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'Normais', islandeses se surpreendem com nova rotina da seleção na Eurocopa

Esportes

'Normais', islandeses se surpreendem com nova rotina da seleção na Eurocopa

Annecy, França - Se existe uma seleção que marcou a Eurocopa de 2016, ela é a da Islândia. Em sua primeira participação em um torneio deste nível, os islandeses se classificaram em um grupo que tinha o semifinalista Portugal, eliminaram a favorita Inglaterra nas quartas de final e neste domingo, diante da França, no Stade de France, em Saint-Denis, fazem o jogo mais importante de suas vidas.

A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo visitou o local que serve de base para o time de um país de 330 mil pessoas. Nenhuma extravagância, uma piscina relativamente pequena, uma academia sem esteiras ultramodernas e um hotel que nem sequer é classificado como cinco estrelas. A imagem de uma seleção normal.

À beira do lago de Annecy, perto da fronteira com a Suíça e em um visual de cartão-postal, os jogadores vivem uma nova realidade: isolamento, muito policiamento, o status de "queridinhos" de todo o mundo e, claro, um batalhão de jornalistas.

Membros da comissão técnica da seleção islandesa contaram que, quando chegaram para a concentração, não foram poucos os jogadores que estranharam o esquema montado. Acostumados a nem sequer trancar as portas de suas casas na Islândia, o time passou a ser escoltado por guardas armados e o hotel foi blindado, uma medida de segurança exigida pela Uefa diante do risco de terrorismo no evento.

"Estamos acostumados com liberdade e menos segurança", admitiu o volante Kári Árnason. "Não estávamos acostumados", reforçou o atacante Alfred Finnbogason. Com a maioria dos jogadores atuando por clubes modestos da Europa, o valor total da seleção islandesa não chega a 20 milhões de euros, 10% do time da Inglaterra.

Sabendo que o evento seria um impacto para os jogadores, um dos chefes da delegação, Heimir Hallgrímsson, explicou que a escolha por um hotel afastado dos grandes centros foi feita para garantir um pouco de privacidade. "Eles não chegaram aqui como estrelas. São pessoas simples e normais que não fizeram pedidos absurdos ao hotel", confirmou a diretora do Les Tresoms, Véronique Droux.

Se o sentimento é de surpresa até mesmo para a delegação, a ordem é a de manter a concentração e a simplicidade. Nos dias que antecedem a um jogo, a comissão técnica admite que os jogadores são alvos de uma "lavagem cerebral" sobre tática e posicionamento.

Mas os jogadores sabem que, desde que começaram a vencer, suas rotinas e a do próprio país mudaram. Uma cena se transformou em emblemática: após a vitória contra a Inglaterra, a primeira-dama da Islândia, Dorrit Mousaieff, pulou nos braços do goleiro Hannes Halldórsson, que a levantou para o alto. Nesta semana, o novo presidente eleito da Islândia, Gudni Johannesson, anunciou que abriu mão de seu lugar na ala vip do estádio para acompanhar o jogo no meio da torcida.

A empresa aérea do país, a Icelandair, colocou mais dois voos diários para Paris para aqueles que queiram ver o time. Até mesmo a Circle Air, empresa dedicada a voos para o Ártico, anunciou que poderia colocar seus aviões à disposição. "Num país de pouco mais de 300 mil pessoas, todas as famílias tem algum tipo de ligação de parentesco ou de amizade com os 23 jogadores aqui ou conhecem alguém que é irmão ou prima de um atleta", explicou um dos roupeiros do time.

Não por acaso, a ligação entre a torcida e o time é total. No estádio, neste domingo, a previsão é de que mais de 10% da população do país esteja presente. No país gelado do norte da Europa, a dificuldade ainda tem sido a de encontrar camisas da seleção. Mas o fabricante, que passou a semana produzindo novas unidades, prometeu que um novo estoque chegaria às lojas antes do jogo diante da França.

Para dar um incentivo extra aos jogadores, a comissão técnica espalhou pelo hotel cartazes com frases de impacto, entre elas de Albert Einstein. Mas foi um quadro existente na sala de reuniões do hotel que mais chamou a atenção dos islandeses: a de um cachorrinho ameaçando um rinoceronte. A metáfora de um país que, da condição de figurante, passou a jogar de igual para igual com os grandes.