O Oi Vitória Pop Rock não é somente um grande evento de música que agita as noites de Vitória há oito anos. É um evento da terra, produzido por quem conhece muito bem a cidade. E, por isso mesmo, produzido com uma atenção especial. Não é à toa que traz sempre atrações de peso e um ambiente descolado, com direito a boate e efeitos especiais. Em uma entrevista exclusiva, o empresário Marcus Buaiz fala dos desafios e prazeres de se debruçar sobre um projeto que será desfrutado pelos conterrâneos. E revela curiosidades da produção e da escolha das atrações. Quem sabe Wanessa não estará na lista de convidados da próxima edição? Bom, certamente, ele sabe. Marcus ainda revela que tem planos para o Espírito Santo: se depender dele, Vitória ganha uma franquia do Shaya, o restaurante de comida japonesa dele que é sucesso em São Paulo.
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| Marcus Buaiz fala sobre o Oi Vitória Pop com exclusividade ao Folha Vitória |
Confira a entrevista na íntegra:
Folha Vitória - O Oi Vitória Pop Rock é direcionado a um público jovem, que tem tendência de mudar de gostos musicais com muita frequência. Como é escolher as atrações certas para o evento?
Marcus Buaiz - Normalmente, nós trabalhamos com pesquisas para chegarmos ao gosto do público. Mas, infelizmente, a renovação do mercado pop/rock tem sido muito pequena nos últimos dez anos. Então, você tem sempre as mesmas bandas. No Espírito Santo, especificamente, duas bandas são fenômenos de aceitação: Jota Quest e O Rappa. O difícil é colocar as duas no mesmo evento, os custos são bem altos. Ainda mais com a estrutura que estamos propondo, com mais de 12 horas seguidas de música.
Folha Vitória - Esse evento se diferencia na proposta. Há uma atenção especial na preparação do ambiente, com efeitos especiais e até uma boate. De onde surgiu esse conceito?
Eu costumo produzir eventos em que eu gostaria de ir. Vou a muitos eventos, todas as semanas. Vejo muitos shows, festivais e vejo que realmente a gente pode fortalecer. Mas nem sempre essa é a cabeça dos empresários, sempre excessivamente preocupados com os custos. Já eu, prefiro apostar na melhora infra-estrutura, mesmo que isso me faça ganhar menos. Meus projetos são assim. Infelizmente, não temos uma área como dispunhamos no passado, na Praça do Papa, há oito anos, quando começou o Oi Vitória Pop Rock. Quando você tem um espaço que cabe mais pessoas, consegue fazer um evento melhor. E Vitória carece de uma casa de shows apropriada. A vantagem de fazer no Álvares Cabral é por ser um local indoor, que nos tira a preocupação da chuva.
Folha Vitória - Um evento como esses está sempre passando por adaptações e adequações. Quais são as novidades do Oi Vitória Pop Rock deste ano?
Marcus Buaiz - No ano passado, por exemplo, eu quis fazer em três dias. Depois fizemos pesquisas e as pessoas preferem um dia só mesmo. O evento que toma todo o final de semana, com atrações para os três dias, já é um formato que funciona muito bem no Brasil. As pessoas optam por ter um final de semana todo de evento. Mas pelas pesquisas que fizemos em Vitória, as pessoas preferem que seja tudo junto. Então, será assim neste ano.
Folha Vitória - Vitória é uma capital com contingente habitacional consideravelmente menor do que as outras do Sudeste. E acaba tendo uma oferta de atrações culturais menor. Você considera um desafio promover um evento como esse por aqui?
Marcus Buaiz - É preciso mudar a mentalidade do poder público em geral - deixando claro que não estou me referindo a um governo ou outro. Eu acredito que um evento de entretenimento faz parte do turismo. É uma forma de divulgar o Estado fora. E para fazer eventos no Estado com essa magnitude, levando pessoas de fora e tendo mídia nacional, é preciso ter muito apoio. As taxas nas cidades do Espírito Santo são as mais caras do país. Então, você precisa de um patrocinador para ajudar a diminuir o investimento. Eu sou empresário, vivo disso, acredito nisso e vou continuar fazendo. Mas vejo que, em outros lugares, se tem mais facilidade e uma receptividade maior para coisas dessa magnitude.
