Alhos e bugalhos

A “miríade heterodoxa” de Casagrande

O termo cunhado no título desta nota trata de duas palavras que significam, a primeira, quantidade imensa, abundância, e a segunda, aquilo que é díspar, conflitante. A expressão resume bem o que reúne a “arca da aliança” da coligação do ex-governador Renato Casagrande (PSB) na jornada que se inicia rumo às eleições de outubro. A uma semana do início da campanha, na ressaca do “tsunami das convenções”, ainda parece ilógico ver juntas tantas frentes que em nada se assemelham.

A “miríade heterodoxa” de Casagrande II

Basta dizer que, sendo hoje o principal adversário do governador Paulo Hartung, Casagrande tem debaixo do guarda-chuva da coligação majoritária o PSDB, do atual vice de Hartung, César Colnago. Além disso, abriga ainda o PSD, outro fiel hartunguista que há cerca de 15 dias liderou o movimento “Volta Hartung” e tem nos seus quadros Zé Carlinhos da Fonseca, ex-chefe da Casa Civil da gestão estadual.

A perna

Ambos (Colnago e Fonseca) vão disputar uma vaga de deputado federal, na coligação proporcional que reúne PSDB/PRP/SDD/PSD/DEM/PDT. O objetivo desta “perna” é reeleger Norma Ayub (DEM) e Sergio Vidigal (PDT), e ainda eleger mais dois nomes.

Efeito coligações

Esse “excesso de contradições” caminhando lado a lado é fruto do já batido sistema de coligações, que elege sem considerar apenas o número absoluto de votos recebidos por cada candidato, utilizando cálculos de proporcionalidade de acordo com as legendas que compõem as coligações. Uma matemática complicada, cuja “tabuada eleitoral” é mestre em somar conveniências, multiplicar chances nas urnas, dividir afinidades e diminuir o poder do eleitor.

Alhos e bugalhos

Sendo assim, não se surpreenda pelo fato de Zé Carlinhos da Fonseca ter marcado presença na nomeação do conselheiro de contas Rodrigo Coelho no Palácio Anchieta, ao lado de Hartung.

Alhos e bugalhos II

Ou se encontrar ele e demais membros da “miríade heterodoxa” ao lado de outros atores da cena política. Como aconteceu com uma fonte da coluna, que relatou ter visto Zé Carlinhos “em animadíssimo bate papo” com o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (do PRB que apoia Manato ao governo).

A encruzilhada de Anchieta

O município de Anchieta, no litoral sul do ES, vive o drama da paralisação das atividades da mineradora Samarco, que não deve ter um desfecho tão rápido, haja vista o tamanho do problema que envolve a suspensão das atividades (a tragédia do rio Doce). Sem luz no horizonte, a Câmara Municipal propõe voltar o olhar para o potencial turístico. O vereador Geovane Meneguelle (PSD) sugeriu à prefeitura a criação de um plano estratégico de comunicação e marketing para atrair visitantes. Já Renato Lorencini (PSB) propôs uma política de desenvolvimento do artesanato e a abertura de um espaço de comercialização dos produtos.

Troféu “pidona”

A vereadora Dona Arlete (PSL) entra em contato com a coluna para informar que o mandato dela foi “campeão” em número de demandas de obras e serviços feitas à ouvidoria de Vila Velha. De acordo com a vereadora, foram 1.235 de janeiro de 2017 até julho deste ano. O segundo mais “pidão” fez 410 solicitações, e o terceiro, 218 pedidos. E fiscalizações sobre os atos e o uso dos recursos públicos, foram quantos?

A novela da ferrovia

Neste novo capítulo, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou requerimento do deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES) convocando o ministro dos Transportes, Valter Casimiro Silveira, para prestar esclarecimentos sobre a transferência de investimentos com a renovação antecipada da concessão da estrada de ferro Vitória-Minas para a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico).

Esquisitice capixaba

Um dado revelador sobre o capixaba: somos os primeiros do país em ansiedade. Segundo a OMS, 9,3% da população do ES manifesta sintomas patológicos do Transtorno de Ansiedade. Também, com fim do Fundap, mudança nas regras de distribuição dos royalties do petróleo, retirada de investimentos na ferrovia Vitória/Kennedy, privatização do aeroporto de Vitória em bloco com o de Macaé, estiagem prolongada, malária…

Cinto apertado

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPCl) revelam que o número de consumidores com restrição no CPF cresceu 4,31% na comparação entre julho deste ano e julho de 2017. No total, representa 41% da população adulta no país.

Um leve suspiro

O levantamento divulgado por CNDL/SPC traz ao menos um dado otimista. Segundo as entidades, 44% dos empresários do varejo e de serviços estão otimistas com economia para o segundo semestre. É melhor ser alegre que ser triste.

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Alex Pandini é jornalista com experiência em TV e assessoria política. Atualmente, escreve para o Folha Vitória e vai responder pela coluna Bastidores durante os próximos dias.

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