Viajar a trabalho e deixar o filho – empreenda nesta relação!

Depois que ele nasceu esta foi a primeira vez que me senti segura para viajar a trabalho por uma semana e deixá-lo em seu ambiente, em sua rotina, em sua vida. Ele está com 2 anos e 10 meses, tem um super pai presente, paciente e consciente, fica meio período com um anjo que chamamos de Tia Marina e a outra metade do dia passa numa escola em que confiamos muito chamada Mundo Ciranda. Está feliz, saudável e seguro. E, pela história de diálogo que alimentamos desde o útero, já consegue entender muito bem as situações.

Aceitei o trabalho. Viajaria na segunda-feira. No sábado iniciei a preparação:

– Filho, na semana que vem a mamãe vai viajar a semana toda, vou para Nova Venécia trabalhar.

– Eu também vou viajar com você, mamãe. A gente vai na casa da Bisa. – foi a resposta mais que rápida!

– Sim, amor, na outra semana vamos juntos à casa da Bisa, agora nesta semana, depois de amanhã, a mamãe vai sozinha viajar para dar treinamento e você vai ficar aqui com o papai, a Tia Marina e indo a tarde prá escolinha. A mamãe vai ligar todo dia prá falar com você. Vais ser assim: Alô, Petrus? (falei fazendo de conta que estava com o telefone no ouvido)

– Alô, mamãe! – ele respondeu achando graça.

– Como você está aí em Vitória?

– Tô tudo bem…

– Que bom! Eu também estou bem aqui em Nova Venécia. O trabalho está muito bom… Estou com saudade!

– Eu também.

– O que você fez aí hoje, passeou com a Tia Marina? Foi na escolinha?

– Passeei…

E assim fui simulando com ele o que aconteceria na semana seguinte. Uma forma nova de contato entre a gente. Nunca havíamos precisado usar o telefone para manter a proximidade. Fiz o ensaio várias vezes no sábado e no domingo, sempre lembrando-o que estaria fora por alguns dias, que voltaria no final de semana e que nos falaríamos pelo telefone todos os dias.

Achar que uma criança com menos de 3 anos não entenderia esta situação poderia fazer com que eu viajasse sem explicar a ele e, não entendendo direito o que se passa, ele poderia ter alimentado um sentimento de abandono, de solidão o que pode trazer graves consequências emocionais. As crianças são capazes de entender muitas coisas se os adultos forem capazes de explicá-las….

Na segunda-feira de manhã, arrumei as malas e fui me despedir do pequeno. Ele estava tranquilo e sabendo exatamente o que estava acontecendo. Sem surpresas a aceitação é bem mais fácil. Resgatei um sapinho de pelúcia guardado há um ano e disse a ele que seria o abraço da mamãe naquela semana. E também que poderia abraçar o papai, a Tia Marina, o Theozinho – nosso cachorro – e a Tia Daiane da escola quando sentisse saudade da mamãe. Soube depois que ele não largou o sapinho por vários dias. Até no supermercado levou.

Deu tchau e desejou-me boa viagem.

Fui feliz e tranquila como acredito que ele também ficou.

Nos falamos pelo telefone diariamente conforme combinamos e treinamos.

Soube que ele ficou manhoso na quarta-feira de manhã logo que acordou chamando por mim mas logo se animou com o passeio na pracinha.

Soube também que na quinta-feira a tarde perguntou ao papai:

– E a mamãe, papai?

– Está viajando ainda, filho…

– “Tabaiando” né, papai?

– Isso mesmo, filho. No fim de semana ela volta.

Voltei e encontrei um menino feliz e seguro. E eu também trabalhei feliz e tranquila. Achei que a experiência foi muito boa e, ainda que não queira ficar viajando muito por semanas inteiras, acredito que quando resolver ir encontrei uma ótima forma de deixar meu pequeno em condição saudável e tranquila!

Divido com a intenção de poder ajudar pais e filhos que passam por situações como essas e, às vezes, permeadas por grande sofrimento e culpa.

(Isabela Minatel Bassi e Petrus Luiz Bassi Nascimento)

13 Replies to “Viajar a trabalho e deixar o filho – empreenda nesta relação!

  1. Estou me preparando para uma viagem de 8 dias, e pesquisando sobre o assunto encontrei seu relato… Estou sofrendo bastante já…nunca fiquei um dia longe dele, que já tem 4 anos…
    Eu ia deixar algo meu com ele, mas gostei da história de deixar algum brinquedo que está guardado há um tempo… E também vou treinar desde já com ele falarmos pelo Skype! Daqui até a viagem, ou melhor, até a volta, meu coração fica apertado, mas também sei que ele ficará bem com o pai coruja e meus pais! Gratidão pela leitura!

