Jornal Online Folha Vitória
Vitória, 19 de
Outubro de 2017
Compartihe:
Encontre no Folha:  
 
Classificados Geral Polícia Política Economia Vídeos Entretenimento Esportes Social
23/08/2010 às 18h11

O Gosto Pela Comida Vem de Berço


 

Por Carolina Viana Correa Coimbra de Sousa

A formação dos hábitos alimentares começa durante a amamentação, uma vez que alguns compostos que dão sabor a alimentos como hortelã, alho e baunilha estão presentes também no leite humano, o que possibilita o aprendizado precoce da criança à cultura alimentar materna.

Ao reconhecer os sabores do aleitamento na fase da introdução de novos alimentos, que deve ser entre 6 meses e 1 ano, a criança terá uma maior probabilidade de aceitação das novas refeições, o que não significa que essa seja uma tarefa fácil. A diferença de textura e consistência provoca nos pequenos uma relutância em consumir alimentos da primeira vez que os experimentam, podendo ser necessário oferece-lo várias vezes. O  recomendado é tentar de 8 a 10 vezes!!! O que exige muita paciência dos cuidadores.

Diante de muito cansaço, e choro, algumas mães optam por um artifício muito deletério, que é introduzir açúcar nas papinhas de frutas. O nosso paladar é muito mais receptivo a sabores adocicados, entretanto deve-se evitar o açúcar até um ano de idade, acostumando a criança ao “doce” natural dos vegetais, evitando o hábito de consumir calorias vazias (com poucos ou nenhum nutriente).  

Outro grande complicador é que a maioria dos pais utiliza a tática do “faça o que digo, mas não faça o que faço”, ou seja, querem convencer o filho a comer alimentos que nem passam perto do próprio prato. Instantaneamente acende um sinal de alerta no inconsciente: “Se meus pais são meus heróis e sabem tudo, devo ser como eles!” – ou seria no consciente?:  “Se fosse tão necessário para a saúde e gostoso, todos estariam comendo!”. De qualquer forma, essa conversa não “cola” com ninguém, muito menos com criança.

Quando chega a idade em que a criança adquire maior autonomia para escolher o alimento no armário e na geladeira, o que ela irá encontrar determinará definitivamente seus hábitos. Pouco irá adiantar uma frutinha perdida aqui ou ali em meio há muitos produtos industrializados, cujas propagandas já determinam que são “gostosos”, “divertidos” e “necessários” para a saúde – precisamos nos lembrar que, em média, as crianças brasileiras assistem cerca de 5 horas de televisão por dia, mesmo tempo dedicado a escola – além de serem ricos em açúcar e/ou glutamato, substâncias que literalmente viciam o paladar.  

Obviamente, nunca é tarde para mudar, mas cada ano de comportamento alimentar inadequado significa uma batalha a mais a ser vencida quando, no futuro, as consequências dos chips, biscoitos recheados e refrigerantes baterem na porta da casa de nossas crianças (já não tão crianças assim).

*Carolina Viana Correa Coimbra de Sousa é mestre em Biotecnologia, nutricionista da Secretária Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Vitória e trabalha com educação nutricional de crianças.



O casal de fotógrafos Pierre Javelle e Akiko Ida estudava fotografia, no campo das artes decorativas na Escola de Artes de Paris, quando decidiram investir em suas preferências na profissão. Akiko gostava também de gastronomia, e Pierre especialmente de fotografia e ilustração. Ao mesclarem seus gostos desenvolveram uma nova forma de fazer arte, o “minimiam”. Nessa perspectiva de criação os fotógrafos se utilizam de comidas e mini-bonecos para representarem cenas que mostrem aspectos da vida cotidiana de diferentes ângulos e cenas.

Se pensarmos afotografia de Javelle e Ida como produção artística, teremos um fazer que se utiliza do alimento como foco principal na confecção de ambientes que associaremos com alguma de nossas experiências de vida. O ato de fotografar possibilita uma sensação de “eternidade” para um determinado momento. Com isso desenvolvemos uma extensão simbólica do acontecimento registrado, ou seja, com a fotografia trazemos à memória um acontecimento, e recordamos afetuosamente do mesmo.



