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Índice de Preços ao Consumidor tem menor taxa acumulada desde 2006

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Economia

Índice de Preços ao Consumidor tem menor taxa acumulada desde 2006

Parte relevante da forte desaceleração no período foi resultado das quedas observadas em variados produtos alimentícios

A alta de 3,23% do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) em 2017 foi a menor taxa anual do indicador desde 2006, quando a variação fora de 2,06%, informou o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Em 2016, o IPC-S havia subido 6,18%.

Parte relevante da forte desaceleração no período foi resultado das quedas observadas em variados produtos alimentícios. Individualmente, além de tarifa de telefone residencial (-6,96%), banana prata (-28,45%), leite tipo longa vida (-9,47%), feijão carioca (-45,78%) e feijão preto (-37,07%) foram as principais influências de baixa do indicador no ano.

"Os campeões de queda em 2017 também foram campeões de alta em 2016 por causa dos problemas hídricos e da quebra de safra. No fim, foi um jogo de soma zero", diz Braz, referindo-se aos fortes recuos dos preços de alimentos em 2017.

Já as maiores influências de alta foram plano de saúde (12,27%), tarifa de energia elétrica (11,46%), gasolina (11,24%), refeição em bares e restaurantes (3,23%) e condomínio (7,36%).

Janeiro

Segundo Braz, o IPC-S deve começar o ano em aceleração na taxa mensal. A projeção do economista é que o IPC-S alcance 0,40% em janeiro, de 0,21% em dezembro. Braz explica que, apesar do alívio esperado em energia, com a adoção da bandeira verde, os reajustes das mensalidades escolares devem pressionar para cima o IPC-S no mês, mais que compensando o efeito da conta de luz.

Ao contrário do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que só capta os aumentos educacionais em fevereiro, o IPC-S já deve sentir impacto de 0,20 ponto porcentual no primeiro mês do ano, de acordo com a estimativa de aumento de 8% das mensalidades realizada pelo economista da FGV.

Por outro lado, Braz projeta queda de 5% em energia ou impacto de baixa de 0,10 ponto, uma vez que a bandeira verde não tem cobrança extra e a bandeira vermelha 1, vigente em dezembro, tinha taxa adicional de R$ 3 a cada 100 quilowatt-hora utilizados.

Além disso, Braz lembra que transporte público deve também contribuir para o aumento do IPC-S em janeiro, uma vez que o mês costuma reunir reajustes de tarifas de ônibus, trem e metrô. Em São Paulo, que tem peso de 30% no índice, o reajuste de 5,26% já foi anunciado, o que deve produzir impacto de 0,05 ponto porcentual no IPC-S, a maior parte captada em janeiro.

Os preços de alimentos, por outro lado, devem continuar comportados, diz o analista. "É esperada alguma aceleração por pressões sazonais, mas a bandeira verde em energia é uma indicação de que houve um bom regime de chuvas que pode ter ajudado algumas culturas de alimentos, possibilitando preços baixos."