A profissão de advogado e a sua nova cara no mercado

Edu Coutinho Colunista de Entretenimento

Hoje é comemorado o Dia do Advogado. Com os crescentes debates em torno do mundo jurídico, nada melhor que conferir as novidades e a visão dos novos profissionais do Direito.

O jovem advogado capixaba começou seus estudos na área com 19 anos. Ele é formado pela Ufes e mestre em Direito Tributário, pela PUC-SP. Participou da comissão de Direito Tributário da OAB-ES. Foi professor assistente na Ufes. Tem artigos publicados. Trabalhou em reconhecida banca de advogados de Vitória. Atualmente, está cursando o doutorado de Direito Tributário pela PUC-SP.

Em entrevista para a coluna resenhando, o advogado Stéfano Vieira Machado Ferreira compartilha um pouco de sua experiência e desafios enfrentados na carreira, além de falar sobre qual deve ser o perfil e diferenciais do advogado moderno, tanto o corporativo como o que trabalha em escritório.

 

O jovem Stéfano Vieira Machado Ferreira representa a nova cara da advocacia capixaba. Foto: Acervo Pessoal

 

1 – O senhor concorda que o atual mercado de trabalho para o advogado no país está mais competitivo e escasso?

O Brasil tem aproximadamente 215 milhões de habitantes, sendo que existem aproximadamente 1,2 milhão de advogados. Não sei dizer ao certo quantos exercem efetivamente a profissão, mas ainda assim é um número bem elevado de profissionais.

 

2 – A que o senhor atribui essa grande procura pelo curso de Direito no Brasil?

Acredito que boa parte dos estudantes é atraída pela possibilidade de prestar concursos públicos após se graduar. Todavia, nem o serviço público nem o setor privado, por meio da advocacia, conseguem absorver tantos bacharéis egressos das faculdades de direito.

 

3 – Como o senhor avalia o relacionamento da tríade, advogado, Justiça e leis no Brasil?

 

A criação de leis cabe ao Poder Legislativo. A partir do momento que uma lei entra em vigor, a norma se desprende do criador e passa a ser interpretada pelos advogados e demais profissionais do direito, como juízes, promotores, delegados etc.  A palavra justiça é vaga, possuiu vários sentidos e traz uma carga emotiva muito grande. De todo modo, posso dizer que o advogado busca fazer justiça para seu cliente, levando à apreciação do juiz a melhor interpretação do caso e das leis para favorecer quem ele representa no processo.


4 – Baseado em sua experiência de mercado e falando diretamente a quem deseja fazer o curso de Direito, em quais áreas ou segmentos o bacharel em Direito pode atuar? Quais são as mais concorridas?

O curso de direito é atrativo justamente pelo grande leque de opções após a conquista do título de bacharel, afinal grande parte dos cargos públicos cobram nas provas conhecimentos específicos lecionados nos cursos de direito. Após a graduação a primeira escolha será: setor público ou setor privado? Se optar por exercer a advocacia, o bacharel deverá ser aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a partir daí deverá optar pela área que encontrou mais afinidade e buscar uma especialização. Existem diversas áreas: advocacia tributária, aduaneira, previdenciária, societária, trabalhista, criminal, administrativa, eleitoral, ambiental etc.  Não sei precisar quais são as mais concorridas até porque a advocacia não é considerada uma atividade mercantil. Entretanto, o advogado não deve olhar apenas sob essa perspectiva, pois se for bom naquilo que faz, com o tempo acabará se destacando profissionalmente.

 

5 – Na sua visão existe alguma premissa básica para o relacionamento advogado/cliente?

Acredito que é premissa de qualquer profissão a ética e a honestidade com seu cliente. O relacionamento do advogado com o cliente exige uma confiança muito grande pois é de longo prazo, já que a tramitação de um processo pode demorar anos.

 

No Dia do Advogado, Stéfano Vieira Machado Ferreira comemora a data e fala sobre os novos desafios da área. Foto: Acervo pessoal

 

6 – Nestes anos de profissão houve algum momento crítico em que foi necessário superar barreiras?

Ao longo desses 11 anos de profissão enfrentei diversas barreiras. O primeiro teste é a aprovação no exame da OAB. Já no mercado de trabalho, precisei fazer a transição da vida acadêmica da UFES, de onde sou egresso, para a vida profissional. O cliente precisa que você crie soluções e resolva o problema. É a vida real. Isto exige uma enorme responsabilidade bem diferente de apenas frequentar aulas e fazer uma boa prova para ser aprovado no semestre da universidade. Outro momento de superar barreiras se deu ao sair de uma renomada banca de advocacia em Vitória onde eu trabalhava para montar o meu próprio escritório. Neste caso, não basta só ser estudioso e trabalhador, é preciso conquistar clientes e fazer isto conciliando estudo e trabalho, já que o advogado precisa estar atualizado diante da constante mudança das leis e da jurisprudência.
Assim, fiz especialização em direito tributário por dois anos no IBET-VIX. Cursei o mestrado por mais dois anos e meio e atualmente estou no doutorado, ambos em direito tributário na PUC-SP. Recentemente foi necessário superar outra grande barreira. Com o lockdown durante a pandemia, a atividade econômica no país foi afetada e diversos clientes tiveram uma maior demanda de problemas para resolver, porém com o faturamento comprometido. Nesse momento foi preciso conciliar e ter em mente que o relacionamento do advogado com o cliente é de longo prazo e se baseia na confiança mútua. Novos desafios virão e é essencial ter disposição para enfrentá-los.

 

7 – Para finalizar, que dicas o senhor daria para quem planeja fazer parte de uma banca de longa duração?

É preciso ter meta. Saber onde se quer chegar e trabalhar muito, buscando sempre superar as adversidades da profissão, com foco no seu objetivo.

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Glaycon disse:

Reportagem importante que valoriza uma categoria profissional que presta serviços relevantes a sociedade, e aos indivíduos.

James Matos disse:

Otima abordagem e homenagem a esses profissionais que “desembolam” nossas vidas e de nossas empresas, a luz do direito.
Parabéns a todos profissionais da advocacia.

Eliudem disse:

Parabéns pela matéria e pelo seu dia, Stéfano! Você é uma referência no Direito Previdenciário em nosso estado. Grande abraço!

Fernanda Viana disse:

Parabéns Stéfano, suce$$o sempre!

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