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Downgrade não está no cenário básico, diz coordenador da Dívida Pública

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Economia

Downgrade não está no cenário básico, diz coordenador da Dívida Pública

Brasília - O coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Leandro Secunho, adiantou nesta quarta-feira, 20, que um downgrade da nota de rating do Brasil não está no cenário básico que o Tesouro Nacional avalia para a definição do Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2018, mas admitiu que os intervalos das metas para o próximo ano precisam comportar essa possibilidade.

"Um downgrade não está no cenário básico. Atribuímos uma probabilidade menor a um cenário com rebaixamento da nota do Brasil", afirmou Secunho. "Os intervalos indicativos do PAF têm que comportar todos os cenários. Se houver rebaixamento, o Tesouro tem que estar preparado", completou.

Ele disse que o órgão trabalha com pelo menos três cenários a cada ano, por isso as metas têm uma banda inferior e uma superior. "Usamos intervalos indicativos no PAF para termos essa flexibilidade para lidarmos com cenários de incerteza. Quando apresentarmos o PAF de 2018, vai ficar mais claro o que o Tesouro espera do mercado no próximo ano", respondeu. "Os intervalos do PAF 2018 não necessariamente serão alargados, está sendo avaliado", acrescentou.

Aumento de taxa

O coordenador geral de operações da Dívida Pública disse que novembro é um mês de baixo vencimento de títulos. Segundo ele, o Tesouro Nacional cumpriu o esperado nos leilões do mês passado, emitindo até um pouco abaixo do previsto.

"Foi um mês de aumento de taxas, principalmente nos papéis mais longos. Por isso o Tesouro foi um pouco mais cauteloso nos volumes emitidos, até porque o cumprimento Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2017 está bem encaminhado", afirmou ele. "Chegamos em novembro com uma rolagem de praticamente 120% e tivemos essa flexibilidade", acrescentou.

Segundo Secunho, fatores locais de incertezas sobre a reformas influenciaram no aumento das taxas, além de questões técnicas regulatórias dos fundos de previdência, que demandam títulos mais longos no fim do ano. "Novembro também teve muita apreensão sobre a reforma tributária nos Estados Unidos e sobre a substituição do presidente do FED, o que também causou certa volatilidade", completou.

Foram emitidos R$ 48,6 bilhões em títulos no mês passado. Desse total, R$ 27,34 bilhões foram emitidos em papéis prefixados, dos quais R$ 23 bilhões se referem a LTNs, que são títulos prefixados mais curtos.

Secunho destacou que o aumento das taxas no mais papéis de prazos maiores levou a uma emissão de apenas R$ 4,2 bilhões em NTN-Fs - títulos prefixados mais longos - no mês passado, volume inferior à média mensal do ano de R$ 6,5 bilhões. "Existe demanda, mas o Tesouro optou por ser mais conservador na oferta desses títulos devido ao aumento das taxas", explicou.

5 anos

O coordenador-geral destacou que o porcentual do estoque da DPF com vencimento acima de cinco anos chegou a 25,16% do total em novembro. "Ou seja, mais que um quarto do estoque de títulos tem um prazo de vencimento maior que cinco anos, o que é uma importante medida do risco de refinanciamento da dívida", avaliou.

Secunho também apontou que custo médio das emissões em novembro caiu para 10,21% ao ano e chegou ao menor patamar desde março de 2014. "O custo médio de novas emissões vem se reduzindo por 14 meses consecutivos", acrescentou.

Global 2019 N

O coordenador-geral disse que a recompra de US$ 1,710 bilhão de papéis do Global 2019 N no mês passado reduz a necessidade de financiamento externo do Tesouro Nacional no curto prazo e diminui o risco de refinanciamento da Dívida Pública Federal externa (DPFe).

O Tesouro desembolsou US$ 1,818 bilhão na operação de recompra antecipada da totalidade desses papéis no dia 14 de novembro. Segundo ele, não está prevista uma nova operação como essa no curto prazo.

"São títulos antigos que chamamos de ineficientes, porque não refletem mais o custo de captação do Tesouro", explicou Secunho. "Além disso, a operação ajuda a empresas brasileiras a precificarem suas emissões de maneira adequada", completou.

Foi a primeira vez que o órgão utilizou a opção chamada "make whole call", que permite a recompra dos papéis a qualquer momento por um preço definido pelo somatório do fluxo de pagamentos remanescentes (principal e cupons), descontado pela treasury de referência, acrescido de um prêmio.

"Todos os títulos com prazo para além de 2019 têm essa opção nos contratos, e essa operação tem mais sentido perto do prazo do vencimento dos títulos", acrescentou Secunho. "O próximo título a vencer que tem um volume razoável é o Global 2021. Não há nada no nosso radar sobre novo "make whole call" para títulos externos, mas isso não quer dizer que não faremos um resgate antecipado no futuro", disse.

Colchão de liquidez

Secunho disse que o Tesouro Nacional tem um colchão de liquidez confortável para os próximos 10 meses de vencimento de títulos. "No cenário limite, que não é o caso, poderíamos ficar até setembro de 2018 sem emitir papéis", afirmou.

Questionado sobre a estratégia do Tesouro para lidar com incertezas no próximo ano, como a votação da reforma da Previdência e as eleições, Secunho afirmou que o cronograma anunciado na semana passada inclui a realização de leilões semanais de NTN-Fs, que são papéis sujeitos a maior volatilidade do mercado. "Mais leilões significa que, se no dia marcado houve volatilidade, podemos tirar o pé e realizar um leilão maior na semana seguinte", explicou.

Apesar da emissão menor no mês passado, ele disse que o volume emitido foi semelhante à média mensal de 2017. "Não houve perda de caixa em novembro, mas sim reforço de R$ 30 bilhões", afirmou.