Espírito Santo impulsionado pelo agronegócio

A resiliência e desempenho do agro marcou a trajetória da economia capixaba nos últimos 20 anos. Embora com uma participação pequeno no PIB, pois são contabilizadas apenas operações “dentro da porteira”, com peso relativo de 5,7%, o PIB da agropecuária cresceu em termos reais, ou seja, descontando a inflação do PIB total, 142% entre 2002 e 2023. Superando, inclusive, o PIB gerado pelas commodities do setor extrativo mineral, que cresceu 128%.

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O bom desempenho do agro fez mudar o perfil regional das atividades econômicas com o protagonismo de municípios do interior do Estado. É o que mostram os números anunciados para os PIBs municipais pelo IJSN/IBGE para 2023 e em séria histórica que remonta 2002.

Trabalhando com valores deflacionadas pelo deflator implícito do produto -DIP – geral para a economia, isso para retirarmos o efeito preços, os resultados mostram uma tendência de maior crescimento de regiões e municípios do interior em comparação com a região metropolitana.

Em 2002 a Região Metropolitana foi responsável por 63% do PIB, contrapondo aos atuais 55%. No sentido inverso, o restante das regiões teve participação crescendo de 37% para 45%. Num balanço entre regiões a região Litoral Sul ganhou 7,1% (4,9% para 12%), principalmente pelo efeito petróleo e Samarco, Central Sul e Nordestes perderam -0,7% e 0,4%, respectivamente. O que significa ganho de cerca de 1,8% para as demais regiões do interior, com destaque para Central Serrana e Sudoeste Serrana.

Individualizando os desempenhos em toda a extensão do período – período do agro e extrativa mineral – podemos identificar destaques. Nesse caso aparecem no topo os municípios que têm na extração de petróleo a principal fonte de geração de PIB. Aliás, um PIB fictício, pois contribui apenas com royalties e participações especiais. Não afeta em nada a renda percebida pelas pessoas que lá moram. Fazem parte desse grupo Marataízes, com crescimento de 1.102% em termos reais, seguido por Presidente Kennedy, Itapemirim e Piúma.

Mas, a boa nova nessa relação vem de Viana (242%), basicamente pelas atividades de logística, Santa Maria de Jetibá (239%), Cariacica com 146%, e aproximadamente 44 municípios, com predominância do agro, que cresceram acima da média estadual, todos do interior.

Para melhor entendermos as dinâmicas internas da série histórica considerei dividir em três subperíodos: o do “boom” das commodities (2002-2014), o da crise (2014-2020) e o pós pandemia (2020-2023).

No primeiro sobressaíram os municípios litorâneos ligados à extração de petróleo – Região Litoral Sul -, mas com destaques para municípios do agro, como Santa Maria de Jetibá (129%), Alfredo Chaves (165%), dentre outros.

Já no período da crise – 2014 a 2020 – encabeça o ranking o município de Viana (116% em 6 anos), seguindo-se Pinheiros (53%), Santa Leopoldina (48%) e Santa Maria de Jetibá (48%). Lembrando que o PIB total apresentou queda de 4,9% no mesmo período. Em Anchieta a queda foi de 70%, decorrência da paralização da Samarco.

Na reação à pandemia o destaque ficou por conta de Anchieta, com a retomada da Samarco, com 59% de crescimento em três anos; seguindo-se municípios que se beneficiaram com a retomada da extração de petróleo, mas mais especificamente Presidente Kennedy. O Agro também se mostrou forte nesse período, com Vila Valério, Jaguaré, Rio Bananal, Marilândia e novamente Santa Maria de Jetibá.

Se na incumbência de eleger um município símbolo de crescimento e resiliência no período como um todo e em suas partes eu certamente apontaria Santa Maria de Jetibá. E nesse caso, é o agro. Ou seja, o agro é Santa Maria de Jetibá.

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Orlando Caliman

Colunista

Mestre em Economia pela Arizona State University, ex-professor e pesquisador da UFES e ex-secretário de Planejamento do Espírito Santo, Orlando Caliman é diretor econômico da Futura Inteligência. Na Coluna Data Business, analisa o ambiente econômico do Espírito Santo e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento.

Mestre em Economia pela Arizona State University, ex-professor e pesquisador da UFES e ex-secretário de Planejamento do Espírito Santo, Orlando Caliman é diretor econômico da Futura Inteligência. Na Coluna Data Business, analisa o ambiente econômico do Espírito Santo e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento.