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Morre o maestro Lorin Maazel, gigante da regência

Entretenimento

Morre o maestro Lorin Maazel, gigante da regência

São Paulo - Morreu neste domingo, 13, aos 84 anos, o norte-americano Lorin Maazel, um dos principais maestros do século 20. Segundo familiares, ele foi vítima de complicações de uma pneumonia. Nos últimos meses, no entanto, Maazel vinha cancelando compromissos em todo o mundo, entre os quais concertos no Rio, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, e pedira demissão do posto de diretor da Filarmônica de Munique, cargo que assumiu em 2013.

Sua última aparição pública foi no festival criado por ele, Castleton, Virgínia, nos EUA - ele desistiu de reger uma apresentação de Madame Butterfly mas dirigiu-se ao público antes do espetáculo, falando sobre a importância do repertório operístico. De acordo com depoimento dado por Nancy Gustafson, diretora executiva do festival, ao jornal Washington Post, Maazel sofria de uma doença inexplicável que se seguiu a uma espécie de colapso motivado pelo cansaço causado por um número grande de viagens.

Maazel nasceu em uma família musical - seu pai era ator e professor de canto; sua mãe fundou a Sinfônica Jovem de Pittsburgh; e seu avô atuou como violinista na orquestra do Metropolitan Opera, de Nova York. Teve suas primeiras aulas de regência com sete anos e, aos oito, regeu uma orquestra pela primeira vez; quatro anos depois, já era regente convidado da prestigiada Sinfônica da NBC. No começo dos anos 1950, com 23 anos, tornou-se o primeiro maestro americano a trabalhar no Festival de Bayreuth, na Alemanha; de 1965 a 1971, dirigiu a Deutsche Oper de Berlim e, de 1964 a 1975, foi diretor da Sinfônica da Rádio da cidade.

Nos anos 1970, assumiu a Orquestra de Cleveland e a Orquestra Nacional da França; pouco depois, passou a dirigir a Ópera de Viena, a Sinfônica de Pittsburgh e a Sinfônica da Rádio da Baviera. A lista de orquestras e teatros é vasta - e serve para exemplificar a importância que conquistou no cenário, com interpretações de um repertório bastante amplo e uma mente musical excepcional. "Ele é claramente um homem brilhante, talvez brilhante demais para se contentar com a recriação sem fim das mesmas obras. Ele é também um homem frio - e talvez essa frieza coloque uma camada de gelo sobre suas interpretações", escreveu em 1979 o crítico John Rockwell, do New York Times.

Sua carreira não esteve livre de polêmicas. Após a morte de Herbert Von Karajan, em 1989, esperava assumir seu posto à frente da Filarmônica de Berlim - e, quando o nome de Claudio Abbado foi anunciado, ele se recusou a voltar a reger o grupo. Em 2008, como diretor da Filarmônica de Nova York, resolveu levar a orquestra para uma apresentação na Coreia do Norte, sendo criticado por flertar com o regime de Kim Jong-il.

Ao longo dos anos, o maestro manteve contato com a cena musical brasileira. Além de ter visitado o país à frente de orquestras estrangeiras, promoveu, em 2002, em parceria com a Orquestra Experimental de Repertório, no Municipal de São Paulo, um concurso de regência - do qual fez parte, como candidato, um então desconhecido maestro venezuelano chamado Gustavo Dudamel. Dez anos mais tarde, regeu um ciclo dedicado às sinfonias de Beethoven com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.