Os verdadeiros heróis de 2020

Edu Coutinho Colunista de Entretenimento

Grandes heróis de quadrinhos ou das telonas do cinema como o Batman, Capitão América, Super- Homem, Mulher-Maravilha e tantos outros, foram substituídos por uma leva de mulheres e homens reais. Médicos, enfermeiros, entregadores, operadores de caixa, professores, bombeiros, jornalistas, garis  e muitos outros profissionais que se tornaram essenciais para combater um terrível vilão: o novo Coronavírus.

Selecionamos alguns heróis incansáveis de 2020, que lutaram contra um inimigo invisível. A batalha deste ano está acabando, mas a guerra continuará. Nosso homens e mulheres valentes prosseguirão sua incansável luta para ajudar a todos nós, seja em hospitais ou nas ruas. Vamos reverenciar o trabalho deles.

 

 

O médico intensivista Thiago Rodrigues Sequeira relata como foi o ano de 2020. Foto: Acervo Pessoal

 

 

Dois médicos nos relataram que esse período de pandemia tem sido o mais complicado que foi enfrentado pela área de Saúde nos últimos 100 anos. Os doutores Thiago Rodrigues Sequeira e Adenilton Rampinelli atuam diretamente em UTIs. Eles foram categóricos em relatar que ficaram meses isolados. “Fiquei três meses sem ver meus pais, meus filhos. A gente não sabe se vai se infectar, se vamos passar pra outras pessoas. É muita preocupação”, afirmou Thiago.

 

O maestro precisa de bons músicos”, completa dr. Thiago Rodrigues Sequeira. Foto: Acervo Pessoal.

 

 

Os médicos reconhecem que não são apenas eles os heróis da batalha contra a Covid-19. “Todo mundo é importante”, fazendo referência aos seus parceiros de equipe, como enfermeiros, auxiliares de limpeza e muitos outros profissionais. “O médico tem sua importância, mas um complementa o outro. É uma grande orquestra e todos temos que estar em sintonia. O maestro precisa de bons músicos”, completa dr. Thiago Rodrigues Sequeira.

 

O médico intensivista Adenilton Rampinelli relata que sua equipe tem trabalhado incansavelmente e exalta toda a equipe de saúde mental, pois ao lidarem com um inimigo invisível o desgaste emocional afeta e seria ainda mais difícil sem o suporte psicológico recebido.

 

 

 

O médico intensivista   Adenilton Rampinelli relata a Covid-19 afeta o emocional e o cansaço fica maior depois de um ano repleto de grandes emoções. Ele enfatiza, que por ser uma doença letal cria maior complexidade. “Não tem cansaço. Eu faço o que tem de ser feito”, completa.

 

 

O médico intensivista Adenilton Rampinelli relata a Covid-19 afeta o emocional de todos, por ser uma doença letalde plantões que fez. Foto: Acervo Pessoal

 

 

Para a psicóloga  Kênia Merlim de Castilho, a COVID-19 foi um choque mundial. “ Eu trabalho como elo entre médicos e famílias. Todos estão angustiados. Faço esta conexão de modo remoto. Trabalhar a dor da perda é um momento delicado”. A psicóloga também lembra que além da própria doença, existem outros malefícios que ficaram latentes durante a pandemia: “Casos como ansiedade e depressão tornaram-se evidenciados. É preciso muita calma e carinho”, pondera.

 

Para a psicóloga Kênia Merlim de Castilho Ferrari o momento é difícil mas temos que manter a saúde mental em dia. Foto: Acervo pessoal

 

 

 

Kênia Merlim de Castilho Ferrari auxiliando o paciente e a família estarem conectados. Foto: Acervo Pessoal.

 

 

 

A enfermeira Jacqueline Ribeiro  faz parte de um grupo de heróis que se tornaram importantes durante a pandemia. “No início fiquei bem preocupada. Já nas primeiras notícias sabia que o ano seria diferente. Fiquei por meses sem ter contato com a família e filhos, sem poder desabafar quando saía do meu trabalho. Vi muita gente entrando e saindo vivas e também o inevitável, a tristeza de muitos com o falecimento dos seus. Cheguei a ver colegas de profissão afastados e contaminados, uma verdadeira loucura”. Ela também relata que cobriu amigos que foram sendo afastados, chegando a perder as horas de plantões que fez.

 

 

 

A enfermeira Jacqueline Ribeiro faz parte de um grupo de heróis que se tornaram importantes durante a pandemia. Foto: Acervo Pessoal

 

 

 

Não muito longe dos hospitais estão os heróis que ajudaram a saciar fome em 2020. Fabrício Ayroldes Coutinho tinha uma pizzaria, mas, quando viu que seu negócio estava no fim passou a entregar alimentos e roupas, medicamento . “Passei por um momento terrível. Hoje vai tudo bem e estou sempre nos ‘corres’ da vida” ressalta. A doença deixou tudo parado e ele confessa o medo de ser infectado. Para Fabrício, muitos ainda não entenderam o momento. “ Os clientes também precisam manter os protocolos. É importante para a saúde deles e da nossa, que fazemos entregas. Usem a máscara e álcool setenta por cento” .

