3/8/2011 às 20h30 - Atualizado em 4/8/2011 às 7h27

Prefeito de Fundão se defende e diz que gravação sobre compra de sentenças é falsa

TV Vitória
Redação Folha Vitória

Foto: Reprodução TV Vitória
Após 56 dias longe do cargo, o prefeito de Fundão, Marcos Fernando Morais, foi reempossado nesta quarta-feira (03). Investigado pelo Ministério Público Estadual por liderar um suposto esquema de fraudes em licitações, ele retoma a administração da cidade amparado por uma decisão do Tribunal de Justiça. O vazamento de uma interceptação telefônica divulgada pela TV Vitória o motivou a falar pela primeira vez.

Na gravação, uma mulher que seria esposa do prefeito fala sobre uma articulação que garantiria a permanência do marido no cargo. A mulher sugere que isso seria possível por meio da compra de uma decisão judicial. O prefeito nega a veracidade da história e afirma que a gravação é falsa. 

"Tenho certeza de que são falsas, inclusive a minha esposa sempre me chama como Marcos e nunca como Marquinho. Acho que fizeram isso por política, para me tirar do poder. Estão querendo me tirar de qualquer forma. Sou uma pessoa simples e querem me destruir politicamente. Nem conheço o desembargador que me colocou novamente no cargo. Só sei dizer que ele é uma pessoa muito honesta pelo que as pessoas falam".

A esposa do prefeito que foi apontada como uma das participantes da conversa também se defendeu. "Essa é uma coisa absurda, eu jamais ia fazer uma coisa dessas. Aquela voz não é minha. Fiquei muito triste porque estão ofendendo a minha moral. Se eu tivesse feito aquela gravação, eu falaria porque sou honesta em tudo o que faço", esclareceu Ilza Maria Morais.

O advogado Rodrigo Mazzei acredita que a decisão que levou o prefeito de volta ao cargo foi acertada. Segundo ele, o tempo de afastamento já teria sido suficiente para a conclusão de qualquer investigação.

"Ingressamos com um recurso de agravo de instrumento e entre a data de afastamento e a decisão correram 56 dias, ou seja, tempo mais que suficiente para a colheita de qualquer prova que houvesse contra a adminitração ou uma má gestão. A decisão basicamente diz que não há mais motivo para esse afastamento cautelar. Para você ver a seriedade do meu cliente, em uma parte a decisão judicial manteve a indisponibilidade dos bens. Meu cliente, através de uma carta, me pediu para não recorrer por ora dessa questão porque deseja mostrar para a população que ele não deve nada e efetivamente está sendo perseguido politicamente".       

Gravação já era conhecida

O presidente da Associação dos Magistrados, Sérgio Ricardo de Souza, disse que já tinha ouvido falar das gravações antes da divulgação. "Chegou aos meus ouvidos em tom de ameaça ao poder judiciário, de uma forma de intimidar o poder judiciário na hipótese de o Tribunal julgar algum recurso, para estar atento porque tinha uma gravação que poderia comprometer algum membro do Tribunal".

No entanto, ele não acredita na veracidade do que é falado na gravação. "Não há nenhuma interceptação de conversa de alguém da magistratura ou algum agente público. O que há é  a conversa dessa suposta senhora com terceiros. Qualquer advogado ou pessoa do meio jurídico que conhece o desembargador sabe que ele jamais envolveria o nome dele nesse tipo de atitude ilícita".

Ricardo de Souza afirmou ainda que o vazamento da interceptação pode ter cunho político. "Em qualquer situação política sempe há um, dois, três grupos. O que prejudica um, ajuda o outro. Então, esses grupos são interessados".

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