Mulheres estão cada vez mais atuantes no mercado financeiro

Edu Coutinho Colunista de Entretenimento

Em 2020 o número de investidoras pessoa física saltou 118%, passando de 847 mil. Mas elas ainda são 26% do total. A cautela é uma característica que sempre andou junto com as mulheres, em vários aspectos – como carros, imóveis e outros bens. E no mercado financeiro isso não fica para trás. Mas, as novas gerações parecem estar equilibrando um pouco mais essa prudência com um certo risco dos investimentos nesta área.

 

De acordo com um levantamento da B3, a Bolsa brasileira, em 2020 o número de investidoras pessoa física saltou 118%, passando de 847 mil. Mas elas ainda são 26% do total. Os homens somam 2,38 milhões.

 

A assessora de investimentos e Head de Mesa Digital da Golden Investimentos, Isadora Giaretta, comenta que apesar da porcentagem baixa, o número de investidoras é um recorde histórico no país. “A crise de 2020 fez muitos investidores saírem de sua zona de conforto em busca de risco e pelos juros baixos. Além disso, como a taxa básica de juros (Selic) está na mínima histórica de 2%, explodiu o número de investidores pessoa física – nos últimos três anos – e, com isso, a presença feminina na B3 também saltou”, explica.

 

Isadora Giaretta, comenta que apesar da porcentagem baixa, o número de investidoras é um recorde histórico no país.Foto: Divulgação

Atualmente, a Golden Investimentos atende mais de 3 mil clientes e atingiu a marca de R$2 bilhões sob custódia. Dessas contas assessoradas, 49% são de mulheres que buscam uma ajuda profissional para aumentar seus rendimentos no mercado financeiro. “Geralmente, a procura vai desde jovens em início de carreira até mulheres mais velhas e com uma vida profissional consolidada com um perfil mais conservador. Em menos de cinco anos percebemos uma mudança muito grande no comportamento feminino de ter um suporte, com o pai ou o marido cuidando das finanças, para um empoderamento na busca de entender o que está sendo feito com o seu dinheiro”, conta.

Atualmente, percebe-se que as mulheres estão bem mais ativas na busca da renda variável. “A tendência é que elas busquem mais esse mercado, até porque percebem que é um investimento de longo prazo. Para gerar um estímulo maior para este público, seria interessante desmistificar a renda variável e fortalecer a base de educação financeira. Segundo um estudo da XP, deve haver um movimento de mais de R$ 1 trilhão em direção à renda variável nos próximos anos, o que deve estimular ainda mais as mulheres”, espera.

Incentivo

Recentemente, a XP Investimentos criou o Trend Lideranças Femininas, que é um fundo só com ações de empresas listadas na bolsa americana e que tenham uma real preocupação com o aumento da proporção de mulheres em altas posições. Além de aplicar o patrimônio em empresas comprovadamente com mulheres na liderança, parte da taxa de administração é destinada a um projeto social.
“Esse fundo reúne cerca de 160 empresas que são lideradas na maior parte por mulheres de diversos setores – como tecnologia, mercado financeiro, educação, entre outros. O investimento é direcionado para o público em geral, sendo bem acessível, com aplicações que podem ser feitas a partir de R$100,00”, destaca.

Mercado de trabalho e lideranças femininas
Segundo o Great Place to Work, devido a diferença salarial entre homens e mulheres que ocupam a mesma posição, as mulheres recebem três meses e três dias de salário por ano a menos que os homens. Ou seja, elas trabalham até o dia 4 de abril de graça para igualar o salário dos homens. Quando falamos de mulheres negras – em comparação com os homens brancos na mesma posição – o seu trabalho só começa a ser remunerado no dia 31 de julho.

“Das empresas listadas na Bolsa de Valores, apenas 8% das mulheres estão nos conselhos de administração. Se excluir as herdeiras, esse número reduz para 3%. Mesmo assim, observamos que o PIB, em 2019, cresceu 1,1% e as melhores empresas para se trabalhar (Great Place to Work) cresceram 2%. Enquanto isso, essas mesmas empresas com mulheres na sua diretoria cresceram 12%”, compara.

A Golden Investimentos atualmente conta com 42% de mulheres na sua equipe de profissionais. “Isso ocorre mesmo com a empresa trabalhando com meritocracia, sem ter uma meta estabelecida neste sentido”, destaca. Apesar de ter apenas 24 anos, Isadora Giaretta lidera uma equipe com cinco homens, sendo alguns até mais velhos. “A liderança não tem muita relação com o fato de ser homem ou mulher. O que importa é a equipe estar muito bem alinhada e engajada, com confiança e respeito entre todos, até para proporcionar o melhor atendimento e as melhores oportunidades para os nossos investidores”, analisa.

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