Precisamos falar sobre o processo de aprendizagem de crianças autistas

crianças autistas

Como deve ser o processo de aprendizagem de crianças autistas? Nesses casos, é importante que os pais tenham um diagnóstico correto do autismo, porque quanto mais cedo intervir, maiores são as chances de aprendizado. Quanto menor a criança, maior é a velocidade de formação das redes neurais no cérebro.

Na escola, a equipe pedagógica deve se preparar com profissionais especialistas em Ensino Estruturado e ter um planejamento individualizado para garantir o desenvolvimento da criança. Em casa, os pais precisam de estratégias diferenciadas existentes dentro das “Práticas Baseadas em Evidências” e estimular o filho para que ele tenha evoluções significativas.

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser definido como uma disfunção de desenvolvimento. O transtorno é identificado como espectro, pois as características podem variar do grau leve até o grau severo, apresentando vários sintomas diferenciados. Ele pode se manifestar antes dos três anos de idade e afeta a interação social e a comunicação da criança.

Em 1943, o psiquiatra infantil americano Leo Kanner começou a desenvolver estudos sobre o autismo nos Estados Unidos. Hans Asperger, em 1944, também detalhou casos, identificando os primeiros esforços para explicar o transtorno de modo científico.

Os cientistas perceberam que as crianças autistas eram incapazes de desenvolver um relacionamento afetivo normal com outras pessoas. Além disso, eles concluíram que não há um fechamento do indivíduo sobre si mesmo, mas um tipo particular de contato com o mundo externo tratamento para o autismo inclui escolas especializadas e o apoio dos responsáveis.

Há crianças que tomam algum tipo de medicamento para diminuir os sintomas associados, como estimulantes para reduzir a hiperatividade e neurolépticos para reduzir agitação e atos repetitivos (estereotipias). Contudo, é preciso verificar se o benefício é superior aos efeitos colaterais causados.

Qual a importância de práticas diferenciadas para essas crianças?

Os pais precisam ter uma opinião de um profissional especialista no assunto para saber, por meio de avaliações, qual o grau de autismo e como aplicar o processo de ensino aprendizagem para a criança. Todo conteúdo apresentado à criança precisa corresponder à idade de desenvolvimento dela.

Os alunos autistas têm dificuldades de linguagem receptiva, ou seja, na compreensão das mensagens ouvidas. Além disso, a maioria deles conta com pouca linguagem verbal para se comunicar. Assim, muitas vezes o professor crê que o aluno está compreendendo, quando na verdade ele não está.

Ademais, muitas crianças autistas têm hipersensibilidade sensorial, o que pode levar a distúrbios de comportamento. Dessa maneira, é importante que os pais e a escola intervenham da maneira certa, para que esses estudantes desenvolvam comportamentos adaptativos.

É importante implantar a organização física dos espaços, a rotina e a estruturação de atividades, a parceria com a família. Os autistas reagem melhor a atividades programadas e métodos específicos. Além disso, a disposição da sala de aula e da casa da criança autista interfere na capacidade de absorção do conhecimento, pois essa organização do ambiente dá pistas visuais, que ajuda o aluno a entender o que deve ser feito e quando ser feito, diminuindo as distrações e dando previsibilidade.

Os autistas possuem algumas disfunções cognitivas, entre elas as habilidades que envolvem as Funções Executivas, desenvolvida no lobo frontal, que possibilitam trabalhar com sequenciamento, planejamento, flexibilidade e memória de trabalho. Por isso, muitas vezes eles não conseguem manter a sequência de eventos, mesmo que cotidianos.

Dessa forma, é interessante seguir atividades às quais a criança já esteja acostumada, e introduzir novas aos poucos, sempre dando pistas visuais do que fazer, quando fazer e a quantidade de coisas a serem feitas.

Como facilitar o processo de aprendizagem de crianças autistas?

Educar uma criança com autismo é um grande desafio tanto para os pais quanto para os profissionais da área da educação. Todas as crianças têm direito ao acesso à educação, e com autistas não é diferente. No caso deles, é preciso criar opções que facilitem a escolarização e o desenvolvimento social. Confira algumas dicas abaixo.

Entenda as dificuldades da criança

Cada criança autista apresenta um grau de dificuldade por ser único. Por isso, os responsáveis devem entender as dificuldades particulares de seus filhos e se familiarizar com elas. Depois, é preciso encontrar uma escola, professores e terapeutas que sejam capacitados e possam ajudar nesse desenvolvimento.

Faça um reconhecimento do ambiente

Depois de encontrar uma escola que tenha um especialista na área, para guiar a equipe escolar, os pais devem levar a criança antes do início das aulas para que ela conheça o local e se sinta bem nele. As crianças autistas não se adaptam muito bem a estímulos visuais ou ambientes com muito barulho. Então, esses detalhes devem ser levados em consideração na hora da escolha.

Crie métodos que facilitem o entendimento da criança sobre o mundo

Há autistas com grau leve que conseguem desenvolver a maioria das atividades, e outros que têm maior dificuldade. Sendo assim, os pais podem utilizar, a partir dos hábitos da criança, métodos que envolvem as Práticas Baseadas em Evidência, que facilitam sua compreensão do mundo e brincadeiras que façam parte do universo dela. Os autistas costumam se fixar em jogos, brincadeiras ou personagens específicos. Aproveite isso e crie estratégias, como narrativas (histórias sociais) para explicar outros assuntos importantes que os cercam.

Siga programações

Para o desenvolvimento escolar, as crianças autistas precisam de programações e rotinas. Após a criança com TEA ter sido avaliada por profissionais especialistas, os pais devem dividir as atividades e tarefas em partes, e é importante ir das atividades mais simples até as mais difíceis, de acordo com a idade de desenvolvimento da criança e suas necessidades. É importante dar instruções claras e diretas, sem muitos enunciados ou ordem abstratas e complexas.

Identifique os materiais escolares

Todo o material escolar do aluno autista deve ser claramente identificado e organizado de modo que o estudante compreenda o seu uso. A criação de sistemas com figuras, códigos de cores e símbolos pode ajudar na identificação de forma independente.

Procure terapias cognitivas e comportamentais

As terapias são alternativas essenciais para que a criança autista tenha um ensino individualizado e cuidadoso a partir da sua necessidade. No caso de alunos mais comprometidos, por exemplo, o terapeuta precisará desenvolver uma estrutura de ensino mais organizada e acompanhar passo a passo do desenvolvimento do estudante a longo prazo.

Portanto, o processo de aprendizagem de crianças autistas deve ser feita de forma multidisciplinar associando escola, família e terapia. Afinal, com boas aplicações é possível que o aluno autista tenha autonomia e se desenvolva melhor.

Veja mais conteúdos sobre educação e tecnologia no EducaTech.

*artigo escrito por Brenda Paiva, formada em História, professora de educação especial, pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica e pós-graduada em Autismo e Ensino Estruturado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *