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Maior desafio do Brasil é crescer, diz Moody’s

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Economia

Maior desafio do Brasil é crescer, diz Moody’s

São Paulo - O Brasil não pode crescer tão pouco como nos últimos anos, porque isso não é sustentável e prejudicaria os fundamentos da economia, afirmou o vice-presidente da Moody’s, Mauro Leos, em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Segundo ele, o principal desafio do segundo governo de Dilma Rousseff será restaurar o crescimento econômico, que ficou em 1,7% ao ano, na média, no primeiro mandato.

A declaração foi feita após ele ter sugerido, em um fórum promovido no mês passado, que a agência de rating poderia esperar cerca de um ano para determinar o futuro da nota brasileira, cuja perspectiva é negativa.

Leos disse que o espaço de manobra do governo para tentar estimular a economia é muito pequeno, já que o déficit das contas públicas está muito elevado, enquanto a inflação perto do teto da meta limita a possibilidade de ações de relaxamento monetário. Nesse sentido, ele afirmou que a recuperação da economia tem de vir do setor privado. "O desafio mais importante é preparar as condições para que haja um aumento do investimento privado, para que haja mais crescimento."

De acordo com ele, os anúncios do governo nos próximos dois a três meses serão determinantes, já que vão preparar o palco para a economia brasileira nos próximos anos. Alguns analistas já dizem que o Brasil poderia perder o grau de investimento no próximo governo de Dilma Rousseff, o que implicaria um corte de dois graus no rating atual.

Segundo Leos, "se as coisas não se moverem na direção certa, se houver apenas 'mais do mesmo', se o crescimento continuar tão baixo e os déficits nominais tão altos, esse é um cenário possível".

O analista afirma, no entanto, que por enquanto não é razoável falar em perda do grau de investimento, já que ainda é preciso saber quais serão as prioridades do novo governo Dilma. "Por enquanto, isso é pura especulação. O mais realista é dizer que em meados do ano que vem teremos uma ideia melhor do cenário econômico. Essa é a única coisa responsável a se dizer e é a nossa posição oficial, até porque nosso cenário mais distante é de 18 meses."

Mudanças

Leos afirmou que a presidente precisa detalhar como seu segundo governo será diferente do primeiro, após ter prometido mudanças durante a campanha. Segundo ele, atualmente existe um "gap de credibilidade", o que significa que o governo pode ter dificuldades em convencer os mercados financeiros e os investidores.

"Muitos no mercado acreditam que o segundo governo será algo 'mais do mesmo'. Eles estão céticos, em função do que viram nos últimos quatro anos", comentou Leos. Segundo ele, isso significa que Dilma precisa explicar o que vai ser diferente, quais políticas serão implementadas. "Há indicativos de que ela deseja mudar, mas ‘como’ e ‘quanto’ serão questões muito importantes."

Leos diz que a nomeação do próximo ministro da Fazenda será um dos principais passos do governo nas próximas semanas. Mais do que o nome do indicado, segundo ele, o importante é que Dilma delegue poder e permita que o novo ministro cumpra o programa econômico traçado. "O fator credibilidade é muito importante, não só a credibilidade do candidato a ministro, mas a credibilidade de que a presidente vai permitir que ele execute o programa." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.