| 26/4/2010 às 12h54 - Atualizado em 26/4/2010 às 15h3

Cafetões agridem prostitutas e travestis que não pagam "diária" em Camburi

TV Vitória
Redação Folha Vitória

Foto: Reprodução TV Vitória
Durante o dia, a orla de Camburi, em Vitória, é reduto dos exercícios físicos. A praia é o local tradicional das caminhadas, mas basta a noite cair para o mesmo calçadão se transformar em uma vitrine do sexo. A extensa faixa de seis quilômetros é tomada por garotas de programa e travestis: todos aguardando clientes dispostos a pagar por sexo.

A Avenida Dante Micheline é dividida por faixas que delimitam as áreas. O trecho entre a Mata da Praia e Jardim da Penha é a região das mulheres. Já a área entre a Rodovia Norte Sul, na entrada de Jardim Camburi, até a Rua José Celso Cláudio é dos travestis.

Durante uma semana, nossa reportagem percorreu a orla: apenas dois travestis aceitaram falar abertamente sobre o assunto, mas sem serem identificados. Logo no início da entrevista, um deles revela quantas pessoas atuam em toda a orla. "Em volta de 50 a 60 pessoas. Geralmente não vêm todas no mesmo dia", conta.

Foto: Reprodução TV Vitória
E entre tantas pessoas, a confirmação da prostituição infantil. Um dos entrevistados é a comprovação da presença de menores no comércio do sexo. "Eu tenho 22. Comecei menor de idade", admite uma travesti.

Os travestis garantem: clientes não faltam. E afirmam que já houve casos onde um deles atendeu a 15 em um único dia. O perfil da maioria chama a atenção. "Homens casados. Empresários que tem sua vida muito bem financeiramente. Que na verdade só tem uma fantasia. Muitas vezes eles vêm e querem até vestir a nossas roupas", conta.

E o motivo para atrair tanta gente é logo revelado: a praia de Camburi, segundo eles, é um negócio lucrativo. "Você pode estar em uma esquina e um homem te dar R$ 200. Pode estar em outra e um homem te dar R$ 2 mil. Depende do cliente", conta.

E é exatamente essa alta lucratividade do comércio de sexo na Praia de Camburi que tem atraído os chamados cafetões. Eles agem com autoritarismo e muita violência. Não oferecem qualquer tipo de segurança ou vantagem. Os cafetões não tem hora para aparecer, mas quando aparecem, travestis e garotas de programa são obrigados a pagar uma espécie de diária. Quem se recusa, é brutalmente repreendido.

O valor cobrado da chamada diária varia e pode chegar a R$ 50. É aí que a venda do próprio corpo deixa de ser voluntária para se tornar um crime. O Código Penal Brasileiro é claro: "tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça" é ilegal. A pena é de reclusão que vai de um a quatro anos mais a pena de multa.

Mas a polícia parece não ser o problema nem para os travestis e garotas de programa, muito menos para os cafetões. A equipe de reportagem da TV Vitória flagrou a ação criminosa. O homem que aparece nas imagens é conhecido como Tiago. Segundo as garotas de programa, ele age com outro homem chamado de Carioca. Diariamente eles passam pelo local, segundo as vítimas, para fazer a extorsão.

Em outro flagrante, o rapaz está com uma garota de programa lanchando em um posto de combustíveis. Mais tarde, o encontramos sentado: observando as garotas. Segundo elas, ele é quem orienta quanto e como devem ser os programas. As marcas no corpo de um travesti relevam o que acontece com quem não segue as regras.

"Nós ficamos coagidas e ameaçadas a todo momento. Você está sujeita a tudo. A jogar garrafa, pedra... Um tentou me furar com canivete e outro tentou me bater com cordão de prata", revela uma vítima.

Depois de apanhar, o travesti foi ameaçado e expulso do ponto. O caso foi parar na delegacia, mas, depois de assinarem um documento foram liberados. Com medo, o travesti não voltou mais para a orla. Já o cafetão está de volta e continua causando medo com mais violência.

"A polícia tem que esperar ele matar ou esfaquear alguém para depois tomar uma providência. Eu não quero morrer ou esperar que uma amiga minha morra para a polícia agir", reclama.

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