
Em um cenário em que profissões desaparecem e novas carreiras surgem impulsionadas pela tecnologia, cresce o debate sobre o protagonismo na educação e o papel da escola na formação das crianças e dos jovens.
Mais do que transmitir conteúdos, educadores da atualidade defendem um modelo de ensino voltado à formação integral, que combine aprendizado acadêmico, desenvolvimento socioemocional, pensamento crítico e experiências conectadas à vida real.
Essa abordagem parte da compreensão de que competências como empatia, autonomia, capacidade de tomar decisões, lidar com frustrações, trabalhar em equipe e aprender continuamente são fundamentais para o século 21.
Em escolas que adotam esse modelo, o processo educativo ultrapassa provas e grades curriculares, priorizando experiências que ajudem o estudante a se conhecer, se expressar e resolver problemas concretos.
Na prática, essas habilidades não são tratadas como disciplinas isoladas, mas construídas no cotidiano escolar, nas relações interpessoais, nos projetos pedagógicos e nas vivências propostas aos alunos.
Uma escola da Grande Vitória que vem adotando este modelo educacional é a Escola Americana de Vitória (EAV), que segundo sua diretora pedagógica, Jennifer Rocha, o desenvolvimento socioemocional precisa ser intencional.
“Quando o aluno aprende a identificar emoções, a se organizar, a persistir diante de um desafio ou a ouvir o outro, isso impacta diretamente a forma como ele aprende qualquer conteúdo. Não é algo acessório, é estruturante”, afirma.

Ela destaca que situações do dia a dia evidenciam esse avanço. “Observamos estudantes que, ao trabalhar em grupo, conseguem negociar papéis, resolver conflitos e reorganizar estratégias quando algo não funciona. Isso demonstra maturidade emocional e pensamento crítico, competências que os acompanharão por toda a vida.”
O brincar como base nos anos iniciais
Na educação infantil, esse processo começa de forma ainda mais sensível. A psicopedagoga da EAV e orientadora da educação infantil, Maria Aparecida Epichin, explica que o brincar é um dos principais instrumentos para o desenvolvimento integral das crianças.
“É no brincar que elas organizam suas experiências, expressam medos e desejos e aprendem a se relacionar. Quando uma criança cria uma narrativa, resolve um conflito simbólico ou coopera em uma brincadeira, ela desenvolve linguagem, criatividade e inteligência emocional ao mesmo tempo”, ressalta.
Aprendizado conectado ao mundo real
À medida que os estudantes avançam na trajetória escolar, as experiências se tornam mais conectadas ao mundo fora da sala de aula. Projetos interdisciplinares, desafios baseados em problemas reais e vivências em ambientes acadêmicos e profissionais ajudam a ampliar o repertório e a dar sentido ao aprendizado.
Um exemplo foi a viagem pedagógica ao Space Center University, centro de treinamento da Nasa, em Houston, nos Estados Unidos.
O diretor-geral da EAV, Cristiano Carvalho, acompanhou um grupo de alunos durante a experiência e destaca que o aprendizado extrapolou o conteúdo científico.
“Tive o privilégio de acompanhar um grupo de alunos em um programa pedagógico na Space Center University. Sempre me fascinou o senso de exploração de novas fronteiras que caracteriza a nossa espécie. A Nasa, fundada em 1958, é um dos maiores símbolos dessa natureza humana”, relata.
Segundo ele, a vivência teve impacto significativo na formação dos estudantes. “Cada aluno e cada educador naquela missão era um universo a ser descoberto. Observei atentamente o que eles absorviam e, principalmente, o que nos ensinavam.”

O grupo era formado por cerca de 20 estudantes, entre 11 e 15 anos, muitos deles viajando sem os pais pela primeira vez. Para Cristiano, esse aspecto foi tão relevante quanto o contato com o ambiente científico.
“Explorar fronteiras inóspitas, como o espaço, revela a coragem intrínseca ao ser humano. Imagine a coragem de uma criança ao se hospedar fora de casa, em outro país, longe da família, e também a dos pais ao permitir essa experiência. Aprender é, também, um ato de coragem”, reflete.
Durante toda a viagem, os alunos contaram com acompanhamento próximo de educadores, com atenção ao bem-estar emocional, à convivência em grupo e à adaptação à rotina fora de casa.
“O aprendizado acontece quando o aluno se sente seguro para arriscar, perguntar e errar. Esse apoio emocional é parte essencial da experiência”, completa.
Acompanhamento individual no ensino médio
A escola mantém, nos anos finais do ensino médio, um modelo de acompanhamento individualizado dos estudantes. Cada aluno é acompanhado por um professor-mentor, que atua no suporte ao desempenho acadêmico, na organização dos estudos e na orientação para escolhas profissionais e processos de ingresso em universidades no Brasil e no exterior.
De acordo com a instituição, o acompanhamento ocorre ao longo do ano letivo. Para as famílias, a proposta tem impacto na formação dos estudantes.
O médico Fábio Miranda, pai de dois alunos, afirma que os filhos passaram a considerar diferentes possibilidades acadêmicas e profissionais, tendo em vista que a escola amplia a visão de mundo e as profissões hoje existentes no mercado.
“Venho de uma formação tradicional. Aqui, eles têm contato com outras visões e conhecem áreas que eu não conhecia, o que quando forem decidir a área profissional nos últimos anos irá possibilitar um leque maior de oportunidades para ingresso no mercado de trabalho”, diz.
Segundo o Grupo Buaiz, cerca de R$ 100 milhões já foram investidos em educação, aplicados em dois campi com ampla estrutura, além da oferta do Programa de Cursos Avançados (Advanced Placement – AP), sistema adotado por instituições internacionais.