Que apesar da preocupação com a compra de alimentos saudáveis pode-se acabar levando para casa ingredientes prejudiciais à saúde?

Hoje, com a quantidade de guloseimas disponíveis para consumo, ler todos os rótulos e analisar cada item passou a ser o desafio de uma simples ida ao supermercado. A preocupação é ainda maior quando são as crianças e os adolescentes que consomem o que os adultos escolhem comprar. Assim, lidar com a propaganda enganosa de alguns produtos alimentícios tornou-se algo comum. É o que demonstra uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (unifesp) e pelo Instituto Alana, que tem um projeto denominado Criança e Consumo.

O estudo comprovou diferenças entre o que estava escrito na embalagem de um determinado achocolatado com o que continha dentro da mesma, que trazia no rótulo a informação “rico em fibras” por supostamente conter cereal. A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contudo, estabelece quantidades mínimas de um ingrediente para que o mesmo possa constar na embalagem do produto. No caso analisado, o produto não atingiu os parâmetros da Anvisa, que seria de 3g de cereal para cada 100g de achocolatado. Além disso, em apenas ¾ de xícara pôde-se detectar 30% da recomendação diária de sódio. Ou seja, as crianças e adolescentes não tomam somente ¾ de xícara de achocolatado por dia, aumentando em muito o risco para a saúde destes.




Transtornos relacionados à resistência alimentar, como a anorexia nervosa, podem ser acarretados por influência familiar ?

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar que tem sua principal característica na magreza excessiva, onde a pessoa anoréxica não tem a real noção da sua imagem corporal acreditando estar muito mais gorda do que na verdade está. Diversos fatores podem levar ao aparecimento do transtorno: predisposição genética, alterações neuroquímicas, pressão social e familiar, influência da mídia.

Um recente estudo apontou um novo fator que influência o aparecimento da anorexia. O trabalho foi feito pela psicóloga Christiane Baldin Adami Lauand em sua dissertação de mestrado. A psicóloga pesquisou mães de adolescentes com anorexia nervosa que frequentaram o grupo de apoio psicológico aos familiares do Grupo de Assistência em Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP (GRATA – HCFMRP-USP) – no ano de 2008. O resultado da pesquisa demonstrou que a maioria das mães de pessoas que apresentam anorexia tiveram também no passado algum problema relacionado à comida em sua história de vida, ou não puderam se alimentar por dificuldades financeiras ou  restrição auto imposta.

O estudo mostrou que as genitoras, como forma de compensar essa “falta”, tentaram mudar essa história ao se tornarem mães, oferecendo comida em abundância ás suas filhas. Entretanto, num determinado momento, as filhas passaram a não aceitar essa comida em excesso, restringindo demasiadamente o consumo de alimentos. Isso nos diz que algo na história da mãe em relação à comida, se perpetua por toda a sua vida e se repete na história da menina. Outro ponto importante do estudo foi perceber a forte ligação entre as duas gerações em relação à doença, durante a crise é comum a mãe reviver suas experiências alimentares a ponto de adoecer junto com a filha.

Os conteúdos emocionais que se apresentam nesta relação entre as duas gerações podem ser revelados a medida que é feito um tratamento psicológico com as partes envolvidas. É sabido que o alimento não tem somente a função de suprir as necessidades fisiológicas, mas está repleto de significados psicológicos e afetivos, presentes nos convívio e na criação da mãe para a filha. A importância de um estudo como esse é levar em consideração esses elementos desencadeadores do transtorno que estão sendo repassados por gerações, sendo possível percebê-los, compreendê-los e não mais repeti-los, aprendendo com a história e mudando o futuro para um novo rumo mais saudável e feliz.




Alimentação inadequada e o comportamento infantil

Todos nós conhecemos crianças que são bagunceiras, inquietas e extremamente agitadas. Muitas vezes esse tipo de criança passa a ser vista na escola como uma “criança problema” ou como portadora do “TDAH” (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), o que muitas vezes pode acarretar uma série de problemas tanto na percepção dos professores sobre a criança como nas possibilidades de tratamento. Uma vez que esse excesso de energia e falta de foco nem sempre revele um transtorno real.

