A captação de investimentos no mercado de capitais

No mês de novembro tive o prazer de participar da 2ª Edição do IBEF Hour. Com o tema “A captação de investimentos em um Brasil pós-pandemia”, o IBEF Academy promoveu um rico bate-papo entre Fernando Galdi, da CVM, Vitor Duarte, da Suno Asset, e André Chieppe, da Vix Logísticas, representando — respectivamente — o regulador, […]

Por Marcel Damásio

No mês de novembro tive o prazer de participar da 2ª Edição do IBEF Hour. Com o tema “A captação de investimentos em um Brasil pós-pandemia”, o IBEF Academy promoveu um rico bate-papo entre Fernando Galdi, da CVM, Vitor Duarte, da Suno Asset, e André Chieppe, da Vix Logísticas, representando — respectivamente — o regulador, o investidor e o captador de recursos.

No início da conversa, já tive a clareza de que a transformação no mercado de capitais que vem ocorrendo nos últimos anos está apenas começando. A prova disso é que o número de pessoas físicas investindo na bolsa de valores brasileira já tem quadruplicado desde abril de 2019, quando atingiu a marca de um milhão de investidores.

Essa ampla procura pela bolsa de valores como investimento no Brasil — fortemente influenciada pela rápida redução da taxa SELIC —, faz do mercado de capitais uma alternativa mais interessante às empresas que buscam a captação de novos recursos financeiros, e isso sem elevar o seu nível de endividamento. Só em 2021, já tivemos mais de 40 empresas abrindo o seu capital na B3, a bolsa brasileira.

Naturalmente, o considerável crescimento do mercado de capitais no Brasil aumenta o estímulo para que a B3 e a CVM tornem a bolsa cada vez mais acessível às empresas captadoras e aos investidores. Para tal, ambas vêm trabalhando na modernização dos seus processos, sem deixar de lado o tema que tem sido a “bola da vez” nas notícias sobre o mercado financeiro: o ESG (em inglês, Environmental, Social and Governance).

Traduzida para o português como “Ambiental, Social e Governança”, o ESG vem ganhando cada vez mais espaço nas conversas sobre o mercado financeiro, e foi assim também no IBEF Hour. Perguntados sobre como esta temática afeta a atuação das suas instituições, os convidados não titubearam ao evidenciar que o mercado ainda está começando a lidar com o ESG, e que, portanto, o mesmo pouco afeta nas tomadas de decisão relativas aos investimentos.

Apesar da – ainda – pequena influência do ESG no cotidiano, eles reforçaram a expectativa no surgimento de novos normativos acerca do tema, e foram enfáticos ao afirmar que a ética e a responsabilidade nos negócios não precisam aguardar uma normatização do órgão regulador.

Encerrado o evento, saí dali com a convicção de que ainda veremos cada dia mais empresas (novas e menores) acessando o mercado brasileiro de capitais, e que – independentemente da padronização e fiscalização do ESG pela CVM – o que ditará o ritmo do mercado continuará sendo a capacidade das empresas de gerar resultados financeiros atraentes.