18/6/2008 às 20h16 - Atualizado em 18/6/2008 às 20h30

Gravação envolve prefeita de Fundão em fraude licitatória

Folha Vitória
Redação Folha Vitória

Foto: Divulgação
A Promotoria de Justiça de Fundão ingressou com ação civil pública por atos de improbidade administrativa em desfavor da prefeita do município, Maria Dulce Rudio Soares, em função de fraude em licitação pública que tinha por objetivo a prestação de serviços de recarga de cartuchos e remanufaturados de toner. Também são requeridos na ação a agente de saúde do município de Santa Teresa Katieli Caser Niero e o funcionário público de Fundão Diego Poltroniere Nascimento.

Na ação civil pública, a promotoria requer, entre outros pedidos, a concessão de liminar de indisponibilidade dos bens de Maria Dulce e de Diego, bem como o afastamento da prefeita do cargo que exerce.

Segundo apurou o Ministério Público, Diego era funcionário público do município de Fundão, fato que o impedia de participar das licitações municipais. Por essa razão, ele teria pedido à amiga Katieli que emprestasse sua identidade civil para que ele pudesse participar de um processo licitatório da prefeitura relacionado aos serviços de recarga de cartuchos e remanufaturados de toner.

Katieli aceitou o convite, Diego venceu a licitação e o contrato de prestação de serviços foi celebrado entre Katieli e a prefeitura. Ao ver o contrato, no valor de R$ 60 mil, publicado no Diário Oficial, uma pessoa teria alertado a agente, que é bolsista em uma faculdade de Aracruz, sobre a possibilidade de o fato vir a gerar algum tipo de problema para ela, já que a mesma havia declarado ser pobre para conseguir a bolsa de estudo.

Diante do fato, a agente procurou o Ministério Público e denunciou o esquema.
Os cheques pagos pela prefeitura à Katieli eram endossados por ela a Diego, que depositava os valores em sua conta ou sacava diretamente no caixa do banco. Em depoimento, Katieli disse que Diego lhe informou que a prefeita tinha conhecimento da fraude. Esse assunto chegou a ser mencionado em conversa gravada por Katieli.  

O áudio foi entregue na noite desta quarta-feira à Central Integrada de Jornalismo da Rede Vitória. Confira o trecho em que o funcionário confirma que a prefeita sabia do esquema fraudulento de licitação:

Katieli: Eu fui conversar com o delegado, aí ele me falou assim: Katieli, [initeligível] fazer uma delação premiada para ele e para você. Seria um perdão, para mim e para você. Não pagaríamos por nada. Porque, eu fiquei muito preocupada... Você deve estar também, não está?
Diego: Claro.
Katieli: Só que para isso ele vai ter que te escutar e o seu depoimento tem que ser igual ao meu. Porque eu não menti em nada no meu depoimento, eu menti?
Diego: Não.
Katieli: Você viu tudo o que eu falei. Não te contei tudo? Aconteceu porque você me procurou por amizade, que eu não recebia nada em troca, que Maria Dulce sabia disso... E você falou o que? Falou que ela sabia...
Diego: Aham... Ela sabe.

A equipe de reportagem do Folha Vitória tentou entrar em contato com a prefeita, mas ela não atendeu às ligações feitas ao celular dela.

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