Uma pesquisa coordenada por Jim Stevenson e demais pesquisadores da Universidade de Southampton, localizada no Reino Unido, investigou cerca de 152 crianças de 3 anos e 144 de 8 anos de idade da seguinte forma: durante 6 semanas elas não ingeriram nenhum alimento com aditivos. Depois desse período as crianças foram divididas em dois grupos, um consumia diariamente sucos com corantes produzidos a partir do benzoato de sódio e o segundo grupo consumiu o mesmo tipo de suco, com exceção do corante. Entretanto, é válido lembrar que os dois tipos de suco tinham sabor e aparência muito próxima.

Entre esses períodos de observação notou-se que as crianças do grupo que haviam ingerido o suco com o corante manifestaram comportamentos típicos de crianças portadoras de TDAH, diferentemente das que não beberam. Então poderíamos dizer que a alimentação é fundamental para a formação dos comportamentos.




Em Família, a Melhor das Refeições!

Durante toda a infância, até a entrada na adolescência, a criança tem nos adultos que cuidam dela um modelo de conduta, e é principalmente na família que ela busca aprender formas de interagir com o mundo. Sendo assim, os hábitos de figuras familiares importantes como pai e mãeacabamse tornando um padrão de referência para o comportamento infantil. Curiosamente, um dos comportamentos infantis mais diretamente influenciado pelos cuidadores é também um dos que mais gera aborrecimento em ambas as partes: a alimentação! Para que os pais sejam um exemplo positivo para os filhos à mesa é válido atentar para alguns fatores:

- Os pais devem evitar fazer do momento da refeição uma extensão do próprio estresse emocional. Comer com pressa compromete a correta assimilação dos nutrientes pelo corpo e favorece o acúmulo de gorduras. Se a criança se acostuma a um ambiente de correria na hora de se alimentar, ela pode desenvolver uma relação negativa com a comida, associando-a a emoções e sensações desagradáveis como ansiedade,tensão, indigestão, azia, etc.

- Os pais não devem esperar que seus filhos comam o que eles não comem, seria injusto. Como exemplo de conduta para o comportamento dos filhos, os pais devem priorizar a ingestão de alimentos saudáveis e em horários regulares, se esperam que seus filhos façam o mesmo. Se mamãe por conta da dieta come uma sopinha ao longo de um dia, como exigir do filho que faça uma refeição completa? Se o irmão mais velho belisca “porcarias” a toda hora como negá-las aos menores? Se papai repete o prato três vezes e se entope de frituras como fomentar a saúde da criança que corre o risco de tornar-se obesa?

- Prioritariamente, os pais também devem ter em mente que a hora da refeição é tão importante para a saúde emocional da família quanto é para a física. É o que atestam osestudos na área de comportamento alimentar, uma vez que as rotinas e rituais que envolvem as refeições familiares à mesa ampliam o tempo de convivência entre pais e filhos. O que, por sua vez, possibilita maior conhecimento mútuo e troca de experiências, formação ampliada da identidade pessoal e maior sensação de retaguarda social. Todos esses benefícios obtidos nas refeições em família, portanto, favorecem maior segurança na hora de se relacionar com o mundo exterior.

O Papeando Com a Psicologia é um grupo de divulgação do conhecimento psicológico, sediado em Vitoria/ES. Além da coluna de Bem Com a Vida, organizamos encontros mensais abertos ao público em geral para o debate de temas do cotidiano e um blog com textos de refrência para os debates. O grupo é formado pelos acadêmicos de Psicologia Marcela Pimenta Pavan, Lenita Noé e Felipe Salles, sendo coordenado pela Psicóloga e Professora MSc. Angelita Scardua



 

Publicado por 5 Comentários







 RSS
Cadastrar RSS desta coluna




%midia_super_banner%

4Ps Agência Digital agência digital 2007 - FOLHA VITÓRIA - Todos os direitos reservados - Anuncie - Expediente - Cadastro - Fale Conosco - Política de Privacidade - RSS