2/10/2013 às 13h47 - Atualizado em 2/10/2013 às 13h47

Ovário policístico: síndrome pode interferir na fertilidade

Fabrícia Kirmse
Redação Folha Vitória

DivulgaçãoVocê já deve ter ouvido falar na Síndrome dos Ovários Policísticos, também conhecida como SOP. Pesquisas mostram que de 20% a 30% das mulheres em idade fértil podem desenvolver o problema. Mas, desse total, em torno de 10% deverão manifestar algum sintoma.

Segundo o médico Carlyson Moschen, da clínica Unifert (centro avançado de reprodução humana), a síndrome é causada por um conjunto de fatores hormonais e está relacionada à morfologia dos ovários, ou seja, à forma como esses órgãos se apresentam na mulher. Acomete especialmente mulheres entre 20 e 40 anos. "Mas pode surgir em qualquer época da vida, inclusive na adolescência", explica o médico.

É nos ovários que o corpo feminino armazena os óvulos (nossas células reprodutoras) e também lá que são produzidos os hormônios femininos. Os cistos são espécies de pequenas bolsas que se formam nos ovários e podem atrapalhar seu funcionamento ideal, comprometendo a produção hormonal e, em alguns casos, a fertilidade.

Em relação aos sintomas, o mais comum, como destaca Moschen, são os ciclos menstruais irregulares, que podem durar até 90 dias  (o normal é entre 28 e 35 dias)  até a ausência de menstruação (amenorréia). A mulher pode ficar longos períodos sem menstruar e também sem ovular. Ou ovula de forma irregular.

Segundo o especialista, a síndrome pode provocar ainda resistência à insulina – o hormônio que faz com que os açúcares entrem nas células – e gerar ganho de peso. Esses dois fatores podem levar à diabetes. Estudos também mostram que a SOP pode causar distúrbios cardiovasculares e hipertensão.

Além da menstruação irregular e do sobrepeso (em alguns casos), outros sintomas mais comuns que podem aparecer (mas não necessariamente) são a acne e o aumento da quantidade de pelos no corpo, principalmente, na região da face, seios e barriga.  Tudo causado pela disfunção hormonal.
 
O diagnóstico da SOP pode ser feito de forma simples, por meio de ultrassonografia. Mas vale dizer que, se a detecção do problema é fácil, não é tão simples identificar as causas, de acordo com Moschen.
 
O que as pesquisas recentes revelam é que 50% das mulheres com essa síndrome têm hiperinsulinismo e o restante apresenta  disfunções no hipotálamo, na hipófise, nas suprarrenais, e produz maior quantidade de hormônios masculinos.
 
Tratamento
 
Cada caso é um caso. Segundo o médico Carlyson Moschen, o tratamento pode ser hormonal, por meio de pílulas anticoncepcionais específicas, que ajudam a reduzir os sintomas como acne e crescimento de pelos. E os resultados costumam ser muito positivos. No caso de infertilidade, a estimulação da ovulação também com medicações específicas pode ajudar a engravidar. Se não der certo, a fertilização in vitro é outra solução.
 
A comerciante Áurea Regina Machado, 36 anos, tem a síndrome desde a adolescência e tinha dificuldade para engravidar. Ela conseguiu ficar grávida após fazer acompanhamento médico e o tratamento adequado. "Comecei a fazer o tratamento e logo engravidei. Foi tranquilo. Mas é muito importante ter a orientação de um especialista", avalia.
 
Moschen ressalta que, quando há dificuldade em engravidar, mesmo que se tenha o diagnóstico anterior de SOP, é importante fazer um estudo geral, tanto do quadro clínico da mulher quanto do homem, para descartar outros problemas que também impedem a gravidez. Por isso, o melhor mesmo é procurar um especialista.
 
"Nem sempre é a síndrome que está dificultando a gravidez. Então, é importante fazer uma avaliação mais criteriosa em alguns casos", pontua o médico.
 
Um outro detalhe importante, enfatizado por Moschen, é que a mulher que tem a síndrome não deve achar que, por isso, não vai engravidar e pode abrir mão de métodos anticoncepcionais. "Muitas vezes, mesmo com ovário policístico, a ovulação acontece. Então, nada garante que a mulher não vai engravidar. Há muitas que engravidam mesmo sem tratamento". Quem não está planejando um bebê por agora deve, então, ficar atenta.
 
DivulgaçãoMais sobre ovário policístico
 
1 - Ovário policístico x cisto no ovário
Ovário policístico não é a mesma coisa do que cisto no ovário. A SOP (Síndrome do Ovário Policístico) é resultado de uma disfunção hormonal, com maior produção de hormônios masculinos. Formam-se vários pequenos cistos nos ovários. Já o cisto é uma formação preenchida por líquido que aparece no ovário por causa da ovulação ou alguma desordem genicológica.
 
 2 - Genética
Ovário policístico pode ser hereditário, sim. A chance de ter a síndrome aumenta quando mãe ou irmã apresenta o problema. Mas há outras causas possíveis. Há estudos que apontam até a obesidade como fator desencadeante, além das variações nos níveis de hormônios. 

3 - Adolescência
A síndrome pode surgir na adolescência, mas também em qualquer época da vida. Muitos casos se apresentam logo após a primeira menstruação.

4 - Sintomas
Alguns sintomas comuns são menstruação irregular, acne, oleosidade na pele e nos cabelos, obesidade, queda capilar, aumento dos pelos em certas partes do corpo. Mas nem todas as mulheres com a síndrome vão manifestar todos esses sintomas.

5 - Tratamento
O tratamento cirúrgico não é mais indicado há anos. E a escolha do melhor tratamento dependerá do objetivo da paciente. Pode ser, por exemplo, regularizar o ciclo menstrual, engravidar ou mesmo reduzir acne e pelos no corpo. Comumente, são usados anticoncepcionais ou outros medicamentos à base de hormônios. No caso de sobrepeso, é muito importante emagrecer por meio de dieta e exercícios físicos.

6 - Gravidez
Nem sempre a SOP leva à infertilidade. Pode ser mais difícil engravidar porque, em alguns casos da síndrome, a mulher não ovula. Mas a gravidez, em algumas situações, pode acontecer normalmente, mesmo com ovários policísticos.

Serviço:
Unifert (Reprodução Humana Assistida)

Tels: 3200 4818/3182 1000

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