Advogado que tem escritório em Vitória é preso acusado de subornar procurador

Ele é acusado de tentar atrapalhar as negociações de delação premiada do empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS. O procurador teria o ajudado

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O advogado foi preso pela PF Foto: Reprodução

O advogado Willer Tomaz foi preso pela Polícia Federal acusado de subornar o procurador da República Ângelo Goulart Villela. Tomaz, que tem escritório na Enseada do Suá, em Vitória, queria que Villela interferisse na Operação Greenfield, que investiga irregularidades nos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ e Postalis. Além disso, a ideia também seria atrapalhar o processo de negociação da delação premiada do empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS.

Por conta disso, na manhã da última quinta-feira (18), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou uma mensagem aos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) em que confirmou ter pedido ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão preventiva do procurador Ângelo Goulart Villela, preso na manhã de quinta-feira. Janot também pediu a prisão preventiva do advogado.

“As prisões preventivas foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas”, justifica-se Janot na mensagem, alegando que a nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada esta manhã, “tem um gosto amargo para o MPF". Segundo o procurador-geral, os pedidos de prisões de Vilela e de Tomaz estão “embasados em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada”.

Além da prisão de Villela, Janot determinou sua imediata exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e revogou a participação do procurador na força-tarefa do caso Greenfield.

A prisão de Vilela foi executada por agentes federais acompanhados por dois procuradores regionais da República. Policiais federais também apreenderam documentos em endereços ligados a Villela – inclusive no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde ele trabalhava.

“A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação será demonstrada no curso do processo perante juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais”, assegura Janot, confirmando que Villela e Tomaz são investigados por tentativa de interferir nas investigações da Operação Greenfield e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista, dono do grupo JBS.

Na quarta-feira (17), o jornal O Globo noticiou que, em delação premiada, Joesley Batista gravou uma conversa em que o presidente da República, Michel Temer, sugere que fosse mantido o pagamento de uma “mesada” ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que eles ficassem em silêncio sobre suspeitas investigadas pela Operação Lava Jato envolvendo integrantes do governo e políticos da base. 

Por meio de nota em seu site, o escritório Willer Tomaz Advogados Associados confirmou o cumprimento de medida de busca e apreensão em Brasília. Quanto ao ocorrido, esclareceu que a advocacia é uma profissão que visa a proteger o Estado de Direito e por estar relacionado com combate para assegurar garantias individuais dos cidadãos está sujeita a acusações injustas. Os fatos noticiados na mídia serão devidamente esclarecidos no curso das investigações. 

Atestou ainda que não foram comprometidos documentos dos clientes, pois a medida foi restrita a poucos arquivos relacionados com as investigações. Disse também que a atividade do escritório já voltou à normalidade e toda a equipe está empenhada em dar cumprimento às audiências e prazos. Assegurou que não haverá nenhum prejuízo nas atividades desempenhadas pela equipe. 

Com informações da Agência Brasil.

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