Água: a importância de um bom processo de gestão desse recurso fundamental para a vida

Ninguém duvida que a água é um recurso natural fundamental para a vida. A questão é bem simples: todos os ecossistemas existentes e as atividades humanas dependem, de forma direta ou indireta, da água. Essa verdade por si só já é argumento suficiente para ressaltar a necessidade de um processo de gestão desse recurso.

Embora a maior parte da superfície da Terra esteja coberta pela água, a distribuição se dá de forma bastante irregular. Ou seja: grande parte é da água salgada dos oceanos. Já uma outra parte está na forma de geleiras.

Como ilustração, imagine que toda a água do planeta corresponda a 100 litros. Teríamos, então, 97,4 litros de água dos oceanos, 2 litros de gelo, meio litro de águas subterrâneas e apenas 100 mililitros de água doce dos rios e lagos. Sendo apenas de 0,1% a pequena quantidade de águas doces superficiais diretamente aproveitáveis pelo homem, podemos entender a importância do uso racional da água em todas as atividades humanas.

Ciclo Hidrológico

Você sabia que o ciclo hidrológico está ligado ao movimento e à troca de água nos seus diferentes estados físicos?

Isso ocorre na Hidrosfera, entre os oceanos, as geleiras, as águas superficiais, as águas subterrâneas e a atmosfera.

E o Sol é o responsável por todo esse processo. É ele que fornece a energia para elevar a água da superfície terrestre para a atmosfera (evaporação), e à gravidade, que faz com que a água condensada caia (precipitação).

A partir daí, se reúnem em rios até atingir os oceanos (escoamento superficial) ou se infiltra nos solos e nas rochas.

Nem toda a água precipitada alcança a superfície terrestre. Uma parte é interceptada pela vegetação e volta a evaporar-se. Esse processo, aliás, é um ciclo. Veja como funciona: a água que se infiltra no solo é sujeita a evaporação direta para a atmosfera. Uma parte é absorvida pela vegetação que, por intermédio da transpiração, a devolve à atmosfera.

A quantidade de água e a velocidade com que ela circula nas diferentes fases do ciclo hidrológico são influenciadas por diversos fatores. Entre eles, a cobertura vegetal, a altitude, a topografia, a temperatura, o tipo de solo e a geologia.

Veja esse vídeo educativo sobre o ciclo hidrológico no site https://www.youtube.com/watch?v=vW5-xrV3Bq4

 

Ilustração do ciclo hidrológico
Ilustração do ciclo hidrológico

Variação chuvas

Por que ocorrem as chuvas? Isso é causado por vários fatores. Períodos úmidos, mesmo que irregularmente, são contrabalançados por períodos secos. Em virtude dessas variações, ao longo de um ano, define-se o ano hidrológico como o período em que se observa a presença de duas “estações” úmida e seca. Na Região Sudeste, observa-se, de forma aproximada, o início do período úmido (maior ocorrência de chuvas) em outubro, continuando até o março do ano seguinte. De abril até setembro, é caracterizado pelo período seco.

Seca e Estiagem

A seca acontece de forma temporária, tanto em regiões de baixa quanto de alta precipitação. A seca tem sido classificada pelos diferentes tipos: secas meteorológicas, hidrológicas, agrícolas e socioeconômicas Hisdal e Tallasen (2000 apud Lindner et al 2007).

Já a estiagem é um fenômeno normal, considerado como a época do ano em que o solo perde mais água do que recebe. A estiagem (baixa vazão) é uma consequência da seca, mas não é a seca em si. A situação de seca ocorre durante um dado período de tempo quando a precipitação verificada nesse período é inferior a um dado limiar.

Proposta de sequência temporal dos diversos tipos de seca
Proposta de sequência temporal dos diversos tipos de seca

Falta de água

A escassez hídrica, ou falta de água, é um termo relativo e pode se dar de diversas formas. Normalmente, essa situação ocorre nos períodos de seca, caracterizados por pouca chuva e vazões mínimas nos rios. A situação se agrava com o processo de degradação das bacias hidrográficas. Essa degradação está associada, principalmente, à perda de cobertura florestal em áreas importantes para a recarga dos aquíferos subterrâneos associado ao mau uso do solo.

Impactos

O Espírito Santo vive um de seus mais dramáticos momentos em consequência da crise hídrica. A seca tem castigado os municípios capixabas. Os impactos ambientais da escassez hídrica são muitos, como os danos ao ecossistema aquático, perda da fauna e flora do rio, falta de água para o uso humano e necessidades básicas de abastecimento e saneamento, diminuição ou restrição para a irrigação e outras atividades produtivas.

Esse cenário compromete a produção de alimentos e o desenvolvimento regional. Além disso, as baixas vazões contribuem para o aumento da concentração de poluentes na água implicando em maior degradação do recurso e restrições para os diversos usos.

Segundo informe do relatório de conjuntura dos recursos hídricos 2015, da Agência Nacional de Águas (ANA), no Brasil, os registros da média de vazões, em 2014, em relação à média histórica de alguns pontos representativos de cada região hidrográfica brasileira apresentaram anomalias positivas de chuva e vazão na região Sul do Brasil e em parte da bacia dos rios Amazonas e Paraguai.

Em bacias das regiões hidrográficas do Atlântico Sudeste até o
Atlântico Nordeste Ocidental, foram observadas vazões médias anuais inferiores a 50% da vazão média.

A boa gestão de recursos hídricos é fundamental para a convivência e minimização dos impactos da escassez hídrica. A adoção de práticas sustentáveis de uso da água e soluções criativas para a reversão do quadro de escassez é necessária.

Gestão de Recursos Hídricos

Segundo o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PNUMA, caso não haja êxito na promoção do uso mais eficiente da água, a demanda por pode ultrapassar a oferta em 40% até o ano de 2030.

Ainda segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), se a demanda pela água doce continuar sem esforços de preservação, cerca de 1,8 bilhão de pessoas viverá em regiões com escassez absoluta de água em 2025. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) cita que escassez de água afeta quase todos os continentes e mais de 40% das pessoas em nosso planeta.

Em recursos hídricos, o planejamento pode ser definido como conjunto de procedimentos organizados que visam o atendimento das demandas de água, considerada a disponibilidade restrita desse recurso. Todavia, o planejamento de recursos hídricos reveste-se de especial complexidade.

Gestão de recursos hídricos é a forma pela qual se pretende equacionar e resolver as questões de escassez relativa dos recursos hídricos, bem como fazer o uso adequado, visando a otimização dos recursos em benefício da sociedade.

 

 

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