  2. Sou gerente de uma concessionária de caminhões.
    Trabalho fora da minha cidade.
    São 380 kms de distância.
    Devem estar perguntando pq não leva a família gente?
    Por dois motivos.
    Primeiro minha filhas não adaptaram longe dos avós e tios quando saímos de Belo Horizonte uma vez. Adoeceram e deu muito trabalho. Além da minha esposa que sofreu muito também.
    E em segundo lugar é que fiquei um ano desempregado, e agora arrumei esse emprego distante, mas com sede em nossa cidade natal, então corro risco de mudar e logo logo ser chamado para BH novamente.
    Mas meu relato é a dor de deixa-las toda semana para ir trabalhar.
    Uma dor que acreditem, os homens também sentem.
    Somos dependentes de nossas mulheres amadas, e ainda mais do afeto e carinho de nossos filhos; e olha que tenho duas menininhas lindas.. Uma de 3 e outra de sete.
    Meninas são mais ligadas aos pais… imaginem meu sofrimento?
    Mas uma coisa digo a todas as mulheres que tem maridos que trabalham fora… amém incondicionalmente, sejam fortes e demonstrem isso… Porque todas as vezes que saio e vejo minha esposa forte e confiante, consigo um pouco mais de coragem para seguir em frente e trabalhar por elas.
    Peço a Deus todos os dias para não me deixar faltar minha família.
    É a coisa mais importante que temos na vida.
    Já pensei várias vezes em pedir conta e desistir de tudo para ficar com elas. Mas como poderei ensinar a elas superação e luta se não fizer primeiro?
    Adorei esse blog.
    Parabéns. ..
    #tamujunto
    Glaycon Torres
    Um pai aflito toda vez que tem que viajar

    1. Querido Glaycon,

      A sua honestidade e a forma como se abriu em seu comentário me comoveram. Fiquei realmente emocionada com seu comprometimento, com sua preocupação e com seu amor por sua família! Já que expôs esta situação, quero deixar algumas considerações com o intuito de promover reflexões…
      – com relação a primeira experiência de mudança que não deu certo, é importante saber que o sentimento dos adultos é absorvido pelas crianças. Se os adultos estiverem bem com a decisão, seguros, conseguirão passar isso às crianças e ajudá-las a ver de uma forma positiva a mudança. Caso contrário fica bem complicado mesmo.
      – sobre pedir conta ou dar exemplo de superação e luta, vale por as coisas na balança. Escreva mesmo os pontos fortes e fracos de cada opção para tomar sua decisão. Desistir nem sempre é sinônimo de fraqueza. Às vezes estará sendo exemplo de respeito a si mesmo e a uma busca de se sentir mais pleno e feliz.
      Que Deus abençoe você e suas 3 lindas!
      #tamojunto
      Isa Minatel

  3. Bom dia,

    Pesquisando por algo que tem me afetado todos os dias encontrei este bolg alias, parabens Isa!

    Partilho das mesmas “agonias” e ou comprometimento do Glaycon alias creio que uma coisa leva a outra… E confirmo que Homem tbem sofre e muito! Cuando longe da familia tao amada….
    Tenho viajado por varios paises nos ultimos 11 anos tenho 33 comecei bem jovem buscando uma determinada meta finaceira que seria estabelecer pilares basicos para segurança e conforto de minha familia.
    Os ultimos 4 anos tem sido de viagens internacionais o que por incrivel que pareça traz uma sensação de saudade e distancia muito maior, a final vc depende de meios de transporte que nao estao ao seu controle para voltar para casa.
    Tenho ultimamente cada vez mas inquietudes a respeito de como encarar minha filha 7 quando sair de casa ou como confortá-la ou conformá-la, assim como o Glaycon tenho cada vez mas me posto em cheque no momento de seguir ou não.
    Meu maior medo neste momento seria de fraquejar agora e no futuro minha fraqueza trazer algum penalização a minha própria filha por falta de recursos, alias o mercado de trabalho nao tem sido facil ultimamente….
    mais que tem sido bem dificil tem, a duvida maior é de como conduzir a criança para que tenha o minimo de impacto em sua vida e evitar um sofrimento atualmente..

    1. Muito especial vocês se preocuparem com isso. Vale lembrar que as crianças absorvem muito dos nossos sentimentos então é bom estarmos bem. Conversarmos bastante e, se for o caso, buscar mudar a situação. <3

  4. Estou prestes a conseguir um trabalho em uma cidade 580 km distante da minha cidade .
    Tenho um filho de 2,5 anos e não sei o que fazer .
    Será que valeria a pena ganhar bem e deixar meu filho 15 dias sem ver a mãe ?
    Preciso de ajuda .

    1. Que desafio! Se achar que vale a pena, essa sua situação é excelente para trabalharmos em atendimento online. Me fala seu interesse que mando o link com as informações. Abraço e que Deus te ajude na decisão.

  5. Olá……nao sei se você ou alguém vai ler isto mais preciso falar .
    Estou a 3 meses longe dos meus 3 filhos Davi 2 anos Alana 9 João 5 .
    Viajei a trabalho e tenho planos que com uma ano pegue eles para cá comigo , porém enquanto isso me sangro em dor …….me sinto culpada e gananciosa não sei se estou certa , porém não aguentava mais ver eles vivendo de formas precárias e não poder fazer nada .
    Sei que isso é por um tempo mais vai explicar isso pro coração?
    Me sinto um caos de mãe porém eu precisava tomar uma decisão.
    Não está fácil estou começando a achar que não irei suportar , Mais ai lembro que prometi a eles que voltaria e que nós teríamos uma vida digna .
    Preciso cumprir e enquanto não passa esse ano aqui estou eu desabafando em uma rede social .

    1. Uau, Luana… Você me deixou sem ar… e sem palavras também… só posso te desejar força e muito sucesso! Queria te ter mais perto… Já conhece meu canal no youtube?

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