilidade.
 
O especialista ressalta que as causas da doença, apesar dos inúmeros estudos realizados, ainda são pouco conhecidas. Uma teoria mais recente é a imunológica, que diz que as células do endométrio que não são eliminadas na menstruação e vão para outros locais impróprios deveriam ser reconhecidas pelo sistema imunológico e destruídas, mas, em algumas mulheres, há uma falha nesse mecanismo de defesa.

Outra hipótese atual aponta que o endométrio que reveste o útero sofreria alterações que ajudariam essas células a chegarem na cavidade pélvica e levarem à endometriose.
 
Estresse

Vale dizer que a doença, geralmente, acomete mulheres acima de 25 anos e que não tiveram filhos ainda. Há indicativos também de que o problema pode começar na adolescência, mas acaba sendo diagnosticado só mais tarde.

Moschen destaca que o estilo de vida da mulher moderna pode ter influência nas alterações que levam à endometriose, especialmente, por conta do estresse e a ansiedade. O fator genético também é um elemento importante que não pode ser esquecido.

O diagnóstico deve ser feito por um médico especializado, a partir de uma análise criteriosa do histórico da paciente, sintomas, exame ginecológico e exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética.
 
Tratamento

DivulgaçãoO médico Carlyson Moschen diz que o tratamento dependerá do objetivo da mulher. É preciso saber, por exemplo, se ela quer se livrar da dor ou se seu desejo imediato é engravidar. Para aliviar as dores, o tratamento pode ser clínico (por meio de medicações) ou por cirurgia.

Já quando a mulher quer engravidar, se a endometriose é leve, pode ser feito tratamento com medicamento ou mesmo cirúrgico. Nos casos mais severos, há duas opções com bons resultados: cirurgia ou as técnicas de reprodução assistida. "A fertilização pode ser feita sem que a mulher tenha passado por uma cirurgia para endometriose. A decisão deve ser entre médico e paciente", pontua Moschen.

O importante é que, numa conversa esclarecedora, a mulher conheça as possibilidades de tratamento e suas chances reais de engravidar. "Temos excelentes resultados com a fertilização in vitro. Algumas vezes, acontece de a mulher engravidar com fertilização e, um tempo depois, engravidar novamente só que, de forma espontânea, sem tratamento", relata o médico. Segundo ele, a fertilização pode ter, em alguns casos, resposta melhor do que a cirurgia quando o desejo é engravidar.
 
Serviço:
Unifert (Reprodução Humana Assistida)

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