Foto: Divulgação
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"Tudo ao mesmo tempo agora". Se existe uma frase que possa definir a banda mineira que ganhou o Brasil e o mundo com uma sucessão de hits, esta pode ser uma das que melhor represente os meninos do Jota Quest, que se apresentam nesta sexta-feira (18) no Estado, dentro do Oi Vitória Pop.
Envolto ao liquidificador de ideias, ritmos e sons que fazem a identidade da banda, o tecladista Marcio Buzellin deixou as notas um pouco de lado e bateu uma papo com a reportagem do Folha Vitória.
Dentre um assunto e outro e algumas risadas, Marcio falou sobre o sucesso do grupo no país, da forma como os integrantes gostam de modificar o som que produzem a todo momento e das críticas que a banda já recebeu pelas músicas de forte apelo popular. O músico também deu uma dica sobre como será o show no Álvares Cabral e ainda pediu músicas "fáceis" para qualquer "artista receoso" de gravar. Insegurança passa longe do Jota Quest.
Folha Vitória - O La Plata já tem um ano de estrada. Depois desse tempo, com as apresentações, pintou alguma ideia diferente para o álbum? Deu vontade de mudar alguma coisa?
Jota Quest - É incrível, mas assim que entregamos os nossos CDs - nunca terminamos, mas entregamos (risos) - sempre ficamos pensando que poderíamos mudar isso ou aquilo. Colocar aquela música, ou mudar a velocidade daquela outra, etc e etc. É uma loucura... Somos muito workaholics e nessa entrega total e dedicação, acaba acontecendo isso. Mas uma coisa é bem relevante: assim que a banda sai para estrada para tocar ao vivo aquele álbum recém gravado, mudamos naturalmente alguns detalhes, pois o feedback do público nos ajuda nisso, coisa que dentro do estúdio você não tem. Aquela energia do ao vivo, né?
FV - E o show? Vocês se apresentaram em Vitória logo no começo da turnê e agora retornam para o mesmo evento. Que diferenças vocês consideram que os capixabas irão identificar?
JQ - Somos uma banda que se renova artisticamente sempre e isso é natural e espontâneo nosso, o show vai mudando, sincronizado com essas nossa vontade de sempre nos superar. Acho que a galera vai ver um show mais afiado, com conteúdos de telão melhores, enfim, se voltarmos daqui a um ano de novo, vai estar diferente de novo, não tem jeito.
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FV - Na época de lançamento do CD, vocês causaram burburinho por disponibilizarem as músicas no MySpace. Como está a relação da banda com a web agora?
JQ - Tem muita coisa para fazer ainda. Acho essa ferramenta fantástica ajuda muito em vários sentidos. Humaniza mais a banda, abre novas vertentes de mídia, aproxima demais o público, temos mais possibilidades de mostrar e falar mais coisas, sofistica o marketing, enfim, não só a internet, mas o móbile tem uma forca cada vez maior entre o artista, seu trabalho e o público. Ainda queremos e vamos explorar muito isso.
FV - Vocês são uma "usina de hits" e, por conta disso, às vezes são criticados pelas músicas de fácil apelo. A banda se preocupa em fazer uma música "para todo mundo cantar junto" ou é algo natural? O acesso de todos os públicos é uma preocupação?
JQ - Absolutamente nos incomoda ser pop, pelo contrário, até porque somos pop por consequência e não por causa. As composições nunca foram corrompidas por esse tipo de pensamento. Somos extremamente espontâneos com nossas criações e composições. Nos damos ao direito de experimentar o novo. E isso é tanto verdade, que desde o nosso primeiro cd, mais de 250 mil cópias vendidas na época, tivemos uma aceitação muito forte, felizmente. E nem por isso continuamos forçando aquele mesmo estilo. Estamos sempre nos desafiando e correndo riscos com as mudanças. Temos músicas extremamente diferentes umas das outras e mesmo assim tem uma identidade. E realmente é incrível como nosso público é diversificado, talvez porque não levantamos uma bandeira específica ou nunca seguimos sempre um mesmo estilo, estigmatizando a banda. E sinceramente, se tem algum artista receoso de gravar alguma música com o poder de fogo da nossa "Fácil" por ser taxado disso ou daquilo, se quiser dar pra gente, nós gravamos com o maior prazer (risos).
FV - O Jota Quest já teve uma pegada mais Soul, passou por uma fase rock e hoje mescla com o eletrônico. Quais são as influências da banda atualmente?
JQ - É isso tudo e mais um pouco. As coisas vão somando e somos cinco que interferem demais em tudo. Acaba assim, tudo ao mesmo tempo agora. Mas as músicas já costumam nascer com certa "demanda" por algum arranjo. É só prestar atenção e seguir o caminho natural dela. Além disso, gostamos de ouvir muita coisa variada e gostamos também de prestar atenção nas coisas novas que sempre surgem. É divertido e geralmente aparece alguma banda nova ou artista que surpreende por inovar. Gostamos das inovações... Mas nem todas, né?
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FV - Qual a principal diferença da J. Quest (início da carreira) e do Jota Quest, depois de tanto tempo de estrada?
JQ - Know how, sem dúvida. Amadurecemos bastante artisticamente e como pessoas também, mas estamos sempre achando que tem alguma coisa para acontecer e ficamos
com aquela sensação que estamos começando tudo de novo.
FV - Se vocês pudessem escolher uma música que definisse a banda, que fosse a cara do Jota Quest, qual seria?
JQ - Impossível ao meu ver, pois como já disse, mudamos sempre.
FV - A banda já tem um novo projeto? Qual seria?
JQ - Estamos gravando um cd em espanhol para ser lançado no mercado latino (começando na Argentina e depois partindo para o Chile, México e etc). Outros vários projetos estão em fase de construção. Talvez um DVD dessa turnê, mas tudo tem a sua hora certa e aprendemos a perceber isso e usar ao nosso favor.