Audi bate recorde de vendas, ultrapassa Mercedes Benz e já mira a BMW

Marca alemã de quatro argolas vendeu mais de 1 milhão e 300 mil veículos ano passado
por Henrique Flávio Neves – de Ingolstadt, Alemanha

” O ano de 2011 foi o mais bem sucedido da nossa história.” Essa frase com apenas 12 palavras, 40 letras e 4 números resume bem o humor do presidente da Audi, Rupert Stadler na coletiva mundial da Audi dada para cerca de 400 jornalistas de todas as partes do mundo na sede da empresa. Motor 247 esteve presente ao evento.

Stadler tem mesmo motivos para estar com sorriso de orelha a orelha. Nunca antes na historia da empresa de quatro argolas se vendeu tanto. E ainda por cima tirou de vez a segunda colocação das marcas Premium que até 2010 pertencia a Mercedes Benz. É a primeira vez que isso acontece nos mais de 100 de existência das duas marcas .

O ano de 2011 foi mesmo especial para a Audi de qualquer ponto que se olhe. O número de veículos Audi entregues aumentou em 19,2%: 1.302.659 unidades foram vendidas ao redor do mundo em 2011 contra 1.092.411 em 2010. A receita da empresa cresceu ainda mais que as vendas. O numero foi de 24,4% se comparado com 2010 e pulou de 35,4 bilhões de Euros para 44,1 bilhões de Euros. Com esses números a Audi conseguiu também aumentar o lucro operacional em aproximadamente 60% e passou de 3,3 bilhões de Euros em 2010 para 5,3 bilhões Euros ano passado. O retorno operacional sobre as vendas subiu de 9,4% em 2010 para 12,1% em 2011. Esse número é excepcional porque poucas marcas conseguem passar dos 10%. “Com esta taxa proporcional de retorno, o Grupo Audi é uma das empresas mais rentáveis ​​da indústria automobilística.” disse Axel Strotbek, vice-presidente mundial de finanças da AUDI AG. Mas se engana quem pensa que o A1 foi o grande responsável por esse crescimento. Claro que o menor carro da Audi teve sua parcela de contribuição nesses números, mas houve um forte crescimento de modelos com maior valor agregado e com maior lucro para a empresa. Assim, a parcela da receita gerada pelo A6, A7, A8 e Q7, passou de 25% para 38% entre 2009 e 2011. Ao mesmo tempo, a Audi aumentou a venda de modelos compactos no ano passado com o A1 cheganado a 118 mil unidades e ultrapassando as vendas do Mini no mundo. Vale lembrar que o pequeno da BMW estava em fim de geração e por isso mesmo teve suas vendas drasticamente diminuídas. A companhia planeja ainda investir cerca de € 13 bilhões entre 2012 e 2016. Além de expandir sua fábrica de motores em Györ, na Hungria, com uma linha de produção completa, a Audi também está investindo fortemente em sua sede, na Alemanha. Nos próximos cinco anos, a empresa planeja gastar aproximadamente € 8 bilhões com investimentos em Ingolstadt e Neckarsulm. O foco do programa de investimentos será o desenvolvimento de novos produtos e inovações técnicas. A companhia também prevê a contratação de 1.200 novos funcionários para trabalhar nas duas fábricas da Alemanha. Como integrante da joint-venture FAW-Volkswagen Ltda., a Audi também está ampliando sua capacidade de produção na China. Além da planta em Changchun, no norte do país, a empresa está construindo uma nova fábrica em Foshan, no sul do China. O início da produção está previsto para 2013.A Audi nem teve tempo de comemorar o balanço oficial de 2011 e já saíram os os números do primeiro bimestre de 2012. E eles são animadores para a empresa alemã. Pela primeira vez na historia ela consegue vender mais de 200 mil carros nos dois primeiros meses do ano. Só em fevereiro foram 106.600 carros, aumento de 16,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Só a China cresceu 65,7% registrando vendas de 31.352 veículos em um único mês. No mundo todo foram 202.700 carros, um crescimento de 8,5%.

A America Latina ainda patina no crescimento de carros de luxo. O Brasil tem um peso enorme e sempre puxou o índice para cima principalmente nos últimos anos. Entretant o eles não devem se repetir em 2012. Principalmente pelo aumento de IPI decretado no fim do ano passado pelo governo federal. A Audi planeja aumentar os preços dos seus carros entre 8 e 10% nos próximos dias. Como todas as marcas que importam veículos da Europa e Ásia foram afetadas, o crescimento será bem menor. A marca de Ingolstadt espera crescer esse ano cerca de 10%, o dobro do que o mercado nacional que não teve nenhum tipo de taxação extra. Mas os números do primeiro bimestre são animadores e ficaram bem acimda das previsões iniciais. Pode ser o efeito preço “antigo” que ainda esta vigorando nas concessionárias. Seja como for, as vendas da marca no país cresceram 40%, totalizando 693 veículos.  Peter Schwarzenbauer, vice-presidente mundial de marketing e vendas da AUDI AG disse que a Audi continua firme e forte na trajetória de ser marca Premium líder no mundo em 2016. “ Estamos a apenas 80 mil carros da BMW e estamos diminuindo essa diferença ano a ano”, disse Schwarzenbauer que confirmou duas informações: a primeira qeu a Audi não pensa em reativar a fabrica no Brasil.  A segunda que a Audi vai mesmo construir uma fábrica na América do Norte. Estados Unidos e México levam a prefencia dos estudos com ligeira vantagem dos mexicanos.

Schwarzenbauer também criticou o governo brasileiro. Não pelo aumento de IPI e sim pelas mudanças bruscas na regra do jogo. ” Se quer cobrar 40%, tudo bem. Não vamos gostar, mas vamos aceitar. Mas nos dê um tempo para nos planejar. Se nos dão um ou dois anos vamos nos adequar. Agora a incerteza é que é o problema. O aumento de IPI vai ate o fim deste ano. Vai mesmo? Alguem sabe? Como vamos saber se não vão haver novas mudanças? ” completa o executivo que  também duvidou que a rival BMW possa montar uma fábrica no Brasil. “ Dizer, todo mumdo diz. Quero ver fazer”, disse o vice presidente de vendas e Marketing da Audi. Segundo Schwarzenbauer, para justificar um investimento de uma fábrica desse porte é preciso que se venda cerca de 150 mil automóveis por ano e o mercado Premium da América do Sul (para onde se destina os produtos) não passará de 40 mil carros por ano em 2015. É se for uma produção em CKD, pergunto? “ Também acho difícil, por que eles precisam de 65% de peças nacionalizadas, índice muito difícil de se alcançar por marcas Premium. Se fosse para fazer em CKD é muito mais fácil para a Audi fazer, já que temos a Volkswagen lá, do que eles”. Completa Schwazenbauer.

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