Folha Vitória - Sempre antes de sair a lista de atrações do Oi Vitória Pop Rock os fãs da Wanessa ficam na expectativa de vê-la entre os convidados, já que, além de marido, você é empresário dela. Mas isso ainda não aconteceu. Há alguma possibilidade para o futuro?
Existe sempre. Ela é a primeira convidada (rs). Neste mês, ela está muito voltada para a preparação de três grandes projetos da carreira dela. Outubro vai ser um mês muito importante para ela. Então, a Wanessa está com o tempo curto. Até eu estou com dificuldade de encontrar com ela (rs). Tem a gravação do novo clipe, com uma cena de dança de rua que tem exigido muitos ensaios; tem o VMB, ela é a atração principal do evento da MTV deste ano, com o Já Rule; e no final do mês tem o Oi Fashion Rock, que é um evento muito interessante que mistura moda e música e vai contar com a participação de grandes estrelas como Mariah Carey e Pharrell Williams. Então, ela está comprometida com esses eventos. Ela gostaria de ir a Vitória para o Oi Vitória Pop Rock, mas com um show especial. E isso ficaria inviável nesse momento. Quem sabe em um próximo ano ela não me concede essa honra? (rs)
Folha Vitória - O Oi Vitória Pop Rock abre espaço para bandas novas. São pelo menos duas que vão se apresentar. É uma grande oportunidade para elas. De onde surgiu essa idéia?
Marcus Buaiz - É uma oportunidade sem igual, de tocar para um público grande ao lado de grandes bandas do cenário atual. Quem trabalha comigo sabe que eu acredito muito no novo. Quantas bandas eu vi começando pequenas e chegando aonde chegaram? É uma pena que a maior parte dos eventos no Brasil não dê essa oportunidade.
Folha Vitória - Marcus, você é proprietário de dois restaurantes e de uma boate de sucesso, mas todos fora do Espírito Santo. Os capixabas podem esperar o lançamento de algum empreendimento administrado por você aqui no Espírito Santo?
Marcus Buaiz - Eu preciso confessar uma coisa: até hoje, o evento que mais me dá adrenalina, é o Vitória Pop Rock. Justamente por ser no Espírito Santo. Eu nasci em Vitória, amo meu Estado, apesar das pessoas, infelizmente, não darem muito valor às coisas daí. Mas como eu sou muito teimoso, eu continuo fazendo. Tem uma coisa muito sentimental nisso. O meu restaurante japonês, o Shaya, em sociedade com o Faustão, vai abrir projetos para dez franquias em 2010. É minha vontade ter uma delas em Vitória. O Shaya combina muito a cidade. Você pode comer uma bela comida japonesa ouvindo o show de um bom DJ em altura adequada, nada de som de boate. Comida japonesa e noite combinam em tudo. A comida japonesa é uma comida leve. Eu sempre que vou a Vitória sinto que ainda há espaço para um restaurante com esse perfil e para uma boate.
Folha Vitória - Qual é a visão que você tem, como empresário e capixaba, do momento que vive o Espírito Santo?
Marcus Buaiz - O Espírito Santo é o lugar mais bonito do Brasil. E eu posso dizer isso com propriedade, porque eu conheço o Brasil inteiro. Mas falta auto-estima. Não voto no Estado há dez anos e vou votar nesse ano que vem, mas vou votar porque acredito em um nome, que é Ricardo Ferraço. Eu nunca declaro voto, mas esse eu declaro. Acho ele um homem sério e trabalhador. E acho o nome certo. Nós temos uma culinária imbatível, temos praias lindas... Acho que chegou a hora do Espírito Santo, mas depende muito das pessoas darem as mãos e lutarem juntas. Eu levo as pessoas para o Espírito Santo e vejo elas embasbacadas com Vitória. As pessoas não conhecem. Quando a gente fala que é de Vitória, imediatamente elas associam a Vitória da Conquista.