22/6/2012 às 20h17 - Atualizado em 22/6/2012 às 20h20

Policiais a serviço do crime preocupam autoridades no Espírito Santo

Alcione Coutinho
Redação Folha Vitória

Roberly PereiraOs números assustam. De 2009 até hoje: cinco escrivães, seis agentes, um perito, 14 investigadores e nove delegados da Polícia Civil estão impedidos de trabalhar por suspeita de envolvimento em crimes. Na Polícia Militar, não é muito diferente, de 2010 até hoje, foram expulsos da corporação 10 policiais.

Segundo a corregedora da Polícia Civil, Fabiana Maioral, a atuação da instituição tem sido expressiva. Ela afirma que vários processos estão em tramitação. “É muito triste para nós. Cortar na carne é doloroso, mas, é preciso”, afirma.

Entre os policiais afastados da Polícia Civil, apenas uma delegada foi demitida. Segundo a Corregedoria, a Justiça determinou que ela seja reintegrada ao cargo. “A Polícia Civil têm 35 policiais afastados passíveis de ser demitidos; A investigação ainda não foi finalizada”, explica Fabiana Maioral.

A Polícia Militar também afirma que procura excluir de seu quadro de pessoal aqueles que se envolvem em crimes. “O objetivo é a transparênciade tudo aquilo que acontece com a questão legal”, afirma o comandante geral da PM, Ronalt William. No momento há um coronel da reserva, três majores e dois capitães afastados.

“As pessoas, infelizmente, têm desvio de conduta. A PM possui um órgão corregedor para que os efeitos disso sejam combatidos. Essas pessoas estão a margem do nosso regulamento, de nossa lei. Por determinação do governo do Estado a tolerância é zero a todo desvio de conduta”.

Mas, as investigações de supostos crimes praticados por policiais militares esbarra na burocracia. Casos como a tentativa de homicídio sofrida por Rodrigo da Silva Sobrinho, 17 anos, continuam sem solução.

Ele foi submetido a duas cirurgias e está acamado, não anda, perdeu totalmente a visão e parte da memória. Tudo por ter sido baleado por um policial, em Itanguá, Cariacica, no dia 18 de novembro de 2011, segundo informações da PM.  O rapaz voltava para casa, depois de um dia de trabalho, quando encontrou uma blitz policial acontecia no bairro.

Rodrigo ficou com medo e entrou em uma quadra onde havia várias crianças jogando bola, pulou o muro e acabou atingido pelo tiro. “Ainda não se chegou a uma conclusão sobre o fatoTudo que foge das características do cumprimento legal é apurado pela Corregedoria rigorosamente”, disse o comandante geral da PM.

A família do adolescente Andrew dos Santos, 14 anos, baleado por PMS, no dia 27 de fevereiro deste ano, em Jardim Tropical, na Serra. ainda não tem uma resposta das investigações.  “Ao que tudo indica, as investigações estão sendo encerradas. Com certeza levaremos à sociedade capixaba a resposta desse IPM (Inquérito Policial Militar)”, destacou o comandante.

Ele destacou que o Ministério Público está acompanhado o caso de Andrew. “Se houve falha de policiais eles serão punidos. Dentro de 20 ou 30 dias teremos a resposta”, informou Ronalt William.

A Polícia Militar também não concluiu, ainda, a investigação do transporte de um barril de chopedentro de uma viatura da corporação no dia 21 de dezembro de 2011.
O flagrante foi feito por um cinegrafista amador na véspera do Ano Novo, perto de uma maternidade, em Jardim Camburi, Vitória. 

“Essa investigação ainda não chegou ao fim. Tão logo seja concluída, a sociedade terá respostas desse caso. Procuramos as verdades. Às vezes, essa verdade demora a chegar, mas, chega”, retratou William.
 
 

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