• Velocidade do vento

  • Previsão de chuva

  • Nascer do sol

  • Por do sol

Umidade relativa do ar: Índice de raios UV:

BC conclui o longo ciclo de elevação da Selic, que fica estável em 14,25%

Economia

BC conclui o longo ciclo de elevação da Selic, que fica estável em 14,25%

Brasília - O Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 2, concluir o longo ciclo de elevação da taxa básica de juros, iniciado há mais de dois anos. Com isso, a Selic permanecerá no patamar de 14,25% ao ano, ainda assim o mais elevado nível desde agosto de 2006. O movimento era esperado por analistas do mercado depois que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre foi divulgado na semana passada, revelando uma recessão ainda mais grave do que a estimada pelo governo e pelo próprio setor privado.

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC repetiu o comunicado da última reunião, no fim de julho, quando a instituição tinha decidido pela elevação da Selic em 0,5 ponto porcentual. O Copom afirmou hoje entender que a manutenção da Selic a 14,25% ao ano, "por período suficientemente prolongado" é necessária "para a convergência da inflação para a meta no final de 2016".

A decisão do Banco Central ocorreu no mesmo dia em que o dólar fechou cotado a R$ 3,76, o maior patamar em 12 anos. Como a desvalorização do real, os bens importados sofrem aumentos de preços e, com isso, pressionam a inflação. Apesar disso, o BC sinalizou, com a decisão, que o trabalho está concluído e que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve chegar no centro da meta, de 4,5%, no fim do ano que vem.

Não é essa a opinião da equipe econômica, no entanto. Na proposta orçamentária de 2016, enviada pelo governo ao Congresso na segunda-feira, a projeção de alta do IPCA é de 9,25% neste ano e de 5,4% no ano que vem. As duas projeções trazem dores de cabeça para Alexandre Tombini, presidente do BC. Neste ano, o IPCA vai romper o teto da meta de inflação pela primeira vez desde 2003, o que exigirá uma carta de Tombini para a presidente Dilma Rousseff explicitando as razões para esse descumprimento.

Ao mesmo tempo, caso a projeção do governo para 2016 se confirme, será o sétimo ano consecutivo de inflação acima do centro da meta. Tombini, que assumiu o comando do BC em janeiro de 2011, nunca conseguiu ver o IPCA chegar a 4,5% ao final de um ano. A projeção orçamentária do governo, fechada pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, comandados por Joaquim Levy e Nelson Barbosa, respectivamente, aponta que o IPCA somente chegará a 4,5% no fim de 2017.

O jornal "O Estado de S. Paulo" apurou que a decisão foi bem recebida pelo Palácio do Planalto. A avaliação da presidente Dilma, segundo um auxiliar próximo, é que novas elevações dos juros produziriam pouco efeito sobre a taxa de câmbio e, consequentemente, sobre o ritmo da inflação. Além disso, a pressão produzida pelos juros nas contas públicas não é desprezível. O gasto do governo com os juros da dívida pública saltaram de cerca de 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2013, para quase 8% do PIB no momento.

O quadro fiscal, hoje, representa a maior preocupação política e econômica do governo, que se esforça para convencer as agências internacionais de rating a não rebaixarem a nota de crédito do Brasil. Hoje, o País continua com o selo de "grau de investimento" das principais agências, como Standard & Poor's, Moody's e Fitch, apesar da forte elevação da dívida pública bruta, da recessão e da inflação acima do teto da meta do BC. O fim do aperto da política monetária, por parte do Banco Central, deixa agora exclusivamente nas mãos da política fiscal (o corte de gastos e os aumentos de arrecadação) a responsabilidade para a melhora dos indicadores.

O ciclo de aumento de juros começou em abril de 2013, quando a Selic estava cotada na mínima histórica de 7,25% ao ano. O BC elevou os juros por um ano, parou durante as eleições presidenciais e retomou o aperto a partir de novembro do ano passado. Desde a retomada foram sete aumentos consecutivos até julho.

Agora, especialistas do mercado financeiro apontam que a Selic deve seguir no patamar de 14,25% ao ano - um dos mais elevados do mundo - até o primeiro semestre do ano que vem, quando o BC deve iniciar um ciclo de corte da Selic.