O absurdo da guerra que não se vê em 'Um Dia Perfeito'

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O absurdo da guerra que não se vê em 'Um Dia Perfeito'

Redação Folha Vitória

- São tantas as histórias de guerra contadas pelo cinema que o público nem se sensibiliza mais com os tiros, as explosões, as mortes. Os autores começam a buscar alternativas para seu relatos. A do espanhol Fernando Leon de Aranoa surpreende. Um Dia Perfeito, que sai em DVD da Focus (R$ 39,90), propõe os efeitos da guerra - cadáveres, destruição. Mas o impacto mesmo se produz fora de quadro. Embora o perigo se faça sempre presente, as armas não disparam.

Aranoa encerrou a 39.ª Mostra, no ano passado. Veio a São Paulo com seu filme. É um diretor que revela comprometimento social - a questão do desemprego em Segunda-Feira ao Sol, com Javier Bardem. Um Dia Perfeito começa de forma um tanto absurda - um grupo tenta retirar um cadáver de um poço, antes que a água seja contaminada. O grupo é internacional. Integra uma ONG. Tim Robbins, Benicio Del Toro, etc. Falam inglês. O local, presumivelmente, é nos Bálcãs, mas nunca é identificado como tal. Os moradores falam um língua enrolada.

A tarefa revela-se difícil. O morto é muito gordo, é preciso uma corda mais resistente. Alguém corre à loja que deveria vender a corda - não tem. Outro cadáver - de uma vaca - interrompe a estrada. O absurdo da guerra é tanto maior porque Aranoa o trata como coisa cotidiana, e com humor. O filme é ótimo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.