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Calçado tecnológico e prova 'rápida' em Berlim podem derrubar recorde da maratona

Esportes

Calçado tecnológico e prova 'rápida' em Berlim podem derrubar recorde da maratona

São Paulo - Em mais de 40 anos de história, a Maratona de Berlim já contou com dez quebras de recordes mundiais na distância e existe uma enorme expectativa que a marca possa ser derrubada novamente neste domingo, quando a 44ª edição da prova de 42,195 quilômetros será disputada às 4h15 (horário de Brasília). Mais do que fazer um novo tempo, existe até um projeto da empresa de material esportivo Nike para quebrar a barreira das duas horas na prova, graças a inovações em um calçado que ela produziu.

Para se ter uma ideia, as últimas seis vezes que o recorde mundial foi quebrado foi em Berlim, incluindo a atual marca, de 2h02min57, do queniano Dennis Kimetto. Foi lá também que o brasileiro Ronaldo da Costa quebrou o recorde mundial em 1998, superando um tempo que durava mais de dez anos.

"Para mim sempre será uma prova especial, porque traz uma lembrança tão boa. Eu já tinha batido o recorde sul-americano e estava preparado. A corrida estava tão boa que saiu aquele tempo. Tinha dez anos que não se batia o recorde", disse Ronaldinho ao Estado, lembrando que o Brasil costuma ter muitos talentos na prova.

Ele explica que a prova reúne algumas características que possibilitam boas marcas todos os anos. "O percurso é plano e o clima ajuda, pois é bem agradável. A prova é disputada com temperaturas entre 10°C e 13°C e os melhores sempre participam, pois a premiação é boa. Acho que pode haver quebra de recorde. Do jeito que estão correndo, não seria surpresa", admite.

Para além do recorde mundial, a Nike vem realizando um projeto para quebrar a barreira das duas horas na maratona. Quase conseguiu isso em um teste que fez no autódromo de Monza no evento Breaking2, em maio, quando o queniano Eliud Kipchoge correu a distância em 2h00min25s, ou seja, apenas 25 segundos acima da marca sonhada. O tempo não contou como recorde porque não preencheu certos requisitos. No fundo, a ideia era mostrar que é possível quebrar essa barreira.

"Não se trata apenas de quebrar a barreira das 2 horas na maratona; é sobre mudar o jogo. Breaking2 é sobre atacar uma desafio e impulsionar o potencial humano para quebrar essa barreira. Acreditamos que uma vez que a barreira das 2 horas for quebrada em qualquer capacidade, veremos os tempos oficiais caírem", informou a Nike.

A aposta da empresa está no calçado Nike Zoom Vaporfly 4%, que é fruto de anos de pesquisa para melhorar o rendimento dos atletas. Segundo a fabricante, é possível que os corredores sejam 4% mais eficientes em comparação com o calçado anterior da empresa. Isso quer dizer que o próprio Kipchoge, se conseguir melhorar isso de seu melhor tempo da carreira (2h03min05), quebraria com folga a barreira das duas horas.

"Uma melhoria de 4% significa que você mantém o mesmo ritmo de corrida, mas com um esforço 4% menor. Melhorar a economia de corrida é um fator determinante para melhorar o desempenho na prova. Em qualquer nível, uma melhoria de 4% é uma diferença gigantesca. Não é simplesmente a diferença entre vencer ou não conseguir, mas possivelmente a diferença entre correr uma maratona na casa das 3 ou 2 horas", afirma a Nike.

A empresa diz que "um talão aerodinâmico destaca a estética do tênis. O cabedal Nike Flymesh com apoio de arco dinâmico no médio pé proporciona nível zero de desvio de distração. A placa de fibra de carbono é ajustada para minimizar a perda de energia quando os dedos são dobrados, sem aumentar a demanda para a panturrilha. Por fim, a entressola Nike ZoomX proporciona amortecimento em cada passo para devolver energia para o arranque. O resultado é um tênis de corrida construído para as necessidades exatas de maratonistas de classe mundial."

Durante a evolução do calçado, a empresa recebeu críticas de que isso poderia ser uma forma de "doping tecnológico". Mas ela se defende e diz que o calçado está dentro das normas.

Na cabeça dos maratonistas, a marca de duas horas é uma grande barreira, mas aos poucos parece que está deixando de ser um fantasma para se tornar um objetivo. Além de Kipchoge, outros nomes cotados para quebrar o recorde são de Kenenisa Bekele, da Etiópia, e Wilson Kipsang, do Quênia.

"Acho possível alguém correr agora abaixo das 2h02min, mas abaixo de duas horas é bem mais difícil. Sei que tudo é possível e o segredo é ter um bom treinamento e foco no dia da prova. O calçado pode até ajudar, mas o atleta precisa estar bem preparado", concluiu Ronaldo da Costa, que já viveu seu sonho nas ruas de Berlim.