Design Thinking na Escola

Equipe pedagógica do Colégio Albert Sabin utiliza abordagem do Design Thinking para reformular área de Ciências da Natureza

Uma das questões que têm preocupado as escolas atualmente é o fato de que as necessidades dos estudantes, hoje, evoluem rapidamente, assim como as tecnologias que competem por sua atenção. Nesse contexto, as instituições precisam estar em constante transformação, a fim de acompanhar essas mudanças e garantir que todos os alunos alcancem o nível de aprendizagem desejado.

Por enxergar esses desafios como oportunidades, o Colégio Albert Sabin buscou apoio no Design Thinking para repensar seu projeto pedagógico. No final de 2015, os assessores e professores de Ciências da Natureza decidiram elaborar a revisão e o alinhamento curricular da área a partir dessa abordagem.

Segundo o assessor pedagógico e professor de Química do Sabin, Leandro Holanda – mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Tecnologias Educacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) –, o objetivo é fazer com que o currículo de Ciências promova aos alunos uma alfabetização científica mais ampla, que contribua para que eles desenvolvam, de forma contínua e crescente, do Ensino Fundamental I ao Ensino Médio, habilidades e competências como observação, reconhecimento, análise e criação de hipóteses.

As discussões sobre o currículo de Ciências abordaram como ele é aplicado atualmente nos diferentes segmentos, quais habilidades ele trabalha por meio de quais atividades, e de que forma ele possibilita a aprendizagem de Ciências ao longo das séries.
Leandro, que também atua como consultor em projetos educacionais com foco em Tecnologia e Inovação na Fundação Lemann e é especialista em Educação na Microsoft, explica que, após uma análise cuidadosa e de uma conversa com ex-alunos para verificar a opinião deles sobre as aulas de laboratório, duas questões principais foram apontadas:
– Como desenvolver um currículo de Ciências da Natureza que seja crescente/contínuo no que diz respeito ao desenvolvimento de determinadas habilidades e competências em Ciências; e
– Como desenvolver, nas aulas de laboratório, experimentos com caráter mais investigativo, em vez de simplesmente oferecer roteiros prontos aos alunos.

Para resolver a questão do currículo, de acordo com o assessor, a equipe pedagógica pretende analisar, ao longo deste ano, os planejamentos de aulas de Ciências de cada série/segmento, identificar de que maneira eles contribuem, atualmente, para o desenvolvimento das habilidades apontadas anteriormente – observação, reconhecimento, análise e criação de hipóteses – e propor modificações, a fim de potencializar o aprendizado dos alunos.

“Uma das ideias é intensificar o trabalho com eixos temáticos, extrapolando os temas da UNESCO e inserindo temas fixos, em vez de trabalhar somente com discussões pontuais ou de oportunidade. Já as ações relacionadas ao aprimoramento da experiência dos alunos nas aulas de laboratórios devem ser colocadas em prática ainda em 2016, pois demandam apenas a reformulação/adequação dos roteiros dos experimentos, para que eles se tornem mais investigativos”, afirma Leandro.

A fim de alcançar esses objetivos, foi necessário organizar um grupo de estudos, formado por um representante de cada departamento – Biologia, Física, Química e Ciências, dos Ensinos Fundamental I e II –, que se reunirá mensalmente. “Temos como foco de trabalho dois pontos: criar formações para os professores que os ajudem a desenvolver experimentos mais inovadores e focados na investigação; e realizar ações pontuais em curto, médio e longo prazos, para integrar o currículo de Ciências do EF I e EF II. Já em 2016, faremos uma integração entre Química do 9º ano e Ciências do 8º ano. Com certeza, teremos mais ações ainda neste ano”, finaliza o assessor.

O que é Design Thinking
Como o nome indica, Design Thinking é uma forma de abordagem tomada do campo do design e adaptada ao mundo dos negócios. O termo apareceu na década de 1990, em um artigo acadêmico de Richard Buchanan, e popularizou-se no Brasil após o lançamento do livro “Design Thinking – uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias”, de Tim Brown, CEO da Ideo, empresa de design norte-americana.

O Design Thinking pode ser entendido como um processo estruturado, baseado no pensamento estratégico do design, que busca solucionar problemas de forma colaborativa e criativa, sempre com foco nas necessidades das pessoas envolvidas. Baseado em três pilares – empatia, colaboração e experimentação –, tem como principal objetivo responder criativamente aos desejos e necessidades de determinado público, seguindo quatro etapas: Imersão, Ideação, Prototipação e Desenvolvimento.

No caso de instituições de ensino, há um conjunto consistente de desafios que elas costumam enfrentar, relacionados ao planejamento e ao desenvolvimento de experiências de aprendizado (currículo), ambientes de aprendizagem (espaços), programas, projetos e experiências escolares (processos e ferramentas) e estratégias, objetivos e políticas (sistemas).

Em qualquer que seja a escala – desde a interação com um estudante, passando pelo engajamento de pais e pela administração da grade horária, até a reforma de todo o sistema – os desafios enfrentados pelos educadores são complexos e variados, e precisam de novas respostas, perspectivas e abordagens.

Como os educadores estão estrategicamente posicionados para acompanhar de perto as necessidades dos estudantes em sua própria aprendizagem, eles são singularmente qualificados para entender e planejar as melhorias que a escola precisa utilizando a abordagem do Design Thinking, que possibilita, por exemplo, o redesenho dos espaços da sala de aula a partir de entrevistas com os alunos, ou o desenvolvimento de um novo currículo a partir de brainstorms e protótipos.

Design Thinking é um modelo de pensamento:
– Centrado no ser humano: começa com uma profunda empatia e um entendimento das necessidades e motivações das pessoas envolvidas;
– Colaborativo: muitas mentes são sempre mais fortes que uma só ao resolver um desafio; há muitas vantagens em considerar múltiplas perspectivas e a criatividade dos demais;
– Otimista: todos nós podemos criar mudanças, não importa quão grande é um problema, se temos pouco tempo disponível ou se o orçamento é restrito; pensar como designer extrapola quaisquer restrições; e
– Experimental: dá a liberdade de assumir riscos, errar e aprender com seus erros, porque você tem novas propostas, recebe feedback de outras pessoas, depois repensa suas ideias.

Sobre o Colégio Albert Sabin
Localizado no Parque dos Príncipes, zona oeste de São Paulo, o Colégio Albert Sabin é movido pela convicção de que o ensino de qualidade vai além das páginas dos livros didáticos e deve criar oportunidades. Desde sua fundação, em 1993, o Colégio acredita que a formação integral do aluno como cidadão, com autonomia intelectual e valores humanistas, abrange não só a oferta de um conteúdo acadêmico de excelência, mas também o desenvolvimento de competências como capacidade de comunicação, solidariedade e respeito às diferenças. Por isso, sua proposta pedagógica é aplicada em quatro eixos de atuação: Excelência acadêmica, Fluência em um segundo idioma, Práticas esportivas e culturais e Convivência pautada em valores entre pais, alunos e colaboradores. Por meio de ações pedagógicas dinâmicas e permanentemente atualizadas, o Albert Sabin – 12º colocado no Enem 2014 na cidade de São Paulo – prepara o aluno para viver em um mundo globalizado e avançar diante dos desafios, tanto nos estudos como na vida. Mais informações: albertsabin.com.br 

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