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'As Aventuras do Avião Vermelho' é voo na imaginação de Erico Verissimo

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Entretenimento

'As Aventuras do Avião Vermelho' é voo na imaginação de Erico Verissimo

São Paulo - Contos, romances, novelas, ensaios, traduções - a produção literária do gaúcho Erico Verissimo, autor do monumental O Tempo e o Vento, é muito extensa e inclui até um segmento infantojuvenil, com livros que ele escreveu para crianças. São títulos como A Vida de Joana D’Arc, Rosa Maria no Castelo Encantado, As Aventuras de Tibicuera e A Vida do Elefante Basílio, mas também As Aventuras do Avião Vermelho, que Erico publicou em 1936 e que ganhou agora versão para cinema.

A animação de Frederico Pinto e José Maia estreou na quinta-feira passada. Realizada em 2D, com recursos limitados, mas bem colorida e imagética, é uma alternativa interessante para os menores. Os episódios um tanto repetitivos talvez não encontrem acolhida nos maiores, mas há que ver mais essa (boa) animação nacional.

Em anos recentes, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, e História de Amor e Fúria, de Luís Bolognesi, têm ajudado a desenvolver um conceito de animação à brasileira, não calcado no modelo tradicional da Disney. Uma animação com sotaque - gaúcho. Talvez seja interessante reportar-se a 1936, há quase 80 anos. Erico ainda estava em começo de carreira, lutando para afirmar-se como escritor profissional. Foi o ano de romances como Música ao Longe, de Um Lugar ao Sol. No primeiro, o escritor retoma a personagem Clarissa, de seu romance de estreia - de 1933 -, mostrando-a apaixonada pelo primo Vasco e dando seus primeiros passos rumo à maturidade. Por meio dessas figuras, Erico retrata a decadência econômica e moral de uma tradicional família gaúcha, os Albuquerques. No segundo, Erico segue com Clarissa, Vasco e acrescenta outros personagens para compor o que ele próprio considerava o melhor elenco humano de sua obra inteira - com exceção de O Tempo e o Vento.

São livros que abordam relações familiares, o que se perde e o que se ganha na vida. Os temas prosseguem no Avião Vermelho, mas agora com outra pegada.

Tudo gira em torno de Fernandinho, que perdeu a mãe e, se sentindo negligenciado pelo pai, vira baderneiro na escola. Fernandinho é um bom menino, só precisa de atenção. E o pai, que se atira no trabalho, busca um consolo para a própria perda (da mulher). Tentando se reaproximar do filho, o pai o presenteia com um livro que encanta o garoto - conta as aventuras do Capitão Tormenta no avião vermelho do título. Para salvar o capitão, que ficou preso na península de Kamchatka, Fernandinho embarca no avião com seus brinquedos preferidos, o Ursinho e Chocolate. E voam da Lua ao fundo do mar, passando por África, China e Índia até chegar à Rússia. Nesse voar, é como se Fernandinho precisasse resolver seus problemas com o pai para realizar o rito de passagem.

Frederico Pinto é conhecido, e reputado, como diretor de arte - de Os Vips, Entre Nós e do infantil Eu e Meu Guarda-chuva. José Maia é animador. Eles não investem só na qualidade do texto de Erico, mas buscam lhe dar uma forma atraente para as plateias do terceiro milênio. Para isso, valem-se de referências posteriores à escrita do livro, a filmes como 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e Star Wars, a série de George Lucas, bem como a Chapolim, a série mexicana de Roberto Bolaños com que o ator e escritor que morreu há pouco satirizava os heróis norte-americanos. Esse teor de crítica também se manifesta no Avião Vermelho, mesmo que, no imaginário do público, os bonecos possam parecer recriações da série Toy Story, de John Lasseter, da Pixar.