Síndrome da Cabana: O medo excessivo de sair de casa em tempos de pandemia.

Edu Coutinho Colunista de Entretenimento
Por Ana Carolina Souza

O ano de 2020 veio com uma surpresa nada agradável ou esperada para os seres humanos, fazendo com que precisassem isolar-se uns dos outros para sua própria saúde e até mesmo sobrevivência. Desde meados de março estamos aprendendo a lidar com as mudanças drásticas que a Covid-19 trouxe para nossas vidas, entre elas aprender a viver em confinamentoo que não foi nada fácil e não tem sido para muitas pessoas, trazendo uma série de emoções e sentimentos negativos, difíceis para se adaptar em uma pandemia em pleno século XIX. Mas também se tem notado uma certa preocupação para o retorno das atividades diárias, do cotidiano fora do conforto e segurança de nossos lares.

Existem diversos relatos sobre um grande desconforto e desespero ao precisar sair de casa, até mesmo para ir a uma consulta médica de rotina, mesmo adequadamente protegido com máscara e levando consigo o precioso álcool em gel. E a medida em que essa pessoa observa em seu percurso até o consultório médico, pessoas vivendo normalmente como indo a uma loja comprar uma roupa, almoçando em restaurantes ou sentadas em um bar como se nada estivesse acontecendo, esse desespero torna-se cada vez mais angustiante, mesmo ciente da diminuição das restrições em decorrência da pandemia da Covid-19 no Brasil.

 

A Ana Carolina Souza, explica o medo de sair de cada diante da pandemia.

 

No ano de 1900, no norte dos Estados Unidos, durante os invernos rigorosos, trabalhadores se refugiavam em cabanas para proteger-se, e, quando esse inverno acabava, esses mesmos trabalhadores tinham receio de voltar a ter contato com outras pessoas, ou seja, receio de viver em civilização. Naquela época esse tipo de comportamento foi nomeado como Síndrome da Cabana, tornando-se o termo ideal para o que muitas pessoas estão vivenciando na tentativa de retorno do contato social e vida normal, após um longo período de isolamento vivido na nossa atual realidade.

A Síndrome da Cabana é caracterizada por sentimentos de angústia, ansiedade (podendo causar sintomas físicos como sudorese e taquicardia), alterações de humor e medo por exemplo, ocasionando pensamentos negativos como frustrações, desmotivação desatenção, alterações no sono e na alimentação. Mesmo que não haja um fator principal para que essa síndrome se estabeleça, a situação atual em que vivemos nos leva ao receio da contaminação por um vírus desconhecido e mortal, causando a resistência de muitas pessoas ao retorno do convívio social.

É importante frisar que a Síndrome da Cabana NÃO é uma doença ou um transtorno mental e sim um fenômeno natural do nosso corpo, baseado em mudanças bruscas de comportamento, levando o sujeito a sair de sua “zona de conforto” para se adequar a uma nova realidade obrigatória, causando alterações nas emoções e no modo de agir de forma negativa.

 

O medo de sair toma conta e agora devemos observar os sinais. Foto : IStock

 

Certo, como podemos lidar com essa tal Síndrome da Cabana? Bem vamos lá, como muitas situações da nossa vida envolvem o cuidado com a nossa saúde mental, e a pandemia, isolamento ou Síndrome da Cabana se encaixam muito bem nesse quadro, vamos começar pensando em formas de não se cobrar e se culpar tanto, observe e obedeça o seu ritmo, afinal, você está retomando uma nova realidade ainda desconhecida, então não se apavore e sim explore e conheça aonde você está pisando, o importante é não desistir e sim persistir, indo aos poucos, no seu passo.

Estabeleça uma rotina, tenha horário para acordar, tarefas a cumprir, iniciando das mais simples até alcançar as mais complexas. Criando uma rotina você estará se disciplinando novamente e, assim, poderá reorganizar sua vida como um todo. Busque coisas que te trazem lazer, como por exemplo uma dose de endorfina praticando alguma atividade física, além de prazeroso, é saudável. Escreva como tem se sentido e também suas metas e objetivos, colocando-os em ordem de prioridade para que você visualize e formalize suas ideias, te motivando e disciplinando; lembrando quem você é e das suas capacidades.

Tudo bem, mas e se mesmo assim estiver muito difícil de lidar com tudo o que a Síndrome da Cabana tem causado, o que fazer? Bom, neste caso o ideal é você buscar uma ajuda profissional especializada que fará um acompanhamento para auxiliá-lo em como lidar com esses sentimentos e pensamentos que tem te paralisado totalmente de voltar a viver uma vida um pouco mais normal, seguindo todos os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), dentre eles, o uso de máscaras e álcool em gel. Afinal, ainda não temos uma vacina que nos cure e previna da Covid-19, também conhecida como coronavírus.

 

A vida segue e precisamos manter os cuidados sem medo de sair. Foto : IStock


Existe
um ponto positivo importante que podemos tirar de toda essa situação causada pela pandemia, qual seja, a valorização de peças fundamentais de nossas vidas: a família, amizade, almoço em família, um abraço apertado, um beijo no rosto Valores que se perderam há muito tempo devido a forma corrida, globalizada e superficial que estávamos vivendo. De um modo ruim, fomos freados para repensar o nosso modo de viver a vida.


Afinal, quais são os nossos verdadeiros valores?

 

Ana Carolina Souza CRP 16/4382

Psicóloga, terapeuta em EMDR, especialista em Dependência Química pela Unifesp e Mestranda em Psicologia Clínica e da Saúde pela UFP, Portugal.

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