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Dupla de técnicos faz a seleção da Islândia decolar no futebol

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Esportes

Dupla de técnicos faz a seleção da Islândia decolar no futebol

São Paulo - Nos últimos dois anos, a Islândia ganhou 100 posições no ranking da Fifa, quase se classificou para a Copa do Mundo de 2014 e hoje estaria garantida na próxima Eurocopa. Para atingir a melhor fase de sua história, a seleção conta com uma talentosa safra de jogadores e optou pelo incomum projeto de ser comandada por uma dupla de técnicos.

Quem apresentou a ideia de liderança compartilhada à federação do país foi o sueco Lars Lagerback, amante antigo desta iniciativa. Em 2002, o treinador dirigiu a seleção de seu país na Copa do Mundo ao lado de um parceiro. "Se você trabalha sozinho, há um risco de não perceber todas as possibilidades e desperdiçar alguns detalhes importantes", explicou ele em entrevista exclusiva.

A formação da dupla ocorreu em 2013, um ano depois de a Islândia afundar em maus resultados e amargar a 131.ª posição no ranking da Fifa - a pior de todos os tempos. Lagerback, então sozinho no comando, passou a ter a companhia do islandês Heimir Hallgrímsson, antigo auxiliar técnico da equipe. Promovido, ele assumirá o cargo sozinho depois da Eurocopa da França, em 2016, quando o parceiro vai se aposentar.

Desde a formação da dupla, a equipe passou a obter os melhores resultados de sua história. Nas Eliminatórias para a Copa do Brasil, por exemplo, parou somente na repescagem, quando perdeu para a Croácia. Na disputa por uma vaga na Eurocopa, a seleção atingiu o ápice quando ganhou da poderosa Holanda, em casa, por 2 a 0.

Em seu grupo, a Islândia só está atrás da líder República Checa, para quem perdeu fora de casa por 2 a 1, de virada, em novembro. No mês anterior, a equipe havia chegado à sua melhor posição no ranking, a 28.ª.

A liderança em conjunto vai além dos dois treinadores, pois engloba também mais membros da comissão técnica. "Costumamos incluir em nossas reuniões o preparador de goleiros, o médico e o preparador físico para preparar treinos e acertar o time. Geralmente nós chegamos a um acordo sobre o que será feito", disse Lagerback.

O sueco representa uma mudança no modo de comandar a seleção do país. A contratação dele para técnico da equipe, em 2011, foi a primeira de um estrangeiro depois de 22 anos. A diminuta Islândia é uma ilha com cerca de 325 mil habitantes e carência de mão de obra.

Segundo o treinador, a comissão técnica islandesa é uma das menores do futebol europeu. De tão enxuta, raramente precisa fretar aviões para viajar - geralmente embarca para os compromissos em voos comerciais.

FUTEBOL EM DIA - O trabalho da dupla coincide com uma série de conquistas do futebol na Islândia. O outro técnico da seleção, Hallgrímsson, conta que as escolas do país construíram quadras de grama artificial e contam com professores licenciados pela federação para incentivar o esporte.

A medida ajudou a formar uma equipe jovem - a média de idade da seleção é de 26 anos - e com características bem diferentes dos times anteriores da Islândia. "Temos quase cem jogadores atuando no exterior e quase todos os que jogam na seleção são profissionais. Isso é inédito", disse o treinador, ex-atleta de clubes do país.

Antes apaixonada apenas pelos esportes de inverno, a Islândia agora se interessa para valer pelo futebol - pela primeira vez os jogos da seleção têm ingressos esgotados. "Contra a Holanda, poderíamos ter jogado até para o triplo de público. Agora já começaram no país conversas para se construir um local com mais capacidade para receber os jogos", contou Hallgrímsson. O maior estádio do país fica na capital, Reykjavik, e tem apenas 15 mil lugares.

Para Hallgrímsson, o estilo de jogo da seleção tem melhorado, deixando de ser físico e baseado na garra e gerando atletas mais técnicos e habilidosos. Como resultado, a Islândia tem representantes nos principais campeonatos do mundo. O camisa 10, Sigurdsson, joga no Campeonato Inglês pelo Swansea City. A dupla de ataque é formada por Finnbogason, da Real Sociedad, e Sigpórsson, do Ajax.

Na escalada da Islândia, falta ainda o feito mais importante. A equipe precisa vencer a inexperiência e se classificar pela primeira vez para uma grande competição internacional.