O efeito perverso das coligações

Democracia que não elege quem tem mais voto

O sistema de coligações partidárias que vigorou até esta eleição provou mais uma vez ser antidemocrático, ferramenta a serviço dos conluios e conchavos, em detrimento da soberania popular. Para se eleger na chamada eleição proporcional, os candidatos necessitam do quociente eleitoral, que simplesmente cria um resultado a partir de uma equação matemática que calcula os votos dados diretamente ao candidato e os votos obtidos por toda a coligação. Ou seja, não basta ter muitos votos, é necessário fazer parte de uma coligação de partidos que obtenha mais votos do que outra. Um absurdo que felizmente chegou ao fim.

O estrago

Para se ter uma ideia de como essa aberração é danosa ao princípio da vontade da maioria, apenas 5,2% dos deputados federais eleitos em 2018 conquistaram uma cadeira na Câmara com os próprios votos. Todos os demais foram eleitos com o “empurrãozinho” dado pelo sistema de coligações.

Representação por maioria de votos

Portanto, não é exagero dizer que, em plena vigência do Estado Democrático de Direito no país, somente 27 dos 513 deputados federais foram escolhidos pelo critério da vontade da maioria. É um número ainda menor do que o de 2014 – resultado da elevação do pragmatismo ao extremo -, quando 36 parlamentares (7%) alcançaram o mandato por méritos próprios.

“Vítimas capixabas”

Aqui no ES, Neucimar Fraga (PSD) e Lelo Coimbra (MDB) foram “vitimados” pelo sistema de coligações e não conquistaram uma cadeira na Câmara, mesmo com votações superiores a Lauriete (PR) e Evair de Melo (PP). Na Assembleia, dos 30 deputados, 8 se elegeram “nas costas” da coligação. A partir de 2020, o sistema de coligações não vai mais existir.

Cláusula de barreira

Além de acabar com as coligações, a reforma eleitoral de 2017 ajudou também na luta pela redução do número absurdamente excessivo de partidos no país. Pela regra estabelecida, quem não obteve 1,5% do total de votos no país para a Câmara dos Deputados, ou não conseguiu fazer no mínimo um deputado federal em nove estados, não vai receber dinheiro do funda partidário, nem terá direito na partilha do tempo de rádio e TV. A decisão vale a partir de 2022.

Cláusula de barreira II

Estão nesta lista PCO, REDE, PMB, PATRIOTA, PHS, PMN, DC, PCdoB, PRTB, PSTU, PRP, PPL e PTC. Seguindo uma espécie de “lei biológico-política”, os partidos barrados já começam a se movimentar para fazer fusões que garantam a boquinha do Estado para sobreviverem. E quem paga essa conta somos todos nós.

Satisfeito com o resultado

Após a análise feita pela coluna das perdas e ganhos na eleição aqui no ES, o deputado federal e presidente do PSL capixaba, Carlos Manato – que concorreu a governador – entrou em contato para dizer que está satisfeito com o resultado das urnas, apesar de não ter conseguido se eleger. Além de ter conseguido chegar como o segundo mais votado, com cerca de 527 mil votos, o PSL é o partido que fez a maior bancada na Assembleia Legislativa, com 4 parlamentares.

Bancada federal e novos filiados

Manato enfatiza ainda que, além do PSL do ES ter eleito um deputado federal (Soraya Manato, a esposa dele) , a coligação (olha ela aí de novo!) conquistou três cadeiras na Câmara Federal (as outras duas são de Lauriete, do PR, esposa de Magno Malta, e de Amaro Neto, do PRB). Ele disse também que há uma “quantidade enorme” de pessoas buscando filiação pretendendo disputar as eleições de 2020 pela sigla. Manato afirma que a discussão sobre as eleições para vereador e prefeito começarão a ser feitas depois do carnaval do ano que vem.

Ficha limpa

O presidente do PSL diz ainda que, até lá, a direção estadual vai definir critérios para aceitar novas filiações de futuros candidatos, mantendo o compromisso de que nenhum “ficha suja” integre o partido. Em nível nacional, o salto do PSL foi meteórico, de 8 para 52 deputados federais. O partido tem ainda a chance de conquistar o governo de Santa Catarina, com a ida do Comandante Moisés para o segundo turno. Ele disputa com Gelson Merísio (PSD). Com 51 anos de idade, Carlos Moisés da Silva é coronel reformado (aposentado) do Corpo de Bombeiros catarinense.

Bem votado

Outro do PSL que, mesmo lamentando não ter ido mais longe, pode se considerar feliz pelo resultado obtido é o Subtenente Assis, que disputou vaga ao Senado. Basta lembrar que, em 2016, ele teve pouco mais de mil votos para vereador. Noves fora os cargos serem bastante diferentes, é de se considerar que ele tenha saído do pleito com cerca de 247 mil votos, sendo 30 mil somente em Vila Velha, onde tem reduto. Aumentou muito o capital eleitoral e pode sonhar com voos maiores. Na opinião da coluna, além do fator Bolsonaro, Assis teve poder de convencimento, soube colar o nome no projeto do partido, e fez uma campanha com custo benefício pra lá de excelente, já que gastou pouco mais de R$ 11 mil.

Dilmês

Essa é nacional, mas vale como reflexão geral. A julgar pela fala estrambótica feita recentemente pela ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira, Leila, eleita senadora pelo Distrito Federal, não basta ser de um partido de esquerda nem conhecer vários países para se tornar alguém com mais conteúdo e informação. A entrevista da futura senadora do PSB/DF, na rádio Jovem Pan, está viralizando nas redes sociais. E revelou o total desconhecimento de Leila a respeito da situação da previdência, além de ignorância quanto ao vernáculo. Ela usou o termo “em detrimento” querendo dizer, na verdade, “em favor” ou “em benefício”. Assim fica difícil. Em tempo: ela foi eleita a primeira senadora mulher do Distrito Federal e teve a maior votação no pleito, pegando “de voleio” 17,8% do total de votos.

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Alex Pandini é jornalista com experiência em TV e assessoria política. Atualmente, escreve para o Folha Vitória e vai responder pela coluna Bastidores durante os próximos dias.

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