 

 

 

Fabrício Ayroldes Coutinho, se reinventou no ano de 2020 com suas entregas. Foto: Ralph Pitanga.

 

 

 

Com grandes poderes também vêm grandes responsabilidades. A apresentadora Andressa Míssio precisou se reinventar. Mesmo depois de ter enfrentado o H1N1, o novo coronavírus tem sua faceta bem mais impiedosa. “A gente está se doando enquanto todo mundo está se recolhendo. Ficamos em evidência neste período conturbado”, explica. “O Jornalismo é, por essência, estar na linha de frente. Quando se trata de informação no nosso Estado a gente está lá”, conta a âncora. Ela diz que esse momento de pandemia está sendo interessante para mostrar a importância da imprensa. “Nossa atividade se tornou essencial”. Andressa contou que a pandemia alterou o seu cotidiano. Desde sua entrada no estúdio, até o fim da edição do telejornal, todos os cuidados são tomados. A bela não quis vestir o manto de heroína , mas se sentiu honrada ao comentar sobre fazer parte dessa história ao lado de tantos outros profissionais. “Escutei dos profissionais de Saúde muitas orientações. Nós, como jornalistas, temos a função essencial de informar, sobretudo neste momento tão diferente vivido pela humanidade”.

 

 

 

A apresentadora Andresa Míssio precisou se reinventar e levar a notícia para os capixabas e para o Brasil. Foto: Reprodução Instagram

 

 

 

A rotina dos grandes supermercados também foi impactada. Karla Rainha recepcionista de supermercado precisou  se cuidar e ficar  atenta durante a pandemia. “Foi um começo difícil, eu vi o medo no rosto das pessoas, mesmo sob as máscaras. Também vi que muitos agiam por impulso com a compra de produtos sem necessidade, sem pensar no próximo. O álcool 70%, seja líquido ou em gel, nos primeiros meses da pandemia, precisou ser controlado, com uma venda em cota para cada consumidor”. O medo de perder o emprego também foi grande para esses profissionais, pois várias empresas quebraram no país.

 

 

 

A recepcionista de supermercado, Karla Rainha tem esperança de dias melhores. Foto: Acervo Pessoal

 

 

 

Em 2020, grande parte dos professores trabalhou longe das salas de aula. “De repente a nossa vida mudou. Senti medo e insegurança diante de um vírus desconhecido que transformou nosso cotidiano”, desabafa Rodolfo Bello, professor do Ensino Fundamental. A sala de aula calorosa deu lugar as telas frias do computador e do celular. Nesse choque de realidades surgiu uma profunda sensação de solidão. “O professor nesse momento é um herói. Ele, que se via diante de uma sala lotada, agora está diante de uma tela, muitas vezes sozinho. O primeiro momento do aprendizado digital é de extrema solidão”.

 

 

As salas de aulas vazias e as telas dos computadores levaram o ensino. Foto: Acervo Pessoal.

 

 

Os médicos são unânimes e falam que a passagem de ano para 2021 será simbólica. Ela servirá para que todos possam ter consciência e cuidado com o próximo. “Se manter reservado e manter todos os protocolos é um ato de amor e só ajuda a todos que estamos na batalha”, disse o médico Thiago.

Adenilton afirma que até chegar uma medicação eficaz contra o novo Coronavírus devemos ser cuidadosos, ter amor e empatia.

Bem, todos os anos eu listo sempre personalidades capixabas, mas decidi fechar o ano do Resenhando assim. Este momento tão difícil para a humanidade mostrou tanto outros heróis que estiveram presentes no dia-a-dia, simples, porém importantes, como entregadores, trabalhadores de supermercados, pesquisadores, o pai ou mãe de família que está lutando pra colocar o alimento na mesa. É importante ter empatia e agradecer cada pessoa que se dedicou para diminuir o impacto da pandemia.  

 

Kenia calisto psicóloga da UTI, Luciana Nascimento Soares Enfermeira da uti e Adenilton Rampinelli médico Intensivita e Emergencista Coordenador da uti Medsenior. Verdadeiros heróis de 2020. Foto: Acervo Pessoal

 

 

 

Nós desejamos um feliz 2021, com
amor, paz, e muita saúde. Que venham muitas resenhas. Nossos aplausos. Que todos profissionais da linha de frente se sintam homenageados.

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Glaycon disse:

Uma bela iniciativa em reconhecer esses heróis que são humanamente falíveis, mas não ficaram amedrontados, mas lutaram pelas suas próprias vidas e pela sociedade na qual estão inseridos. Sim, são heróis do trabalhoso cotidiano, que se preparam para dar o seu melhor ao seu próximo.

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